D. MANUEL II E..."OS FILHOS DA MÃO"

Américo Mascarenhas Pereira

In A FILATELIA PORTUGUESA, Porto, nº 3, Junho de 1985

Pois é, hoje venho “falar-vos” daquela celebérrima sobrecarga aplicada aos I.P. de D. MANUEL II, após a implantação da dita REPÚBLICA.

Infelizmente, não será grande coisa mas, pelo menos assim o suponho, ajudará (?) um poucochinho mais, uma vez que o “problema” nem é fácil, a descobrir/resolvê-lo.

0ra vejamos:

1)

1)   Graças ao grande estudioso, que foi, JOSÉ DA CUNHA LAMAS, todos (ou quase) os Inteiristas Portugueses (e não só) sabem (ou deviam sabê-lo) que os postais em questão tiveram de ser sobrecarregados para, logicamente, auferirem do direito de circulação, no novo regime.

Numa edição dos Serviços Culturais dos CTT e sob o título de: “BILHETES-POSTAIS DE PORTUGAL E ILHAS ADJACENTES”, a páginas 94/96, dá-se uma breve explicação do que aconteceu e, consequentemente, a razão da tal sobrecarga, que os tornou raros e valiosos.

Resumindo, para os que não possuem o livro, direi que:

a)

a) implantada a República, só em 12 do mesmo mês foi feita tal aplicação, nos primeiros postais;

b)

b) estes foram os 10 réis, em face dos pedidos existentes do PORTO e LISBOA, respectivamente, de 30 000 e 60 000;

c)

c) posteriormente, os de 20, 10+10 e 20+20 réis, sofreram o mesmo “castigo”;

d)

d) naturalmente, à altura, alguns postais já estavam cortados e outros mantinham-se em folhas inteiras;

e)

e) dos primeiros - segundo parece - haveria 3 000 do 10 réis, pelo que a sobrecarga deveria ser aplicada manualmente, um a um;

f)

f)  é muito possível ter havido outros valores, em idênticas circunstâncias, e desconhece-se (ao certo) para onde foram expedidos aqueles 3 000;

g)

g) a sobrecarga aplicada é idêntica à aposta nos selos desta emissão;

h)

h) para obstar a dificuldades de ordem vária, todos os stocks (ainda em existência nas diversas estações) foram autorizados a circular (mais tarde) não sobrecarregados;

i)

i)  a “REPUBLICA” dos tais 3 000 postais, por ter sido aplicada à mão, reconhece-se pela falta de “cravação” no verso.

2)

   DDepois de tudo isto, parece, as dúvidas não subsistem e facilmente se “localizam” os tais “Filhos da Mão”, caros e desejados.

Mas, por acaso e azar, até nem é bem assim, se atendermos ao facto de (ainda bebendo na mesma fonte) terem sido “apenas” sobrecarregados 17 295 000 exemplares do 10 reis, em que, à variedade de cartolinas, há a acrescentar todas as diferenças resultantes duma composição tipográfica.

Assim, e no firme propósito de ajudar (?) - outra vez - direi, de minha justiça, acrescentando:

a)

as medidas são exactas: 14 cm x 9 cm;

b)

a cartolina é amarelada, fina, muito calandrada e com brilho;

c)

face à sua finura, toda a impressão é reconhecível no verso, visualmente ou por palpação;

d)

pela mesma razão, jamais se poderá “ver” ou “sentir” essa sobrecarga (manual) no verso;

e)

têm apenas 22 elos, na divisória, todos fechados, se bem que, ao inferior lhe falte o “bico”;

f)

a composição da “REPUBLICA” deve ter sido a mesma usada, depois, em máquina, na sua aplicação em folhas;

g)

tratando-se duma composição metálica, a tintagem é SEMPRE deficiente e as letras apresentam-se com falhas de tinta;

h)

a “REPUBLICA”, aposta sobre o selo, mantém uma inclinação mais ou menos certa;

i)

a aplicada sobre o brazão (à esquerda) raramente é paralela às margens do postal (o que acontece invariavelmente às outras feitas por máquina);

j)

o “a” de “correspondência” está SEMPRE no prolongamento do corpo do ” 1” de “IO” reis.

E é tudo quanto consigo dar-lhes a conhecer (?) meus Caríssimos. Bom, ainda posso dizer-lhes que vi um 10+10 reis, da mesma família dos “manuais”. Se há outros...nunca me passaram por sob o nariz. Que diabo, também não posso ter tudo nem saber mais, não acham? Claro que possuo uma quantidade razoável destes postais, em usado mas, sinceramente, não me apetece, mesmo nadinha, meter-me em mais buscas, embora facilitadas pela eliminação de todos os tipos não condizentes com os apontados anteriormente. Deixo-vos esse prazer.

A finalizar, provando a veracidade da afirmação e plagiando-a (a meu modo) dir-lhes-ei, ainda a propósito dos “POBREZINHOS DA ESTRELA”: “HÁ SEMPRUM POSTAL DESCONHECIDO QUE ESPERA POR NÓS”. É que, vejam lá ao rebuscar o meu “lixo”, localizei mais dois tipos, a saber:

6)

Como o Tipo (5) mas impresso um “selo de denteado 3x4” (tipo chapão] com os dizeres no sopé: “PARA COLOCAÇÃO DO SELO”, na cor castanho-avermelhado, e em vez da tal “grade de pontinhos”;

7)

O Tipo (2) com a flâmula indicada em (4).

Naturalmente, o agora citado 6 irá fazer companhia aos 3 e 5, já que o 7 enfileirará no outro grupo, o tal dos INTEIROS POSTAIS e, dentro deste, possivelmente no sub-grupo dos “PRÉ-CARIMBADOS”. Calma! Então a “vis cómica” dos “nossos CTT não me dá o direito de tal sugestão/classificação?

Ora façam favor de recordar a existência dos tais selos “PRÉ...” isso. Então porque não podemos baptizar os nossos postais de...pois? Não sejam mauzínhos!  Dêem lá mais um título aos “POBREZINHOS DA ESTRELA”.

O-BRI-GA-DÍ-SSI-SSI-MO, em seu nome ... deles.

 

Com um abraço à RAPAZIADA, cá do “menino”,

PEREIRA

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