| Hernâni Matos |
Inteiros Postais de Portugal |
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INTEIROS POSTAIS - A MÃE DE TODAS AS CLASSES |
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Hernâni Matos |
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(artigo publicado no nº 2 da "Convenção Filatélica" - Março de 2002) |
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OS INTEIROS POSTAIS EM SI PRÓPRIOS |
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Para
poder avançar por terreno seguro, convém dar uma definição precisa
do objecto do presente estudo, o que se pode fazer dizendo que: “Os
Inteiros Postais são objectos postais que comportam um selo impresso
oficialmente autorizado ou uma marca ou inscrição indicando que um
determinado valor facial, referente a um serviço postal ou
relacionado, foi previamente pago.” [2]
Uma
participação de Inteiros Postais deve ser elaborada [3]
utilizando Inteiros Postais devidamente seleccionados, novos ou
circulados por via postal, de um determinado país ou grupo associado
de territórios, que ilustrem uma ou mais das categorias em que se
podem classificar os Inteiros Postais, tendo em conta: |
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1) |
A
maneira de os disponibilizar e utilizar.
Inclui: emissões dos correios, emissões de serviço oficial, emissões
militares e emissões particulares; |
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2) |
As
características físicas do papel ou cartolina sobre o qual o selo,
marca ou inscrição foi impresso.
Abrange: cartas postais (incluindo aerogramas), sobrescritos, bilhetes
postais, cartões-postais / bilhetes-cartas, cintas de jornais e
impressos de diversos tipos; |
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3) |
O
serviço postal ou afim para o qual foram emitidos.
Compreende:
serviço postal (via
de superfície e via aérea), registos,
telégrafo, recibos de
taxas diversas, certificados
de expedição de encomendas postais, ordens de pagamento,
vales postais e outros documentos com selos postais impressos
ou correspondente marca
ou inscrição. |
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Actualmente
a tendência predominante nas mais prestigiadas participações
portuguesas de Inteiros Postais portugueses é constituir participações
tendo em conta a emissão (D. Luís, D. Carlos, D. Manuel, Ceres,
etc.). Nessas participações é habitual apresentar primeiro as emissões
dos correios e depois as emissões particulares. Dentro de cada uma
delas são estudados separadamente os Inteiros Postais, de acordo com
as características
físicas do papel ou cartolina sobre o qual o selo, marca ou inscrição
foi impresso. Assim, nos
bilhetes postais é identificado o tipo, cor e espessura da cartolina,
a cor dos selos e as sobrecargas e sobretaxas. Já nos sobrescritos é
analisado o tipo e cor do papel, bem como a cor dos selos. Quanto aos
cartões postais é estudado o tipo, cor e espessura da cartolina, a
cor dos selos, a dobra da folha, o tipo de perfuração e o respectivo
denteado. Relativamente às cartas postais há que identificar a cor
do papel e a cor dos selos. De resto, para cada emissão há que
identificar as variedades e os erros e, estudar os portes. Igualmente,
provas, specimens, não emitidos e perfurações, não devem deixar de
ser estudados. [4] Os
Inteiros Postais podem, de resto, ser portadores de missivas onde se
fala da própria emissão. É o caso do bilhete postal que iremos de
