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Apesar destes versos dos Lusíadas terem sido
escritos no século XVI, a sua actualidade mantém-se e manter-se-á enquanto
os povos tiverem memória.
Vem este título a propósito de três grandes nomes da filatelia que nos
últimos meses nos deixaram. São eles Barata das Neves, Dias Ferreira e
Oliveira Marques.
Barata das Neves era, talvez, o comerciante filatélico que há mais
tempo exercia a sua actividade em Lisboa. Foi, nos anos Oitenta, um dos
animadores das feiras de filatelia que então decorriam no primeiro domingo
de cada mês, na Casa da Cultura e Juventude de Beja.
A sua casa na rua Nova da Trindade era um autêntico museu, onde se
descobria sempre mais uma peça que quase sempre nos deixava maravilhados.
Dias Ferreira, considerado até a sua morte a memória viva da
filatelia portuguesa, dedicou toda a sua vida ao associativismo
filatélico. O seu imenso saber filatélico e a sua disponibilidade total em
prol da filatelia fizeram com que pertencesse a todas as direcções do
Clube Filatélico de Portugal, desde a sua fundação em 1946.
Os seus conhecimentos filatélicos eram profundos, não só em relação à
filatelia portuguesa mas também à de outros países, tanto assim, que logo
no primeiro número do Boletim do Clube Filatélico, em Janeiro de 1946,
Dias Ferreira assina um artigo intitulado "Filatelia Húngara".
Em reconhecimento da sua acção cultural desenvolvida através da filatelia,
em 1998, Jorge Sampaio agraciou-o com a Comenda da Ordem de Mérito
Cultural.
Detentor de todas as distinções da Federação Portuguesa de Filatelia, (FPF)
aquando das comemorações dos seus cinquenta anos, foi distinguido com uma
placa alusiva ao acontecimento.
Oliveira Marques, um dos maiores historiadores contemporâneos,
deixa-nos uma vastíssima obra mediavalista e maçónica. Deixa-nos também um
importante legado na área da investigação histórico-filatélica.
Das suas várias obras nesta área, destaca-se a História do Selo Postal
Português, cuja primeira parte já participou na Exposição Filatélica
Internacional "Lisboa 1953".Esta obra foi reeditada em 1996.
A sua presença na filatelia é constante desde o início da filatelia
organizada em Portugal. Com efeito, Oliveira Marques, foi um dos
fundadores da FPF. Em 1954 era um dos nomes dos primeiros Corpos Sociais
da FPF. Era o secretário da Direcção, que era liderada pelo Professor
Doutor Carlos Trincão.
Jorge Sampaio em 1998 condecorou-o com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade.
Foi agraciado pela FPF, com a distinção de Filatelista Eminente, e com a
Medalha de Serviços Inestimáveis. |