INTRODUÇÃO

   
   

Exª Senhora

Drª Teresa Vieira e demais Familiares do Engº Armando Viera

Minhas Senhoras e Meus Senhores:

 

 

Quero em primeiro lugar, expressar quanto me sinto honrado por me ser dado usar da palavra nesta mais que centenária e respeitável Associação de Cultura, Instrução e Recreio, a qual segundo me foi dado saber, através do catálogo da Exposição “ATENEU 94”, não está confinada às paredes da sua sede, pois a sua acção sócio-cultural extravasa largamente a Cidade Invicta, daí que seja Instituição de Utilidade Pública, Comenda da Ordem de Instrução e Benemerência, Oficial da Ordem Militar de Cristo, Membro Honorário da Ordem do Infante D. Henrique e Medalhas de Ouro e Honra e Mérito da Cidade.

Em segundo lugar, além desse sentimento de honra quero expressar também o prazer que tenho em estar nesta Catedral de Cultura, cujas paredes físicas albergam um recheio de 80.000 volumes, que incluem importantes Camiliana e Camoneana, bem como primeiras edições de "Os Lusíadas", dos "Diálogos" de Amador Arrais e de muitas das obras de Antero, Garrett, Oliveira Martins ou Aquilino, a que há que juntar correspondência de Camilo, Ramalho Ortigão, Luciano Cordeiro e Leonardo Coimbra, páginas escritas pela própria mão de Fernão Lopes, bem como quadros de Malhoa, Pousão, Alvarez e  tantos outros, esculturas, cerâmicas de Bordalo, faianças e um incontável número de peças de colecção, que ilustram a actividade do Ateneu ao longo dos seus 136 anos de existência, cumprindo o que a sua Divisa lhe tem sugerido: "Inter folia fructus".

Em terceiro lugar e como é sabido ou talvez não, embora Físico teórico de formação, de professor tenho a profissão. Mas hoje não estou aqui para ensinar rigorosamente nada a ninguém. Estou apenas com a Missão de apresentar o meu trabalho de casa, falando convosco da “Retrospectiva da Obra de Armando Vieira”. Foi uma incumbência que assumi de bom grado, a convite do Núcleo Filatélico do Ateneu Comercial do Porto, que em boa hora convidou a ANJEF, de que sou Presidente e de quem Armando Vieira era associado, a envolver-se em parceria com o Núcleo numa primeira e merecida Homenagem Pública a Armando Vieira. E a ANJEF envolveu-se institucionalmente de corpo inteiro, como já o fizera pela pena dos seus associados Steve Washbourn, Miranda da Mota e de mim próprio, em número anterior da Convenção Filatélica.

Decerto que os que aqui estão, têm diferentes concepções do mundo e da vida, como diferentes terão porventura, os interesses, as motivações e o envolvimento filatélico. Porém, apesar da diversidade na pluralidade, estou certo, que temos neste momento um denominador comum, o de estarmos em comunhão de sentimentos de elevação em relação a Armando Vieira.

Dele procurarei falar com a humildade do aprendiz, não como fruto de um convívio com ele, mas através do reflexo e eco da sua obra. E digo isto, porque apenas tive oportunidade de o conhecer nos anos 80 e tais, num dos primeiros leilões do Ateneu a que vim. Posso dizer que o nosso convívio foi praticamente inexistente, limitando-se a um contacto esporádico em alguns leilões e a troca de correspondência também esporádica, quase sempre por iniciativa minha, ou solicitando peritagem de peças – o que aconteceu duas vezes – ou tendo em vista leilões do Ateneu. Mas uma vez houve em que a troca de correspondência foi por sua iniciativa, a felicitar-me pela publicação no extinto Correio do Alentejo, de um artigo sobre a Greve dos Correios em Estremoz. E esse facto, vindo de uma pessoa com a sua craveira intelectual, o único que com Luís Eugénio Ferreira, escreveu sobre este período conturbado da nossa História Postal, ultrapassando as generalidades e o óbvio, encheu-me de júbilo e estimulou-me.

Armando Vieira deu-me além disso, testemunho da sua consideração, como eu estou hoje aqui a procurar dar o testemunho da minha grande admiração pelo Homem e pela Obra. 

Armando Mário de Oliveira Vieira nasceu no Porto, a 4 de Agosto de 1934, e desde muito cedo se dedicou à filatelia. Ao completar 21 anos, o pai, também filatelista, ofereceu-lhe uma colecção completa de Portugal.

Cedo começou a dedicar-se ao estudo, à pesquisa e à investigação filatélicas.  Os seus grandes interesses eram os selos clássicos portugueses e a História Postal.

Expôs em competição uma única vez, na Exposição Filatélica Distrital “PORTO 68”, com a participação “Portugal – Selecção especializada de selos de relevo (1853-1884)”, com 5 quadros, onde obteve o Grande Prémio da Exposição e Medalha de Prata da Federação Portuguesa de Filatelia.

Como dirigente filatélico é de salientar o desempenho do cargo de Vice-Presidente da Direcção da Federação Portuguesa de Filatelia de 1984 a 1986.

A sua actividade filatélica foi diversificada: escritor filatélico, perito filatélico de projecção internacional, conceituado jurado de filatelia tradicional, membro de Comissões Técnicas de Catálogos Portugueses, principal dinamizador dos leilões do Núcleo Filatélico do Ateneu Comercial do Porto e Director da revista FN.

É objectivo da presente palestra falar da “Retrospectiva da Obra de Armando Vieira”, o que não é tarefa fácil, já que a bibliografia de Armando Vieira é vasta, sendo só os artigos em número de quase centena e meia.  Optámos assim por falar das obras que publicou como corolário natural do estudo, pesquisa e investigação filatélicas que desde sempre desenvolveu. Livros que se tornaram marcos de referência e que por isso mereceram distinções a nível internacional, as quais referiremos, assim como alguns apontamentos dos nossos cronistas filatélicos sobre a sua Obra.

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