Hernâni Matos

Inteiros Postais de Portugal

DISCURSO DO REPRESENTANTE DA FEDERAÇÃO PORTUGUESA DE FILATELIA

 NAS COMEMORAÇÕES NACIONAIS DO DIA DO SELO 2003

 (PÓVOA DE VARZIM)

Excelentíssimo Senhor Representante do Governador Civil do Porto

Excelentíssimo Senhor Vereador do Pelouro da Cultura da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim

Excelentíssimo Senhor Director de Filatelia dos Correios de Portugal

Excelentíssimas Entidades

Amigos e Filatelistas

Minhas Senhoras e Meus Senhores:

 

  

Em primeiro lugar, compete-me dizer que estou aqui em representação do Presidente da Federação Portuguesa de Filatelia e da Federação Europeia de Sociedades Filatélicas, Senhor Pedro Vaz Pereira, que contra-vontade sua e por motivos de saúde não pôde estar presente. E essa representação cria-me além da responsabilidade que lhe é inerente, aquela que advém, também, do facto de nascido e criado em Estremoz, ter encontrado na Póvoa de Varzim, a minha segunda cidade, onde tenho casa e onde reside a família da minha mulher, que é também a minha família, pelo que me sinto há muito como um filho adoptivo da Póvoa de Varzim. 

Em segundo lugar, quero saudar todos quantos aqui estão, neste belo Salão Nobre da Câmara Municipal da  Póvoa de Varzim, cidade de Cultura, cravejada à beira atlântica do Douro Litoral.

Em terceiro lugar, em nome da Federação portuguesa de Filatelia, quero agradecer à Câmara Municipal da Póvoa de Varzim, cuja dinâmica social e cultural é por todos sobejamente reconhecida, a hospitalidade que é apanágio de todos os poveiros e que permitiu a nossa presença aqui, no Salão Nobre da Câmara, uma das mais belas salas de visita desta cidade, cuja origem remonta ao período romano-lusitano.

Minhas Senhoras e Meus Senhores:

Estamos aqui para comemorar o Dia do Selo de 2003, dia de convívio, unidade e festa entre filatelistas. É caso para perguntar: - Porquê aqui? É que na Póvoa de Varzim existe há muito apetência pela Filatelia e pelo coleccionismo. Daí que liderada pelo senhor José Manuel Ribeiro Marques, tenha sido criada e institucionalizada, A APC – Associação Poveira de Coleccionismo, associação cultural vocacionada para o coleccionismo, entre ele o filatélico, a qual tem desenvolvido um trabalho notável em cerca de 13 anos de actividade continuada, persistente e descentralizada, no espaço e no tempo poveiro. E tem sido um trabalho de divulgação, junto da população, mas também pedagógico, junto das escolas, ou não fosse a Filatelia uma actividade lúdica com múltiplas virtualidades pedagógicas. Pondo de pé cerca de 4 mostras por ano, a APC, à qual me orgulho de pertencer, conta também no seu já invejável currículo, com a realização da  INTEIROMAX - EÇA DE QUEIROZ 2000, Exposição Filatélica Luso-Espanhola de Inteiros Postais e Maximafilia, que decorreu na Póvoa de Varzim, de 16 a 19 de Agosto de 2000 e a cuja Comissão organizadora tive a honra de presidir.

A APC, de resto viabilizou a realização na Póvoa de Varzim, em 2002 do Congresso da Federação Portuguesa de Filatelia, o qual teve lugar aqui na Praça do Almada, nas instalações da Associação Comercial.

Na Póvoa de Varzim se situa também a redacção da Convenção Filatélica, órgão da ANJEF - Associação Nacional de Jornalistas e Escritores Filatélicos, a que os meus pares me deram a honra de presidir. A Convenção Filatélica tem como director o Engº Miranda da Mota, natural de Esposende, mas aqui residente há muito. Com mão e alma de mestre tem feito sair uma revista que é hoje um paradigma de qualidade, não só estética e gráfica, mas de conteúdos, por acolher nas suas páginas os escritos da nata dos escritores e jornalistas filatélicos portugueses, que ali perpetuam os seus estudos, as suas investigações e os seus relatos. Nunca o jornalismo filatélico atingiu um nível tão elevado entre nós, como aquele que se espelha nas páginas da Convenção Filatélica. E esse nível é de tal modo elevado, que a revista, de circulação internacional, causa espanto aos filatelistas doutros países, como os Estados Unidos da América, onde não percebem como é que os Homens da ANJEF conseguem editar uma revista com a qualidade que lhe é reconhecida e que passou a ser a sua imagem de marca. A ANJEF, de resto promoveu um Salão de Literatura Filatélica, em Março passado na Biblioteca Municipal Rocha Peixoto, onde eu próprio tive oportunidade de proferir um palestra sobre literatura filatélica.

