SELOS CERES DE PORTUGAL

   
   

Em 1985, numa edição do NFACP e em co-autoria com Domingos Portugal, Armando Vieira dá à estampa os “Selos Ceres de Portugal”.

Na introdução, os Autores consideram que apesar de já ter corrido muita tinta sobre os Ceres, quer em artigos de revistas, quer em separatas ou até livros, esses elementos estão muito dispersos e, na sua maioria, há longos anos fora do mercado. Outros não são suficientemente profundos nem claramente ilustrados, ou estão mesmo desactualizados. E consciente destas realidades, procuraram dar mais um contributo para o desenvolvimento da Filatelia Nacional, com o lançamento desta obra, não pretendendo com ela esgotar o assunto, mas antes manter bem vivo o interesse e o estudo destes selos, que continua e continuará a fazer-se. Segundo eles, as fichas surgem como complemento ao “Catálogo Especializado do NFACP” e iriam ser acrescentadas à medida que surgirem outras variedades, pelo que apelam à contribuição dos filatelistas para o enriquecimento deste trabalho.

Esta obra, visou assim fornecer os elementos de consulta indispensáveis a quem quisesse aprofundar o estudo dos selos “Ceres”, que foi o único selo a circular desde a primeira emissão em Fevereiro de 1912, até ter sido retirado da circulação em 30 de Setembro de 1945, ainda que duma forma não ininterrupta, uma vez que houve um interregno entre 31 de Agosto de 1931 e 4 de Janeiro de 1934.

Por isso e como é sabido, o selo Ceres é rico em cambiantes pelas múltiplas emissões e tiragens, mudança de taxas e cores como resultado da inflação, bem como variados tipos de papéis e denteados, assim como má qualidade de impressão, fruto de convulsões internas. Além disso e também pela sua vulgaridade, e pelo seu baixo custo médio, o selo Ceres constitui para qualquer filatelista iniciado, uma indispensável escola de aprendizagem, onde irá buscar traquejo filatélico.

Fácil é perceber, pois, o interesse de que se revestiu a obra, de 56 páginas impressas a preto e branco, com um Quadro resumo das variedades, logo a abrir e onde se informa que todas as variedades listadas nas 52 fichas que integram a obra são repetitivas, isto é, foram detectadas mais do que uma vez.

Da obra, disse Alves Coelho, no Boletim do Clube Filatélico de Portugal, nº 338, de Outubro de 1986: “Por mais que se escreva sobre os selos “Ceres", nunca se dirá tudo, tão longo foi o período durante o qual circularam e tantas variedades apareceram. A aumentar o interesse pêlos "Ceres", os inúmeros defeitos detectados e os seus preços de custo relativamente baixos, o que levou um nosso Amigo a considerá-los os “selos clássicos do povo".

Assim, o Núcleo Filatélica do Ateneu Comercial do Porto, sob a orientação de dois distintos filatelístas, Armando Mário O. Vieira e Domingos Portugal, editou, um e muito bem, curiosíssimo catálogo exclusivamente dedicado aos seios Ceres que circularam desde 1912 até 1930.”

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