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A história postal do
Alentejo, pela raridade das peças coleccionadas, é uma paixão especial
do filatelista Rui Mendes, sobretudo a que respeita ao correio de
Évora, cuja carta mais antiga conhecida é datada de 1811. “A filatelia
portuguesa é muito procurada e, dentro desta, a alentejana ainda é
mais rara. Com o analfabetismo tradicionalmente mais elevado do que no
litoral, escrevia-se muito pouco na região. Hoje, é difícil encontrar
essa correspondência”, justifica o filatelista à agência Lusa. Rui
Mendes, natural de Portalegre, é proprietário de uma das três
colecções que, desde hoje, estão expostas em Évora, numa mostra que
retrata a história do correio da cidade, desde 1797 até à época
actual. As outras duas colecções, na cidade onde, em 1520, D. Manuel I
instituiu o correio em Portugal, são cedidas pela Confraria
Timbrológica Meridional (CTM) “Armando Álvaro Bóino de Azevedo” e pelo
filatelista António Cristóvão.
Filatelista há mais de três décadas, Rui Mendes tem outras colecções
montadas, mas já dedicou cerca de 20 anos a reunir os objectos postais
relativos a Évora e a carta mais antiga que possui é de 1822. Contudo,
a carta mais antiga expedida de Évora que se conhece data de 1811 e,
embora não esteja na sua posse, também está exposta na Fundação
Alentejo - Terra Mãe, em Évora, pois, integra a colecção da CTM.
Enquanto folheia um dossier onde, meticulosamente, tem organizadas as
peças da colecção, o filatelista “desvenda” as “relíquias” que, aos
poucos, foi adquirindo, principalmente em leilões filatélicos, nos
quais, diz, faz por não perder “a cabeça”.
“Em Portugal, já fui a mais de 60 ou 70 leilões, onde adquiri cerca de
80 por cento da colecção”, afirma, contando que, dependendo da
raridade dos objectos, facilmente um, com uma base de licitação de 400
ou 500 euros, acaba por ser vendido por “vários milhares de euros”. As
pessoas que lidam com Rui Mendes no dia-a-dia sabem deste seu gosto
pela filatelia - “até já contagiei algumas”, afirma - e, por vezes,
até lhe oferecem cartas antigas de família, do pai ou do avô. “Mas
nunca tive a sorte de ser algo realmente com muito interesse”,
lamenta, enquanto assegura que terminar uma colecção filatélica,
sobretudo sobre temas raros, é “tarefa quase impossível”, devido aos
“preços elevados” das peças que, além disso, podem demorar “anos” a
aparecer.
No que respeita à história postal de Évora, a sua colecção e da CTM
“complementam-se” e reúnem “todas as marcas conhecidas” do correio da
cidade. “Em 1797, quando o correio passa de vez para as mãos do
Estado, são introduzidas marcas postais e Évora teve quatro, até 1853.
O nome da cidade era ‘batido’ com carimbos artesanais que, depois de
desgastados, eram trocados por outros, não exactamente iguais”, conta.
As cartas oficiais, do Serviço Nacional e Real, só levavam essa marca,
mas a correspondência de particulares também tinha o carimbo de porte,
que variava consoante “as léguas que o correio tinha que percorrer”.
“O mais habitual eram 25 réis, que era o que se pagava até Lisboa, mas
também existem cartas de 40, 50 ou 60 réis”, refere o filatelista,
acrescentando que, nesse tempo, o pagamento cabia aos destinatários do
correio. Depois, relata, foram introduzidas marcas de seguro ou de
segura, que correspondem às nossas cartas registadas actuais: “São as
mais raras e, de Évora, é conhecida uma de cada, com muito poucas
cartas”.
Em 1853, quando se inicia o período filatélico, o selo, inventado 13
anos antes, chega a Portugal e o porte nacional passa a ser único,
começando Évora a ser identificada com a marca postal “166” e, mais
tarde, “197”. “
Na exposição, temos muitas outras marcas postais ‘batidas’ em Évora,
que mostram a evolução do correio da cidade. Algumas delas têm um grau
de raridade muito grande”, destaca Rui Mendes, para quem o
coleccionismo, nomeadamente a filatelia, é “importante” porque permite
aprender mais sobre a história, a cultura e os costumes de uma região.
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Mostra filatélica “traça” história postal da cidade
Cerca de 800 objectos
postais, de três colecções, estão expostos na Fundação Alentejo -
Terra Mãe para retratar a história postal de Évora, cidade onde, em
1520, foi instituído o correio em Portugal. A exposição filatélica
“História Postal de Évora”, promovida pela Confraria Timbrológica
Meridional (CTM) “Armando Álvaro Bóino de Azevedo”, em conjunto com a
Fundação Alentejo - Terra Mãe, fica patente ao público até 4 de
Outubro. A mostra traça toda a história do correio de Évora, desde
1797 até à época actual, englobando três colecções, duas intituladas
“História Postal de Évora”, da CTM e do filatelista Rui Manuel Mendes,
e uma do “Templo de Diana”, cedida pelo também filatelista António
Cristóvão. No global, a iniciativa reúne cerca de 800 objectos
postais, um espólio que a Fundação Alentejo - Terra Mãe considera
“único”, representando a “história postal de uma das mais importantes
localidades postais do país”. Évora foi, precisamente, a localidade em
que D. Manuel I instituiu, em 1520, o correio em Portugal, um facto
“marcante da história postal portuguesa”, acrescenta a entidade
organizadora. Cartas pré-filatélicas, cartas do período adesivo,
inteiros postais, selos, marcas postais e etiquetas de registo são
alguns dos principais objectos postais que dão corpo à mostra. Todas
as marcas postais “batidas” na correspondência expedida em Évora podem
ser vistas na exposição, segundo a organização. A somar a isso, são
apresentados os selos e demais objectos postais emitidos oficialmente
pelos Correios ou por particulares, desde que autorizados por aquela
instituição, e que evoquem qualquer elemento relativo à cidade de
Évora. A CTM foi fundada em 1989. |