Tanto a APC com a  ANJEF desenvolvem um trabalho que é revelador das potencialidades da Filatelia como eficaz agente ao serviço da Cultura, do Turismo e da Ocupação dos Tempos Livres. Trabalho que como é sabido, para ser possível, conta com o apoio de entidades como as Câmara Municipais, a Federação Portuguesa de Filatelia e a Direcção de Filatelia dos Correios de Portugal.

O trabalho aqui desenvolvido de uma forma desinteressada, por estas associações projecta-se muito para além desta cidade e é reconhecido pela Federação Portuguesa de Filatelia, que se congratula com as consequências desse trabalho no fomento e divulgação da Filatelia. Essa a razão de estarmos aqui hoje, na bela cidade da Póvoa de Varzim, para lhe testemunharmos o quanto reconhecemos o vigor e a qualidade do seu trabalho e dizermo-lhes que podem contar com o apoio da  Federação, como a Federação conta com elas.

Disse há pouco que estamos aqui para comemorar o Dia do Selo de 2003, o qual tem para nós um significado muito especial. Corresponde ao Encerramento das Comemorações dos 150 anos do Selo Postal português, criado há 150 anos.

A necessidade de reformar os Serviços Postais de Portugal, esteve na origem da Reforma Postal de 1852, que teve como consequência a entrada em circulação no dia 1 de Julho de 1853, dos primeiros selos de D. Maria II, surgidos do buril admirável de Borja Freire.

Com os selos surgiu entre nós aquilo que mais tarde se convencionou chamar de “filatelistas” ou cultores da “Filatelia”, na sequência da adopção nada pacífica do termo proposto em 1864, pelo francês Herpin, para designar os “amigos da franquia”. 

Com o coleccionismo filatélico surge o comércio filatélico e os coleccionadores sentem a necessidade de se agrupar primeiro em Clubes e depois em Federações. Surgem também as primeiras publicações periódicas, primeiramente órgãos de comerciantes e depois também de clubes filatélicos. Nestas publicações surgem artigos de estudo sobre as emissões, os quais pela sua dimensão e importância dão por vezes origem a publicações filatélicas que se autonomizam sob a forma de livros. De resto, muito cedo surgiu a necessidade de publicar catálogos de selos que inventariassem emissões, variedades e erros, os quais iam surgindo no processo de fabrico, o que para os filatelistas tinha o aliciante de não estar normalizado como hoje. Por outro lado, com a realização de exposições filatélicas, passou a ser editado um novo tipo de publicações a que se convencionou chamar catálogos de exposições. Igualmente as necessidades do próprio mercado filatélico levaram à criação de catálogos de leilões.

Estão certamente Vossas Excelências a ver algumas das repercussões, neste caso filatélicas, que teve a criação e as entrada em circulação há 150 anos, dos primeiros selos postais portugueses. Daí que este ano de 2003 seja uma data histórica, assinalada pelos Correios, pela emissão de selos e de carimbos comemorativos, da edição de publicações e da realização de mostras filatélicas um pouco por toda a parte. Mas sem dúvida, que o ponto alto dessas comemorações foi a realização em Lisboa, no Centro Cultural de Belém, de 19 a 28 de Setembro passado, da LUBRAPEX  2003, XVIII Exposição Filatélica Luso-Brasileira, que mais uma vez levou à confraternização de filatelistas portugueses e espanhóis, desta vez com as participação de filatelistas espanhóis. Desta vez foi uma jornada grandiosa, graças ao patrocínio da Autoridade Nacional de Comunicações, dos Correios de Portugal, da Fundação Portuguesa das Comunicações, da Federação Europeia de Filatelias, da Federação Portuguesa de Filatelia e da Associação de Comerciantes Filatélicos. Paralelamente decorreu também  a FEPAPEX 2003 , Salão de Filatelia Europeia, organizado pela FEPA e no qual estiveram patentes ao público as primeiras emissões de muitos países da Europa. Simultaneamente decorreu também no Centro Cultural de Belém uma retrospectiva de 150 anos de Literatura Filatélica Portuguesa, organizada pela ANJEF. Em Setembro passado decorreu sem sombra de dúvida o ponto alto das Comemorações dos 150 anos do Selo Postal português. Essas comemorações encerram-se agora com as Comemorações do Dia do Selo 2003, que e este ano têm por palco, a sempre bela e hospitaleira cidade da Póvoa de Varzim.

