| Hernâni Matos |
Inteiros Postais de Portugal |
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COMEMORAÇÕES NACIONAIS DO DIA DO SELO 2001 |
| PORTALEGRE |
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HOMENAGEAR RÉGIO - COMEMORAR O DIA DO SELO |
| por |
| Hernâni Matos |
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Em
Portalegre estamos, filatelistas e não filatelistas, de parceria, com
um objectivo comum: comemorar o Dia do Selo e
Homenagear o escritor José Régio. Não
vou falar de José Régio, poeta, ficcionista, dramaturgo, ensaísta,
memorialista, professor, enfim homem de Cultura. Dessa tarefa se
encarregará a Dr.ª Francisca de
Matos, que ao contrário de mim, está habilitada a fazê-lo. Permitam-me
que como filatelista e portanto como coleccionador, vos confesse o apreço
em que tenho Régio como coleccionador de arte e em particular de arte
popular, com a qual recheou as casas de Portalegre e de Vila do Conde,
que muitos de nós já tivemos o privilégio de visitar e que revelam o
sentido apurado do seu gosto e a multiplicidade dos seus interesses. É
sabido que quer em Portalegre, quer em Vila do Conde, Régio mantinha
contactos com os meios literários através de intensa actividade
epistolar e as suas cartas seguiam pelo correio. Esse mesmo correio que
exige o pagamento do serviço prestado através da aposição de fórmulas
de franquia na correspondência, entre
elas o selo. Como
filatelista, compete-me falar aqui hoje de selos e em particular do Dia
do Selo, dia de convívio, unidade e festa entre filatelistas, ou seja
entre os cultores da Filatelia. Não será, assim, despropositado
recordar como desde a sua origem, Correios e Filatelia, andam
intimamente ligados. A
criação do Correio em Portugal remonta ao século XVI, quando D.
Manuel I, a 6 de Novembro de 1520, encontrando-se em Évora, nomeou Luís
Homem para o cargo de Correio-Mor e o provimento de Mestre de Posta. A
Administração do Correio esteve na mão de particulares até ao século
XVIII. Foi por alvará de 16 de Março de 1797 que foi extinto o cargo
de Correio-Mor, voltando o Correio à Administração do Estado, ficando
a Secretaria de Estado da Repartição dos Negócios Estrangeiros com o
cargo de Administração das Postas, Correios e Diligências de Terra e
Mar. Porém, a exploração continuou a reger-se pelos regulamentos em
vigor até que pudesse ser publicado novo regulamento, o que se
verificou em 1 de Abril de 1799. A partir daqui, as cartas passam a
receber marcas postais indicativas do porte a pagar pelo destinatário,
bem como marcas nominais da localidade de partida e de chegada. |
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Fig.
1 – Carta expedida de
Portalegre para Lisboa, a 5 de Julho de 1845. Marca pré-adesiva |
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Por
Decreto de 27 de Outubro de 1852 foram estabelecidas as bases de uma
nova Reforma Postal, pela qual foi introduzido a partir de 1 de Julho de
1853, o uso dos selos postais adesivos como meio de pagamento prévio do
porte. |
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Fig.
2 – Carta expedida de PORTALEGRE para Lisboa a 8 de Outubro
de 1853, com um porte de 25 réis em selo de D. Maria I, obliterado com
carimbo de barras 170.
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Fig.
3 – Carta expedida de CASTELO DE VIDE para o PORTO em
19 de Janeiro de 1879, com
selo de D. Luis I, de relevo, obliterado com o carimbo de barras 183.
Transitou pelo correio, tendo aí recebido o carimbo de trânsito de PORTALEGRE. |
Fig.
4 – Bilhete postal de 25 reis, D. Luís de relevo, expedido de PORTALEGRE
para Lisboa em 20 de Abril de 1884. |
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A
Filatelia ou coleccionismo de selos e demais fórmulas e marcas postais
surgiu praticamente com a emissão dos primeiros selos postais em
Inglaterra, em 1840. No nosso país, os selos postais foram introduzidos
no reinado de D. Maria II, em 1853 e, já no século passado havia
filatelistas em Portugal. Actualmente, os filatelistas portugueses
agrupam-se em clubes que os representam e defendem os seus interesses,
como é o caso do Núcleo Filatélico de Portalegre. Existe
além disso uma estrutura que aglutina, orienta, disciplina e dinamiza
os diversos clubes filatélicos. Trata-se da Federação Portuguesa
de Filatelia, a qual por sua vez está federada na Federação
Internacional de Filatelia, que supervisiona toda a Filatelia
mundial. Também
os jornalistas e escritores filatélicos portugueses têm neste momento
uma Associação que os une, trata-se da ANJEF – Associação Nacional
de Jornalistas e Escritores Filatélicos, a cuja Direcção quiseram os
meus pares que presidisse. É nessa qualidade que aqui estou, irmanado
convosco portalegrenses e vilacondenses na homenagem a José Régio, um
homem superior das letras, um escritor com E grande. Como
jornalista e escritor filatélico, quero dar conta de quanto eu e os
meus pares nos congratulamos, por o autor de “Poemas de Deus do
Diabo”, ficar perpetuado a partir do próximo ano nos selos de
Correio, na sequência de proposta oportunamente feita pelo Núcleo
Filatélico de Portalegre e pelo Clube Filatélico de Portugal. E a
partir de hoje, também a marcofilia portalegrense e portuguesa ficam
mais ricas, com o carimbo comemorativo do 1º Centenário do Nascimento
do escritor. |
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Selos
e carimbos são Cultura, pois uma das facetas da Cultura é a cultura
filatélica dinamizada por um segmento de população que embora não
sendo numericamente importante, se impõe pela sua dinâmica envolvente
e pela projecção das actividades desenvolvidas. É nesse sentido que
aqui estamos, filatelistas, escritores e jornalistas filatélicos,
irmanados convosco, portalegrenses e vilacondenses, nesta homenagem que
se impunha. E parafraseando Gedeão é caso para dizer: - Obrigado Régio,
pela beleza de obra que nos legaste. Estremoz, 22 de Novembro de 2000 |