seguida analisar. Grande número de filatelistas pensa que o período de circulação dos bilhetes postais comemorativos do 5º Centenário do Nascimento do Infante D. Henrique, foi de 4 a 13 de Março de 1894, à semelhança do período de circulação dos selos da mesma emissão e do período de utilização do carimbo especial, circular, empregue na inutilização dos selos henriquinos. Na verdade, o bilhete postal foi emitido por Portaria de 8 de Fevereiro de 1894 (Diário do Governo nº 32 de 12 de Fevereiro de 1894), que fixava de 4 a 13 de Março, o período de circulação do bilhete postal. Porém, não aconteceu assim. Temos na nossa colecção, um destes bilhetes postais com marca de partida de LISBOA CENTRAL/QUARTA SECÇÃO, de 7-1-1896 e, com marca do dia de chegada, também de LISBOA, mas da 2ª SECÇÃO, de 8-1-1896 (fig. 1). Este bilhete postal tem a particularidade de ter sido escrito a Carl George, decano dos inteiristas portugueses, por Francisco Pastor [5], desenhador e gravador do bilhete postal, que amigavelmente assina “F”. |
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fig. 1 - Bilhete postal comemorativo do “5º Centenário do Nascimento do Infante D. Henrique” – taxa de 10 reis, destinada ao serviço nacional. Cartolina camurça. Circulação: LISBOA 7.1.1896 ® LISBOA 8.1.1896. |
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Diz o texto do bilhete postal (fig.2): “Veja
Diário do Governo nº 4 de hoje, autorizando o emprego d’estes
bilhetes até se esgotarem (sic.) Assinado “F”. Depois, a data
“7/1,1896”. Com efeito, assim foi, visto que o Diário do Governo
nº 4, de 7 de Janeiro de 1896 transcreve a Portaria de 3 de Dezembro
de 1895, autorizando o referido bilhete postal a circular até se
esgotar. |
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fig.
2 - Verso
do bilhete postal da fig. 1,
mostrando a importante missiva interpretada no texto do artigo. |
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Realçada que foi a importância dos Inteiros Postais em si próprios, enquanto classe F.I.P. autónoma, há que mostrar a respectiva importância nas suas inter-relações com outras classes filatélicas. Assim... [1]
Este fomento é tanto mais importante quanto se prevê a curto
prazo, uma morte para os bilhetes postais que ainda vão sendo
emitidos pelos Correios. Sobre este assunto é de ler o
interessante artigo: Ferreira, Luís Eugénio. Inteiros
Postais. Crónica de uma Morte Anunciada. Boletim do Clube
Filatélico de Portugal, nº 363, Junho de 1993. Lisboa. [2]
Regulamento Especial para a avaliação de participações de
Inteiros Postais em Exposições F.I.P. - SREV (Artº 2) e
Directrizes para a avaliação de Participações de Inteiros
Postais em Exposições F.I.P. (A-1). [3]
SREV (Artº 3). [4]
Em Portugal, o pioneirismo no fomento do coleccionismo de Inteiros
Postais deve-se à acção do Clube Filatélico de Portugal, através
da publicação de artigos de Inteiros Postais numa perspectiva
tradicional, de Cunha Lamas (a partir de 1953), Oliveira Marques
(1954) e Lemos da Silveira (1967). O mesmo clube começou a
promover Mostras de Inteiros Postais em 1972. A
APFT – Associação Portuguesa de Filatelia Temática, sediada
no Porto, desde a sua fundação em 1969, que tem fomentado o
coleccionismo de Inteiros Postais numa perspectiva temática. Na
sua revista “Filatelia Temática”
aparecem artigos sobre Inteiros Postais nessa perspectiva, desde o
nº 60 (1977). A mesma Associação tem promovido desde 1981,
exposições de âmbito nacional a que deu a designação de
Interpor’s. Actualmente,
as exposições nacionais com patrocínio da F.P.F.-A.P.D.
comportam a classe de Inteiros Postais, onde por aplicação dos
regulamentos F.I.P. desta classe, não tem cabimento o julgamento
de participações exclusivamente de Inteiros Postais,
montados à maneira temática. Porém, como
veremos adiante
neste artigo, os Inteiros Postais são objectos postais a incluir
nas participações temáticas. [5]
Francisco Pastor era um gravador afamado na época. Tinha um
“Atelier de Gravura” na rua do Ouro, 243-2º, em Lisboa. Era
amigo pessoal de Carl George e editor do “Almanach Ilustrado”
que nesse ano de 1894 ia no 12º ano e custava 200 réis. |