Évora: Filatelista alentejano “alimenta” paixão especial sobre história postal da região

Selos que contam estórias

Rita Ranhola in O Primeiro de Janeiro / Lusa - 23 de Setembro de 2007

 

Rui Mendes é proprietário de uma das três colecções de selos que estão expostas numa mostra que retrata a história do correio em Évora. Apaixonado pela filatelia, são os selos alentejanos que mais o entusiasmam por causa da sua raridade.

A história postal do Alentejo, pela raridade das peças coleccionadas, é uma paixão especial do filatelista Rui Mendes, sobretudo a que respeita ao correio de Évora, cuja carta mais antiga conhecida é datada de 1811. “A filatelia portuguesa é muito procurada e, dentro desta, a alentejana ainda é mais rara. Com o analfabetismo tradicionalmente mais elevado do que no litoral, escrevia-se muito pouco na região. Hoje, é difícil encontrar essa correspondência”, justifica o filatelista à agência Lusa. Rui Mendes, natural de Portalegre, é proprietário de uma das três colecções que, desde hoje, estão expostas em Évora, numa mostra que retrata a história do correio da cidade, desde 1797 até à época actual. As outras duas colecções, na cidade onde, em 1520, D. Manuel I instituiu o correio em Portugal, são cedidas pela Confraria Timbrológica Meridional (CTM) “Armando Álvaro Bóino de Azevedo” e pelo filatelista António Cristóvão.
Filatelista há mais de três décadas, Rui Mendes tem outras colecções montadas, mas já dedicou cerca de 20 anos a reunir os objectos postais relativos a Évora e a carta mais antiga que possui é de 1822. Contudo, a carta mais antiga expedida de Évora que se conhece data de 1811 e, embora não esteja na sua posse, também está exposta na Fundação Alentejo - Terra Mãe, em Évora, pois, integra a colecção da CTM.
Enquanto folheia um dossier onde, meticulosamente, tem organizadas as peças da colecção, o filatelista “desvenda” as “relíquias” que, aos poucos, foi adquirindo, principalmente em leilões filatélicos, nos quais, diz, faz por não perder “a cabeça”.
“Em Portugal, já fui a mais de 60 ou 70 leilões, onde adquiri cerca de 80 por cento da colecção”, afirma, contando que, dependendo da raridade dos objectos, facilmente um, com uma base de licitação de 400 ou 500 euros, acaba por ser vendido por “vários milhares de euros”. As pessoas que lidam com Rui Mendes no dia-a-dia sabem deste seu gosto pela filatelia - “até já contagiei algumas”, afirma - e, por vezes, até lhe oferecem cartas antigas de família, do pai ou do avô. “Mas nunca tive a sorte de ser algo realmente com muito interesse”, lamenta, enquanto assegura que terminar uma colecção filatélica, sobretudo sobre temas raros, é “tarefa quase impossível”, devido aos “preços elevados” das peças que, além disso, podem demorar “anos” a aparecer.
No que respeita à história postal de Évora, a sua colecção e da CTM “complementam-se” e reúnem “todas as marcas conhecidas” do correio da cidade. “Em 1797, quando o correio passa de vez para as mãos do Estado, são introduzidas marcas postais e Évora teve quatro, até 1853. O nome da cidade era ‘batido’ com carimbos artesanais que, depois de desgastados, eram trocados por outros, não exactamente iguais”, conta. As cartas oficiais, do Serviço Nacional e Real, só levavam essa marca, mas a correspondência de particulares também tinha o carimbo de porte, que variava consoante “as léguas que o correio tinha que percorrer”. “O mais habitual eram 25 réis, que era o que se pagava até Lisboa, mas também existem cartas de 40, 50 ou 60 réis”, refere o filatelista, acrescentando que, nesse tempo, o pagamento cabia aos destinatários do correio. Depois, relata, foram introduzidas marcas de seguro ou de segura, que correspondem às nossas cartas registadas actuais: “São as mais raras e, de Évora, é conhecida uma de cada, com muito poucas cartas”.
Em 1853, quando se inicia o período filatélico, o selo, inventado 13 anos antes, chega a Portugal e o porte nacional passa a ser único, começando Évora a ser identificada com a marca postal “166” e, mais tarde, “197”. “
Na exposição, temos muitas outras marcas postais ‘batidas’ em Évora, que mostram a evolução do correio da cidade. Algumas delas têm um grau de raridade muito grande”, destaca Rui Mendes, para quem o coleccionismo, nomeadamente a filatelia, é “importante” porque permite aprender mais sobre a história, a cultura e os costumes de uma região.

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Mostra filatélica “traça” história postal da cidade

Cerca de 800 objectos postais, de três colecções, estão expostos na Fundação Alentejo - Terra Mãe para retratar a história postal de Évora, cidade onde, em
1520, foi instituído o correio em Portugal. A exposição filatélica “História Postal de Évora”, promovida pela Confraria Timbrológica Meridional (CTM) “Armando Álvaro Bóino de Azevedo”, em conjunto com a Fundação Alentejo - Terra Mãe, fica patente ao público até 4 de Outubro. A mostra traça toda a história do correio de Évora, desde 1797 até à época actual, englobando três colecções, duas intituladas “História Postal de Évora”, da CTM e do filatelista Rui Manuel Mendes, e uma do “Templo de Diana”, cedida pelo também filatelista António Cristóvão. No global, a iniciativa reúne cerca de 800 objectos postais, um espólio que a Fundação Alentejo - Terra Mãe considera “único”, representando a “história postal de uma das mais importantes localidades postais do país”. Évora foi, precisamente, a localidade em que D. Manuel I instituiu, em 1520, o correio em Portugal, um facto “marcante da história postal portuguesa”, acrescenta a entidade organizadora. Cartas pré-filatélicas, cartas do período adesivo, inteiros postais, selos, marcas postais e etiquetas de registo são alguns dos principais objectos postais que dão corpo à mostra. Todas as marcas postais “batidas” na correspondência expedida em Évora podem ser vistas na exposição, segundo a organização. A somar a isso, são apresentados os selos e demais objectos postais emitidos oficialmente pelos Correios ou por particulares, desde que autorizados por aquela instituição, e que evoquem qualquer elemento relativo à cidade de Évora. A CTM foi fundada em 1989.

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