Para o ano que vem as comemorações do Dia do Selo decorrerão em Lisboa, pois comemorar-se-ão simultaneamente os 50 anos da Federação Portuguesa de Filatelia, fundada por um grupo de pioneiros, no já distante dia 18 de Junho de 1854. E essa comemoração assumirá a forma exposicional de uma Philaibéria, exposição bilateral Luso-Espanhola aberta também à participação dos nossos irmãos brasileiros. Para a mesma está há muito as ser preparado um cuidadoso programa, que incluirá a emissão pelos Correios de um selo e de um bloco filatélico, para além dos habituais carimbos comemorativos.

A Federação Portuguesa de Filatelia, é o parceiro privilegiado dos Correios, pois pelo Estatuto Postal, são atribuições dos Correios patrocinar iniciativas tendentes a desenvolver o gosto e a cultura filatélicos e participar em reuniões, congressos e exposições de natureza filatélica. Além disso, sempre que entendam necessário, os CTT consultam a Federação Portuguesa de Filatelia sobre os aspectos específicos do coleccionismo filatélico, a fim de obterem parecer sobre esta matéria.

A Federação Portuguesa de Filatelia, tem outro parceiro com quem costuma trabalhar que é a ACOFIL- Associação dos Comerciantes Filatélicos de Portugal, pois o selo que hoje aqui estamos a comemorar e que é mandado fabricar pela nossa Administração Postal para cobrar um serviço prestado e que é coleccionado pelos Filatelistas, organizados em clubes que a Federação congrega, é objecto de comércio filatélico por parte de comerciantes filiados na ACOFIL.

A Federação Portuguesa de Filatelia, como é sabido, tem por finalidade promover o estudo, o progresso, a competição e a divulgação da Filatelia em todo o território português e contribuir para a promoção e prestígio da Filatelia Portuguesa no estrangeiro. Por outro lado, no intuito de promover o desenvolvimento da Literatura Filatélica Portuguesa e de incentivar a produção literária, por parte de escritores, publicistas e jornalistas filatélicos portugueses – ou estrangeiros que se dediquem à  Filatelia Portuguesa, a Federação atribui anualmente Prémios de Mérito Filatélico-Literário, a atribuir, mediante concurso, a obras e publicações de natureza filatélica. A distribuição dos prémios relativos a 2002, conforme consta do programa das Comemorações Nacionais do Dia do Selo 2003, terá lugar no final do almoço comemorativo do Dia do Selo, almoço que se seguirá à inauguração do Salão de Filatelia no Posto de Turismo.

Pelo cuidado, com que foram preparadas pela APC, estamos em querer que as Comemorações do Dia do Selo 2003, ficarão assinalar de uma forma bastante positiva o ano filatélico nacional e perdurarão gravadas a letras de ouro na nossa memória.

As terminar, quero agradecer à anfitriã, a Câmara Municipal da Póvoa de Varzim, na pessoa do seu Vereador da Cultura e em nome da Federação Portuguesa de Filatelia, a hospitalidade e as facilidades que nos foram concedidas para em ligação à APC promovermos aqui as Comemorações Nacionais do Dia do Selo 2003, que numa perspectiva descentralizadora que nos anima, já tiveram lugar em sítios tão diversos como Viana do Castelo, Barroselas, Estremoz, Portalegre, Lisboa ou Alvor. Entretanto e um pouco por todo o país e em todos os locais onde há o culto por esse rectângulo mágico que é o selo postal, está-se também a comemorar localmente o Dia do Selo. Dia do Selo que como disse, vai no próximo ano ter as suas comemorações nacionais em Lisboa. A Federação está a trabalhar nesse sentido com os Correios e  ACOFIL e contamos com a vossa presença na Philaibéria 2003, promovida a pensar não só nos filatelistas, como no público em geral, que tem o direito democrático de usufruir de todo o deleite de espírito que a Filatelia proporciona.

Tenho dito!

Hernâni  Matos

HOME

TOP