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Hernâni Matos |
Inteiros Postais de Portugal |
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ESTREMOZ DO PASSADO |
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Ande se fala de como o amor ao bilhete-postal pode resultar num documentário topográfico, etnográfico, histórico e artístico duma cidade. |
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Hernâni Matos |
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sombra de dúvida que o bilhete-postal é uma das maiores invenções que
nos foram legadas pelo século XIX. Com
efeito, a expedição de uma carta normal exige a dobragem de uma folha
escrita, o emprego de um sobrescrito gomado, a colagem da aba do fecho deste
e a colagem do selo de franquia. Com a invenção do bilhete-postal pelo
prussiano Von Stephan, em 1865, tudo isto foi substituído por uma folha de
cartolina com um selo pré-impresso e que era nessa época vendido ao público
pêlos serviços dos correios, a um preço inferior ao da carta. Por
ser completamente revolucionária, a invenção de Von Stephan só foi
adoptada pêlos correios em 1869, quando a Áustria pôs em circulação o
primeiro bilhete-postal do mundo, o qual recebeu a designação de "Correspondenz
- Karte" e tinha um selo posta! impresso. Em
Portugal, os primeiros bilhetes postais foram criados por decreto de 31 de
Outubro de 1878. Eram de duas taxas: 15 réis, destinados a Portugal e
Espanha e, 25 réis, destinados aos países da União Geral dos Correios
(antepassada da União Postal Universal) e às Províncias Ultramarinas
Portuguesas. Qualquer deles ostentava selos pré-impressos do tipo de
"D. Luís I, fita direita". Não
obstante as sucessivas deliberações da U.P.U., tendentes a
disciplinar-lhes a emissão, encontram-se nos mais diversos cambiantes. O
tipo de cartolina, formato, cor, posição da franquia, disposição,
amplitude e fantasia dos textos. Tudo forma uma gama vastíssima sob um
ponto de vista histórico-postal e estético. Limitado
de início ao seu uso específico de meio simples e económico de correspondência,
o bilhete-postal, foi sucessivamente utilizado para os mais diversos fins:
propaganda, sátira, beneficiência, comemoração, publicidade, etc., etc. Tal
como o selo adesivo, os postais, no texto ou no selo, sofreram também toda
a espécie de sobrecargas devidas a novas situações políticas e
militares, bem como sobretaxas, devido a haver modificação no valor
original. Naturalmente
que os bilhetes postais mais apreciados pelo grande publico são os bilhetes
postais ilustrados. Esta
forma de comunicação foi inventada pelo livreiro alemão A. Schwartz, em
1870, mas só foi comercializada em 1875. Estes bilhetes postais ilustrados
da indústria particular não tinham selo pré-impresso e só podiam
circular com selo de franquia ordinária, colado. Os
primeiros bilhetes postais ilustrados com franquia pré-impressa foram
emitidos na Suíça, em 1893, por ocasião do cinquentenário do primeiro
selo de Zurich. O
primeiro postal ilustrado português foi emitido pêlos correios e data de 4
de Março de 1894, quando da comemoração do 5° Centenário do Nascimento
do Infante D. Henrique. Segui-se-lhe o do VII Centenário do Nascimento de
Santo António, em 1895, e os do IV Centenário da Índia, em 1898. O
primeiro bilhete postal ilustrado português de fabrico não oficial,
exigindo a colagem de um selo de franquia ordinária, foi editado em 1895
pela Companhia Nacional Editora, a propósito do Centenário de Santo António. Desde
então para cá, correios e particulares nunca mais pararam na emissão e
edição de bilhetes postais ilustrados para comemorar efemérides, fazer
propaganda oficial ou religiosa, divulgar monumentos, paisagens ou costumes
regionais e evocar acontecimentos históricos. Com
o aparecimento dos bilhetes postais surgiu o seu coleccionismo (Cartofilia)
e os coleccionadores (cartófilos}. Estes não se distinguem pelo estrato
social, idade, sexo, credo político ou religioso. Os cartófilos pertencem
à maior confraria internacional: a do bilhete postal. Os milhares e
milhares de coleccionadores que existem em todo o mudo estão agrupados em
colectividades, associações e clubes que promovem a troca de bilhetes
postais, que funcionam assim como estimuladores das relações humanas e
factor de aproximação entre os povos. O
bilhete postal ilustrado antigo tem hoje valor patrimonial e é indiscutível
o seu valor como documentário topográfico, etnográfico, histórico e artístico
de um país. Os
bilhetes postais ilustrados constituem um repositório topográfico notável.
