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TRÊS ESTRELAS DOS INTEIROS POSTAIS PORTUGUESES David
Cohen In
Boletim nº 2 da LUBRAPEX 92 |
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1
— Introdução Destacar
três estrelas entre os inteiros postais portugueses não é fácil,
pois existem numerosas estrelas e para fazer a escolha há que
estabelecer um critério, que no entanto não deixará de ser
subjectivo. No
meu critério devem ser peças intrinsecamente raras que tenham um
interesse complementar devido às suas características ou utilização. Procurando diversificar elegi, com base neste critério, uma estrela em cada uma das três principais categorias dos inteiros postais portugueses: um bilhete postal, um cartão-postal e um sobrescrito. E, intencionalmente, escolhi um sobrescrito particular pois, ao contrário do que acontece em vários países, os inteiros particulares portugueses são raros e apreciados. |
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2
— Bilhete Postal de D. Luís, Fita Direita, 25 réis — 1° Dia de
Circulação Os
primeiros inteiros postais portugueses a serem criados foram os bilhetes
postais. Em 1 de Janeiro de 1878 entraram em circulação os bilhetes
postais de 15 réis destinados à correspondência no continente, ilhas
adjacentes e para Espanha e de 25 réis destinados a serem dirigidos aos
Países da União Geral dos Correios (excepto Espanha) e às Províncias
Ultramarinas Portuguesas. A
importância do bilhete postal de 25 réis que apresento (figura 1} provém
de ter sido utilizado no 1° dia de circulação. Foi enviado de Coimbra
para Paris via Lisboa (carimbo de 2 de Janeiro, no verso) e St. Jean de
Luz (carimbo de 6 de Janeiro). É
curioso verificar que o remetente tinha conhecimento da criação dos
bilhetes postais, pois no próprio dia em que entraram em circulação
escreve. “Aproveitando a inovação dos
bilhetes postais no meu país, aproveito para lhe desejar um ano muito
feliz nos seus negócios....". Este bilhete postal é o único conhecido até hoje do 1° dia de circulação, conhecendo-se também um do 2° dia. |
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| Fig.1 | ||
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3
— Cartâo-Postal de D. Luís
50 réis, Denteado 12 1/2 Os
cartões-postais, que por decreto de 9 de Agosto de 1909 passaram a
chamar--se “bilhetes-cartas", foram criados pela portaria de 28
de Outubro de 1886, que justificava “Convindo facultar ao uso público
mais um meio commodo de correspondência, tanto para as relações
d'esta ordem no interior do paíz, como para o serviço
internacional...” e determinava “a
emissão de cartões-postais desde o dia 1° de Abril de 1887 da taxa de
25 réis para o reino, ilhas adjacentes e Hespanha, e 50 réis para os
países que pertencem à União Postal Universal, com excepção da
Hespanha". Os
dois cartões-postais foram emitidos com o denteado 11 3/4. Cunha Lamas
e Oliveira Marques referem a variedade de 25 réis com o denteado 12
1/2, que é rara, mas muito mais rara e não citada por nenhum autor é
a variedade do 50 réis neste denteado, O cartão-postal de 50 réis denteado 12 ½ que apresento (figura 2) tem ainda o interesse de ter sido enviado para Moscovo, destino pouco vulgar naquela época, via Paris (carimbo da ambulância Paris a Erquelines. |
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Fig.2 |
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4
— Sobrescrito Particular Ceres 5 Centavos Os
inteiros postais designados por “particulares" são inteiros que
não foram emitidos pelos Correios; foram feitos por indivíduos ou
empresas que obtiveram autorização
para que neles fosse impresso na Casa da Moeda o selo de franquia. Não
existindo nenhum diploma oficial autorizando a impressão de selos em
exemplares particulares, cada pretendente tinha que requerer a
respectiva autorização, que quando concedida estipulava a importância
a pagar, a qual correspondia ao valor do selo acrescido em geral do
custo da sua impressão na Casa da Moeda. O
sobrescrito que escolhi (figura 3) foi selado a pedido da firma João de
Britto, Lda., de Lisboa, para seu uso particular. |
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A
tiragem foi de 500 sobrescritos, selados em 18.7.1919 com o selo do tipo
Ceres, 5 centavos azul, valor do porte então em vigor para as cartas
dirigidas ao estrangeiro. A
tiragem muitíssimo pequena faz antever tratar-se duma raridade. Na
realidade é o único exemplar que até hoje se conhece. Duas características fazem também sobressair este inteiro: é o único sobrescrito particular ou oficial do tipo “de janela” e o único inteiro postal particular tendo impresso um selo de valor correspondente a um porte para o estrangeiro. |
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David
Cohen |
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