| Hernâni Matos |
Inteiros Postais de Portugal |
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Aerogramas Militares Isentos de Franquia Guerra Colonial 1961 - 1974 |
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Eduardo Barreiros e Luís Barreiros |
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O sequestro do navio Santa Maria, à época o mais importante da Marinha Mercante Portuguesa, ocorrido em 22 de Janeiro de 1961, o assalto em Luanda à Casa de Reclusão e à Esquadra da PSP, em 4 de Fevereiro e posteriormente, o início das atrocidades cometidas pelos guerrilheiros da União das Populações de Angola - UPA contra as populações do Norte de Angola, em 15 de Março de 1961, fizeram despertar em Portugal um movimento patriótico de solidariedade entre um grupo de mulheres. Propunham-se prestar apoio aos desalojados e repatriados de Angola, às famílias e aos militares expedicionários que entretanto eram mobilizados para o Ultramar, em defesa do território nacional. Nascia assim, em 28 de Abril de 1961, o Movimento Nacional Feminino (MNF) que conforme constava nos seus Estatutos era independente do estado e não continha cariz político. No artigo 1º dos Estatutos do M N F, estão definidos os seus objectivos: “O Movimento Nacional Feminino é uma Associação com personalidade jurídica, sem carácter político e independente do Estado, que se destina a congregar todas as mulheres portuguesas interessadas em prestar auxílio moral e material aos que lutam pela integridade do Território Pátrio”. Esta organização, chegou a congregar cerca de 82 000 mulheres, distribuídas pelas suas estruturas em Portugal e nas Províncias Ultramarinas. O MNF foi responsável pela edição de um jornal mensal chamado “Guerrilha”, uma revista intitulada “Presença” e uma emissão de rádio com o título “Espaço”. Organizou, logo desde Dezembro de 1961, o “Natal do Soldado”, espectáculos para os soldados, esteve presente nos cais de embarque a prestar apoio às tropas e fez deslocar com frequência, as suas dirigentes em visita, aos militares em combate. Desenvolveu um serviço de madrinhas de guerra, que em 1965 contava já com 24 000 inscrições. O MNF, para além destas actividades, mantinha um serviço bem organizado de distribuição de diversas lembranças aos militares expedicionários. Cerca de um mês e meio após a formação do MNF, começaram as iniciativas desta instituição para a concessão de isenção de franquia postal, para os militares expedicionários e suas famílias, o que veio a ser concretizado com a publicação da Portaria 18 545, de 23 de Junho de 1961 assinada pelo Ministro das Comunicações e do Ultramar. Estabelecia a referida portaria, que ficavam isentos temporariamente do pagamento de porte e sobretaxa aérea, as cartas e bilhetes postais com correspondência de índole familiar, que fossem expedidos para qualquer ponto do território português, pelo pessoal dos três ramos das forças armadas ou das corporações militarizadas destacadas nas Províncias Ultramarinas, bem como, os expedidos do continente e ilhas adjacentes para aquele pessoal, pelos seus familiares e madrinhas de guerra. O MNF, deu assim corpo a uma das suas mais importantes e conhecidas iniciativas, a emissão dos aerogramas militares. Com o acordo entre a Administração Geral dos Correios, Telégrafos e Telefones (CTT), Correios, Telégrafos e Telefones do Ultramar (CTTU) e o Secretariado Geral da Defesa Nacional, foi por este distribuída a circular número 1956 / B, de 4 de Agosto de 1961, que regulamentava o uso dos aerogramas. Seriam impressos carta, constituídos por uma folha de papel, com o peso máximo de 3 gramas, dobrável em duas ou quatro partes, de modo que as dimensões resultantes da dobragem dos aerogramas não excedessem os limites máximos de 150 x 105 mm e mínimo de 100 x 70 mm. Na frente, reservada às indicações do destinatário, seriam impressas as seguintes inscrições: - no ângulo superior direito do aerograma inscrição “CORREIO AÉREO / ISENTO DE PORTE E DE / SOBRETAXA AÉREA / Portaria nº. 18 545 de 23-6-61” - em baixo, “É PROIBIDO INCLUIR QUALQUER OBJECTO OU DOCUMENTO O DEPÓSITO NO CORREIO É FEITO EM QUALQUER ESTAÇÃO DOS CTT ”. No verso, seriam impressas indicações referentes ao remetente. Neste espaço era obrigatório indicar, a seguir ao nome do militar, o seu posto e número. |
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Fig. 1 |
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Portugal. 1961 - Agosto Aerograma impresso na Tipografia Labor, em Lisboa. Encomenda efectuada a 25-7-1961, e entregue entre 2 e 8 de Agosto do mesmo ano. Papel azul de 50 g/m2, fornecido pela Fábrica da Abelheira-Tojal. Filigrana em letras abertas, em duas linhas: GRAHAMS BOND / REGISTERED 147 x 42 mm. Dimensões do aerograma 280 x 172 a 174,5 mm. Peso 2,5 a 3,0 gr. Impressão a preto. Linhas da direcção e de dobragem formadas por tracejado fino. Sem indicação do nome da tipografia e sem data. Apresenta um erro de ortografia em que a palavra PROÍBIDO foi escrita com acento agudo no primeiro I. |
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