SUBSÍDIOS PARA A HISTÓRIA DO CORREIO MARÍTIMO PORTUGUÊS

   
   

Em 1988 surgem os "Subsídios para a História do Correio Marítimo Português", editados pelo Núcleo Filatélico do Ateneu Comercial do Porto e também da autoria de Armando Vieira.

Trata-se dum livro de 301 páginas, profusamente ilustrado. No Prefácio, começa por dizer o Autor: “Um país com antiquíssimas tradições marítimas como o nosso, com parcelas de território, que teve, espalhadas por todos os cantos do mundo, pioneiro que foi das descobertas de novas terras, teima modernamente em não querer descobrir o seu próprio Correio Marítimo.” E adiante justifica o porquê do livro: “Por isso nos abalançamos a publicar os presentes “Subsídios”, juntando a uma série de pequenos artigos, dispersos por diversas revistas, dois novos trabalhos de âmbito mais profundo, relacionados com a nossa navegação costeira e com os portes das correspondências para o Brasil.”

Na parte respeitante a “O Correio pêlos Vapores Costeiros em Portugal”, o Autor começa por abordar as vias de comunicação terrestre. Os transportes terrestres. Meios de transporte terrestre utilizados pelos Correios. A navegação costeira como alternativa aos transportes terrestres. Época da navegação à vela. O advento dos barcos a vapor. O caminho de ferro.

Trata de seguida das Carreiras de barcos a vapor (Lisboa-Porto, Lisboa – Algarve,  Viagens ocasionais de outros vapores e Quadros resumo dos movimentos dos vapores de carreira), dos períodos de guerra (Invasões Francesas, Lutas Liberais e Guerra da Patuleia), bem como da identificação das correspondências transportadas por barco (As inscrições particulares e As marcas do Correio).

No que se refere a “Os Portes das Cartas Marítimas entre Portugal e o Brasil”, diz o Autor na Introdução: “Limitaremos o seu estudo à época que vai desde a criação dos Paquetes Correios Marítimos Portugueses, em 1798, até ao ingresso do Brasil na União Geral dos Correios, ocorrida em 1877.”.

Devido à vastidão da matéria, o Autor teve necessidade de limitar as suas considerações. Assim, quanto aos portes, trata apenas dos que eram fixados em Portugal pelo transporte marítimo das correspondências, deixando de lado os homólogos brasileiros, assim como os territoriais em qualquer dos países. Quanto às classes de correspondência, considera somente as cartas. E, quanto a trajectos, ocupa-se unicamente dos directos, embora os barcos escalassem vários portos intermédios na sua rota entre Portugal e o Brasil. De resto, define as classes dos navios sob o ponto de vista postal, o que é fundamental a uma correcta interpretação das tabelas de portes. Por fim trata de algumas marcas postais relacionadas com as carreiras do Brasil e respectivos portes.

A propósito da obra, diz Jorge Fernandes, na Revista Selos e Moedas, nº91, de Dezembro 1988:“O que nos vale é o núcleo Filatélico do Ateneu Comercial do Porto para dar vida a esta rubrica da nossa Revista. Assim aconteceu no anterior número de "Selos & Moedas" e volta a acontecer agora! E ainda bem...”

Da obra, disse Alves Coelho, no Boletim do Clube Filatélico de Portugal, nº 354, de Fevereiro de 1990: “O Núcleo Filatélico do Ateneu Comercial do Porto, incansável na edição de livros de utilidade para os coleccionadores, publicou o valioso estudo do Eng. Armando Vieira. Trabalho exaustivo, bem documentado, responde a perguntas que os mais avançados possam ter e vem abrir apetites àqueles que queiram começar ou desenvolver colecções.

O tema, Correio Marítimo Português, encerra história que se perde na bruma dos tempos. Alguns arquivos cheios de poeira aguardam sacudidela, para a qual são necessárias a competência e fidelidade na Interpretação e dedicação que não dispensa sacrifício.”

"Trabalho muito útil e bem apresentado, sobre aspectos menos conhecidos da História Postal Portuguesa", conforme foi considerado pelo Júri da Exposição Internacional de Nova York de 1992, que atribuiu ao Núcleo, pela sua edição, Medalha de Vermeil.

Pelo livro “Subsídios para a História do Correio Marítimo Português”, Armando Vieira recebeu também em 1989, o prémio “Godofredo Ferreira”, da Federação Portuguesa de Filatelia.

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