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É SÓ CONVIDAR...E PRONTO! Américo
Mascarenhas
Pereira In
A FILATELIA PORTUGUESA, Porto, nº 8, Abril de 1986 |
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Ë
muito natural que o meu Caro Inteirista (e não só) não conheça bem o
seu País, muito embora já tenha viajado bastante e, no caso dos
Inteiros Postais, possivelmente, nunca lhe passou por sob o
olho...deixe-se lá de gracinhas...aquela série de 1944, a 3.ª da
sociedade que “fez o favor” de emitir diversos postais, para nosso gáudio/gozo. Não
compreendo porque ficou parado...não percebeu? Eu também não, deixe lá!
É que há coisas absolutamente difíceis de explicar aos “terra-a-terra”,
dos quais faço parte. Por exemplo e a propósito, notou ali no “gáudio/gozo”?
E se consultássemos o dicionário? Vejamos: GÁUDIO:
- Do latim “gaudiu”, masculino: júbilo; folgança; troça alegre. GOZO:
- Do castelhano “gozo”, com origem no latim “gaudiu”, masculino:
acto de gozar; utilidade; posse; fruição; satisfação. Donde
se conclui que, embora filhos da mesma mãe/raiz, não são gémeos,
como o deveriam ser, logo...tive de os empregar, simultaneamente, para
que a minha ideia ficasse “absolutívelmente” certa. Nesta
altura da leitura (bonita conjugação) o meu Caríssimo Leitor deverá
estar especulando, a sua massa, cinzenta, na mira de que vai perceber a
causa da intromissão, do que já foi dito, e os Inteiros Postais. Pois
é, mas parece-me que está perdendo o seu tempo e sacrifícando o conteúdo,
dessa caixa craneana, sem qualquer bom resultado. Eu explico, eu explico
(se não se importa) e não se abespinhe. Cada coisa a seu tempo, está
bem? O
que pretendi, até ao momento, foi chamar-lhe a atenção para o
conhecidíssimo facto de as coisas nem sempre serem o que aparentam.
Repare, fifi: 1º.
-
falei-lhe de não conhecer bem o País; 2º.
-
coquei-lhe as suas viagens, sem me preocupar onde, e a não
concordância com o conhecimento do dito; 3º.
-
“atirei-lhe” com os GÁUDIO/GOZO; 4º.
-
”'armei-me em esperto” e mostrei-lhe as diferenças; 5º.
-
não indiquei a correlação entre tudo isto e a tal 3."
emissão; e,
para o arreliar, vou aproveitar para o “'abarafundar” um pouco mais. Por
acaso, já sabe de que série estou escrevendo? Pois! Tinha que ser. É
essa mesma, a “CONHEÇA A SUA TERRA”, a tal desenhada por MANUEL
LAPA e bem feia (para mim, que sou lindo como um espelho partido) tão
feia quão difícil de conseguir, seja nova ou usada. Como
é óbvio, não gostou do “abarafundar” e ainda se sentiu mais
confuso mas, meu Caríssimo, não é o POVO que faz a língua? Então
porque está tão admirado com o verbo? Olhe! Oiça! Ainda que possa
supor ter acertado...errou! Não sou o “pai” do mesmo e, como a
“coisa” até vem a propósito, vou dizer algo mais, da mesma origem
para que, na verdade, compreenda melhor a tal “VOZ DO POVO”. Na
sua dizia ele: -
Digo “tenho òvido” quando só “òvi”; -
Digo “.tenho òvisto” quando “òvi” e “visto”; e
completava a explicação levando a mão, em concha, à orelha e
repuxando a pálpebra inferior, do olho direito, no tocante ao
“visto”. Que
dizer? Isso mesmo, que é preciso ver para crer, e o ler, na maioria das
vezes, não basta. Demonstrada
a tal correlação do 5.°, atentemos nestes 36 postais e meditemos um
pouco. Facilmente chegaremos à conclusão de que é muito preferível
ter “òvisto” falar desta ou daquela Terra do que ter simplesmente
“òvido” mencioná-la. Mas
CONHEÇA A SUA TERRA como, além do convite? Mediante tais postais, tais
desenhos? Por amor de Deus! Quem foi o inventor de tal título? De que
terra era o dito cujo? Era um produto da Terra ou natural de...por
favor, não me digam, porque, lá diz o meu Caro Ex-Colega: - “Quanto
mais sei mais sofro”. De
qualquer maneira/modo/feitio/forma e etc. e tal, não é olhando este ou
aquele postal que...isso, este fala-nos do TÜMUJLO DE D PEDRO I, em
Alcobaça mas aquele, ou aqueles, limitam-se a mencionar: ALGARVE,
ALENTEJO, DOURO, CONVENTO DE CELAS e etc., sem localização definida, o
que mais nos atrapalha o seu conhecimento, mesmo PERCORRENDO-A DE LÉS-A-LÉS,
o último, o 3.°. Para quê pois precisar isto ou aquilo? Que o digam
os entendidos. Uma
vez miais, recorro ao “Ti Xico” pois, se me agrada “òvir” falar
do MUSEU DE AROUCA ou do CONVENTO DE CELAS mais me agradaria tê-lo “òvisto”,
a seu tempo. E os meus Caros Amigos Coleccionadores ? Não lhes
agradaria muitíssimo mais ter “òvisto” determinadas “peças”
nas vossas mãos do que ter “òvido” falar delas? Para
terminar, e porque não era só por causa disto que eu vos ia roubar
(que feio) tempo, vou aproveitar a oportunidade, chamando-lhes a atenção
para a existência de duas tiragens/desenhos, desta série, facilmente
distinguíveis, quer pela cor, quer pelo tipo de estrelas, que nelas
aparecem. A
primeira apresenta-se numa cor verde escuro enquanto a segunda nos
brinda com um cinzento acastanhado. É nesta última que nos surge a
rectificação “RABELO” em vez do tal “REBELO” desenhado de início,
embora filhos da mesma mãe/raiz...onde diabo Já li isto? Basta,
não? Entretenham-se...e vão ter que procurar, acreditem. Até os tais
furados, com os quais embirro solenemente, são de grande utilidade. Como
de costume, consegui chegar ao fim, depois duma viagem, “òvista”
mas difícil, pelos meandros da minha complicada “linguagem” e pior
escrita. Que querem? Sou assim! Torcido...Pois é, outros há que nem
assim são! O que me vale é que as férias estão aí à porta... Passem
bem. |
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