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Hernâni Matos |
Inteiros Postais de Portugal |
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COLECÇÃO ESPECIALIZADA DE POSTAIS MÁXIMOS PORTUGUESES (1894-1953) |
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O
meu amigo José Manuel Ribeiro Marques, animador da Associação Poveira
de Coleccionismo e militar aposentado, pregou-me um tiro. De facto,
encomendou-me um artigo por medida. Isso mesmo, por medida – duas páginas
A5 de Maximafilia, descontando alguma ilustração. Pim! Para sair no
catálogo das Comemorações Nacionais do Dia do Selo de 2003, este ano
a decorrer na Póvoa de Varzim. Pim! Pim! Pim! De
resto, já me tinha arregimentado para participar com a minha colecção
de Maximafilia, pois claro, que outra coisa havia de ser, se a Inteiros
Postais já tinha sido convidado o Presidente da Federação Portuguesa
de Filatelia, excelente pessoa, mas pouco dado a coisas de Maximafilia,
pelo que se eu sou pródigo em bocas maximófilas, teria também que ser
carne para canhão, isto é: participar com a minha colecção de
Maximafilia, pois claro! Assim mesmo, à queima-roupa, com uma
espingarda de canos serrados, pois em tempo de crise não há tempo para
golpes de florete. Ainda
sob o impacto do chumbo quente, resolvi escrever sobre a minha colecção,
utilizando como ingredientes o estudo efectuado em torno da mesma, a que
juntei naturalmente alguns temperos e aromas. E disse ingredientes, pois
como professor e homem de escrita, que sou eu, senão um cozinheiro de
palavras? Como
o título deste artigo indica, a minha participação de Maximafilia
visa o estudo das emissões 1894-1953 e de acordo com as “Directrizes
para a Avaliação das Participações de Maximafilia em Exposições
F.I.P.” (§3.4.b.)), é uma “colecção especializada e de
estudo”, uma vez que procede ao estudo dos três elementos
constitutivos dos postais máximos, bem como das respectivas concordâncias,
num período determinado – o período 1894-1953, que medeia entre o
aparecimento dos primeiros postais máximos portugueses e o 1º Centenário
do Selo Postal Português. Uma
tal participação é sobretudo constituída por postais máximos
realizados pelo Engenheiro António dos Santos Furtado (1897-1991),
pioneiro da Maximafilia a nível mundial, mas inclui também percursores
dos postais máximos. É o
que se passa com os postais máximos circulados do período 1894-1912,
anteriores à Convenção Postal Universal subscrita no Cairo a 24 de
Março de 1934 e que no seu artº 113-§3, interdita a circulação de
bilhetes postais simples, com o selo do lado da vista. A metodologia
seguida no estudo desenvolvido, foi a seguinte: Em relação aos selos, identifiquei o
motivo, a taxa e o serviço a que se destinavam (no caso de postais máximos
não circulados) e o porte (no caso de postais máximos circulados).
Identifiquei ainda a data de entrada e retirada da circulação, nem
sempre iguais para todos os selos duma mesma emissão. Naturalmente que
a maioria dos selos estudados, eventualmente sobrecarregados ou
sobretaxados, são selos postais. Mas debrucei-me também sobre realizações
maximófilas com selos de imposto postal e respectivo porteado. É o
caso dos selos da emissão ”Marquês de Pombal” (1925), que pelo
decreto-lei nº 23440 de 4 de Janeiro de 1934, circularam a partir desta
data como selos de franquia ordinária, o que aconteceu até 30 de
Setembro de 1945, porque a Portaria nº 11036 de 24 de Julho desse mesmo
ano, os retirou da circulação. Igualmente me debrucei sobre realizações
maximófilas com selos de Porte Franco – caso das emissões 1927-1936
do 4º Centenário do Nascimento
de Luís de Camões c/sobrecarga “Cruz Vermelha”. Em relação às obliterações, identifiquei obliterações especiais (comemorativas e de 1º dia), obliterações ordinárias e flâmulas. Nas obliterações comemorativas identifiquei o evento comemorado, ao passo que nas obliterações de 1º dia identifiquei o assunto da emissão. Nas flâmulas e para o período estudado só me surgiu uma flâmula, o que merece aqui registo (vidé: Matos, Hernâni. “Flâmulas: obliterações mecânicas a utilizar em Maximafilia” in Revista Cimax, Ano I, nº2, Abrantes, Dezembro de 1987). Quanto às obliterações ordinárias reconheci 10 tipos, identificados por números e cuja sucessão temporal terá sido a seguinte:
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O cruzamento da informação da data da obliteração com o período de
circulação de cada selo, permitiu-me inferir imediatamente a concordância
de tempo e sempre que foi possível, justifiquei porque foi
utilizada uma data e não outra. Por outro lado, no caso dos postais máximos não circulados, a
justificação da localidade escolhida para a obliteração, permitiu
fundamentar a concordância de lugar. No caso dos postais
máximos circulados das primeiras emissões, anteriores à 1ª Grande
Guerra (1914-1918), a concordância de lugar deve ser vista por um
prisma diferente. Na verdade, estes postais máximos foram acidentais e
não estava em vigor qualquer regra de concordância de lugar. Ora, como
numa Sociedade de Direito é facto assente que a lei não pode ter carácter
retroactivo, é legítimo aceitá-los com diferentes obliterações. Em relação aos postais,
identifiquei sempre que possível o editor, o número e local da emissão,
bem como o motivo do postal que estabelece a concordância de motivo
com o motivo do selo. Em relação às realizações maximófilas, classifiquei-as por períodos, de acordo com o seguinte critério:
Apesar de ter sido identificado o período de cada realização maximófila,
a apresentação da participação não foi sistematizada por períodos,
mas sim por ordem cronológica de emissões, como é usual em relação
aos selos, o que tem a vantagem de permitir dar uma visão de conjunto. Este é, em suma, o estudo desenvolvido na minha participação de
Maximafilia, o qual vou ilustrar com uma peça que tem a ver com o dia 1º
de Dezembro, actualmente dia do Selo, que é outra forma de dizer, dia
de convívio, unidade e festa entre filatelistas integrados na estrutura
organizativa da Federação Portuguesa de Filatelia. Mas o dia 1º de
Dezembro é também, e sobretudo, a evocação da Restauração de
Portugal, efectuada em 1640. Daí que a ilustração, que eu vou
legendar tal como aparece nas folhas da minha participação, tenha a
ver com esta patriótica efeméride, para o que me servirei da seguinte
emissão de selos postais:
1940
- 8º Centenário da Fundação e 3º Centenário da Restauração de
Portugal
Restauração
da Independência SELO:
da taxa de 15 c, utilizada nos impressos internos. Circulação:
1.12.1940 à
30.9.1945. Desenho de Henrique Franco e gravura de Renato de Sousa Araújo,
baseados em fotografia da estátua equestre de D. João IV, da autoria
de Francisco Franco. OBLITERAÇÃO:
ordinária de 1.12.1940 (primeiro dia de circulação do selo e dia do 3º
Centenário da Restauração de Portugal), do tipo I, de S. JOSÉ
(LISBOA), cidade onde o 8º Duque de Bragança, na sequência do triunfo
do movimento restauracionista do 1º de Dezembro de 1640, foi aclamado
como D. João IV, no Terreiro do Paço, no dia 15 de Dezembro de 1640. POSTAL:
edição privada, não identificada, segundo gravura antiga de Baltazar
Moncornit, Paris, representando D. João IV a cavalo. POSTAL
MÁXIMO: realização maximófila do 4º período. |
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Hernâni Matos |