Daí que a Cartofilia Estremocense, animada por mim e por minha mulher a
partir de 1982, tenha insistido na sua recolha e estudo. A
Cartofilia Estremocense, activa a nível do Alentejo, Rio Maior, Caldas da
Rainha e Póvoa de Varzim, procurou atingir diversos objectivos, dos quais há
a salientar os seguintes:
Dentre
as actividades realizadas há que salientar as seguintes:
Com
a criação da Associação Filatélica Alentejana em 1983, foi extinta a
Cartofilia Estremocense. Porém, o fruto da recolha efectuada pêlos seus
mentores não se perdeu. São reproduções das espécies mais antigas e
mais notórias que constituem a presente Exposição de Fotografia "Estremoz
do Passado". A
Associação Filatélica Alentejana é hoje uma colectividade prestigiada, a
nível local, regional e nacional, fruto da qualidade e da diversidade das
actividades desenvolvidas, nas quais se tem procurado, acima de tudo,
contribuir para a animação cultural da cidade de Estremoz. Como
corolário lógico da sua vocação cultural, resulta o seu empenhamento em
actividades que visem: -
O reforço da consciência e da identidade cultural, local e regional; -
A afirmação de Estremoz como cidade - património; Nesse
sentido se insere o seu entrosamento em iniciativas da comunidade, ligadas a
determinadas efemérides. Caso do Dia da Unidade do RC3, assinalado a 15 de
Setembro de cada ano e em que se comemora a glória e a bravura militar dos
nossos ancestrais contra o inimigo espanhol na batalha de Fuentes de Cantos. No
presente ano, a nossa Associação tomou a iniciativa de animar a componente
cultural do Dia da Unidade instalada no Convento de S. Francisco, através
do recurso a uma Exposição de Fotografia a que deu a designação de
"Estremoz do Passado". Com ela, não se pretende fazer a invocação
saudosista dum passado patrimonial que em parte já não existe, nem tão
pouco a mera exibição gratuita de clichés topográficos de Estremoz,
tendo como elo comum o serem todos anteriores à "Belle Epoque". Com
esta exposição pretende-se - isso sim - dar um significativo contributo
para a caracterização arquitectónica e também sociológica da nossa
urbe. Só apreendendo as linhas de força da nossa identidade cultural no
passado, poderemos com segurança delinear os nossos vectores de
desenvolvimento presente, na ânsia de procura de um futuro não alienante e
que preserve a nossa identidade cultural. Se
além disto tudo - e não é pouco - conseguirmos despertar nos visitantes,
muito em especial entre os jovens o interesse pela Cartofilia, então o
nosso esforço de recolha das espécies apresentadas não terá sido em vão. De
salientar a colaboração no catálogo da presente Exposição, de dois
reputados especialistas em património da nossa cidade: o Dr. José Emílio
Guerreiro e o Arquitecto João Paulo Ferrão. Igualmente de registar a
valiosa participação da poetisa popular estremocense, Constantina Babau. Tendo
em conta os condicionalismos financeiros da Associação Filatélica
Alentejana, não fora a vocação de apoio cultural da Junta de Freguesia de
Santa Maria, que em boa hora patrocinou a Exposição de Fotografia "Estremoz
do Passado", esta teria dificuldade em tornar-se realidade. Felizmente
que o nosso projecto encontrou acolhimento na mais profunda sensibilidade
bairrista da Junta de Freguesia de Santa Maria. Bem haja, pois! Uma
palavra também de agradecimento para o Comandante do RC3, Senhor Coronel
Reis, pela sensibilidade e receptividade mostrada à nossa proposta de animação
cultural do Dia da Unidade - ou não fosse ele um homem de Cavalaria, arma
que nesta cidade transtagana sempre tem sabido estar em consonância com os
valores culturais locais. Hernâni
António Carmelo de Matos (Presidente
da Direcção da Associação Filatélica Alentejana)
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