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Pois
é, hoje venho “falar-vos” daquela celebérrima sobrecarga aplicada
aos I.P. de D. MANUEL II, após a implantação da dita REPÚBLICA.
Infelizmente,
não será grande coisa mas, pelo menos assim o suponho, ajudará (?) um
poucochinho mais, uma vez que o “problema” nem é fácil, a
descobrir/resolvê-lo.
0ra
vejamos:
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1) |
1)
Graças ao grande estudioso, que foi, JOSÉ DA CUNHA
LAMAS, todos (ou quase) os Inteiristas Portugueses (e não só)
sabem (ou deviam sabê-lo) que os postais em questão tiveram de
ser sobrecarregados para, logicamente, auferirem do direito de
circulação, no novo regime.
Numa
edição dos Serviços Culturais dos CTT e sob o título de:
“BILHETES-POSTAIS DE PORTUGAL E ILHAS ADJACENTES”, a páginas
94/96, dá-se uma breve explicação do que aconteceu e,
consequentemente, a razão da tal sobrecarga, que os tornou
raros e valiosos.
Resumindo,
para os que não possuem o livro, direi que:
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a) |
a)
implantada a República, só em 12 do mesmo mês foi
feita tal aplicação, nos primeiros postais;
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b) |
b)
estes foram os 10 réis, em face dos pedidos existentes
do PORTO e LISBOA, respectivamente, de 30 000 e 60 000;
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c) |
c)
posteriormente, os de 20, 10+10 e 20+20 réis, sofreram o
mesmo “castigo”;
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d) |
d)
naturalmente, à altura, alguns postais já estavam
cortados e outros mantinham-se em folhas inteiras;
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e) |
e)
dos primeiros - segundo parece - haveria 3 000 do 10 réis,
pelo que a sobrecarga deveria ser aplicada manualmente, um a um;
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f) |
f)
é muito possível ter havido outros valores, em idênticas
circunstâncias, e desconhece-se (ao certo) para onde foram
expedidos aqueles 3 000;
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g) |
g)
a sobrecarga aplicada é idêntica à aposta nos selos
desta emissão;
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h) |
h)
para obstar a dificuldades de ordem vária, todos os
stocks (ainda em existência nas diversas estações) foram
autorizados a circular (mais tarde) não sobrecarregados;
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i) |
i)
a “REPUBLICA” dos tais 3 000 postais, por ter sido
aplicada à mão, reconhece-se pela falta de “cravação” no
verso.
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2) |
DDepois de tudo isto, parece, as dúvidas não subsistem
e facilmente se “localizam” os tais “Filhos da Mão”,
caros e desejados.
Mas,
por acaso e azar, até nem é bem assim, se atendermos ao facto
de (ainda bebendo na mesma fonte) terem sido “apenas”
sobrecarregados 17 295 000 exemplares do 10 reis, em que, à
variedade de cartolinas, há a acrescentar todas as diferenças
resultantes duma composição tipográfica.
Assim,
e no firme propósito de ajudar (?) - outra vez - direi, de
minha justiça, acrescentando:
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a) |
as
medidas são exactas: 14 cm x 9 cm;
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b) |
a
cartolina é amarelada, fina, muito calandrada e com brilho;
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c) |
face
à sua finura, toda a impressão é reconhecível no verso,
visualmente ou por palpação;
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d) |
pela
mesma razão, jamais se poderá “ver” ou “sentir” essa
sobrecarga (manual) no verso;
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e) |
têm
apenas 22 elos, na divisória, todos fechados, se bem que, ao
inferior lhe falte o “bico”;
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f) |
a
composição da “REPUBLICA” deve ter sido a mesma usada,
depois, em máquina, na sua aplicação em folhas;
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g) |
tratando-se
duma composição metálica, a tintagem é SEMPRE deficiente e
as letras apresentam-se com falhas de tinta;
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h) |
a
“REPUBLICA”, aposta sobre o selo, mantém uma inclinação
mais ou menos certa;
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i) |
a
aplicada sobre o brazão (à esquerda) raramente é paralela às
margens do postal (o que acontece invariavelmente às outras
feitas por máquina);
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j) |
o
“a” de “correspondência” está SEMPRE no prolongamento
do corpo do ” 1” de “IO” reis.
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E
é tudo quanto consigo dar-lhes a conhecer (?) meus Caríssimos. Bom,
ainda posso dizer-lhes que vi um 10+10 reis, da mesma família dos
“manuais”. Se há outros...nunca me passaram por sob o nariz. Que
diabo, também não posso ter tudo nem saber mais, não acham? Claro que
possuo uma quantidade razoável destes postais, em usado mas,
sinceramente, não me apetece, mesmo nadinha, meter-me em mais buscas,
embora facilitadas pela eliminação de todos os tipos não condizentes
com os apontados anteriormente. Deixo-vos esse prazer.
A
finalizar, provando a veracidade da afirmação e plagiando-a (a meu
modo) dir-lhes-ei, ainda a propósito dos “POBREZINHOS DA ESTRELA”:
“HÁ SEMPRUM POSTAL DESCONHECIDO QUE ESPERA POR NÓS”. É que, vejam
lá ao rebuscar o meu “lixo”, localizei mais dois tipos, a saber:
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6) |
Como
o Tipo (5) mas impresso um “selo de denteado 3x4” (tipo chapão]
com os dizeres no sopé: “PARA COLOCAÇÃO DO SELO”, na cor
castanho-avermelhado, e em vez da tal “grade de pontinhos”;
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7) |
O
Tipo (2) com a flâmula indicada em (4).
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Naturalmente,
o agora citado 6 irá fazer companhia aos 3 e 5, já que o 7 enfileirará
no outro grupo, o tal dos INTEIROS POSTAIS e, dentro deste,
possivelmente no sub-grupo dos “PRÉ-CARIMBADOS”. Calma! Então a
“vis cómica” dos “nossos CTT não me dá o direito de tal sugestão/classificação?
Ora
façam favor de recordar a existência dos tais selos “PRÉ...”
isso. Então porque não podemos baptizar os nossos postais de...pois? Não
sejam mauzínhos! Dêem lá
mais um título aos “POBREZINHOS DA ESTRELA”.
O-BRI-GA-DÍ-SSI-SSI-MO,
em seu nome ... deles.
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