| Hernâni Matos |
Inteiros Postais de Portugal |
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DA LITERATURA FILATÉLICA PORTUGUESA Relatório do inquérito realizado pelo Delegado da F.P.F. - A.P.D. à Comissão F.I. P. de Literatura Filatélica
Estremoz, Janeiro de
2000 |
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Àqueles que por um motivo ou
por outro não quiseram ou não puderam responder ao inquérito, ficam
abertas as portas no sentido de connosco terçarem armas em defesa da nossa
dama: a Literatura Filatélica! A nossa mensagem final é a de
que todos não somos demais para unirmos esforços sincronizados, visando
conduzir a nossa classe filatélica ao plano a que tem pleno direito – o de
uma classe filatélica como as outras, mas com o valor acrescido de ser
indispensável ao fomento, à didáctica e ao desenvolvimento das
demais. O Delegado da F.P.F.
- A.P.D. à Comissão F.I.P. de Literatura
Filatélica |
SITUAÇÃO ACTUAL DA LITERATURA FILATÉLICA PORTUGUESA |
| 1. | Introdução |
| 2. | Diagnóstico da situação |
| 2.1. | Balanço do panorama actual da Literatura Filatélica Portuguesa |
| 2.2. | A Literatura Filatélica Portuguesa num contexto mundial |
| 2.3. | O salto qualitativo e quantitativo da Literatura Filatélica Portuguesa |
| 2.4. | O SREV e as Guidelines da F.I.P. usados na avaliação de participações de Literatura Filatélica |
| 2.5. | Assuntos relevantes e/ou controversos sobre os quais a Filatelia Portuguesa deve assumir uma posição clara no seio da Comissão F.I.P. de Literatura Filatélica |
| 2.6. | As condições de trabalho habituais dos Jurados de Literatura Filatélica em Portugal |
| 2.7. | A actuação dos Jurados Portugueses de Literatura Filatélica |
| 3. | Medidas a tomar |
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Consciente das dificuldades da missão que me estava a ser confiada, mas consciente também do imperativo inescapável de bem servir a Filatelia Portuguesa nas sua múltiplas frentes, dispus-me a aceitar o desafio que me era lançado. Assim, no início de Outubro de 1999, dei conta ao Presidente da Direcção da F.P.F. - A.P.D. da minha disponibilidade para o desempenho do cargo para o qual fora convidado. Mais, declarei sentir-me muito honrado com a confiança que em mim era depositada, bem como tudo faria para continuar a ser merecedor dessa confiança, dentro do espírito do Regulamento dos Delegados F.I.P., conjugado com a lealdade devida à Direcção da F.P.F. - A.P.D.. A aceitação do cargo de Delegado da F.P.F. - A.P.D. à Comissão F.I.P. de Literatura Filatélica ocorreu na óptica de desempenho da missão de bem servir a Filatelia Portuguesa. A meu ver, o desempenho do cargo exigia à partida a
satisfação de três quesitos:
O inquérito constava de dez questões, distribuídas por
quatro áreas, assim diferenciadas:
Normalmente, considera-se que é inviável utilizar o primeiro procedimento e que além disso é mais cómodo utilizar o segundo. Daí que em geral, se opte por este último procedimento. Desde o início que perfilhei a firme convicção que através da amostragem corria o risco de obter um reduzido nível de respostas, em virtude de uma possível evasão dos inquiridos no sentido de responderem. Inclinei-me então a sondar o universo total, pois ainda que fossem previsíveis recusas em responder, poderia obter um conjunto de respostas mais substancial, que me permitisse fazer um diagnóstico mais preciso do panorama actual da Literatura Filatélica Portuguesa. Foi assim que, em finais de Outubro, enviei o inquérito a cerca de seis dezenas de individualidades, entre Escritores, Jornalistas e Editores Filatélicos, bem como ao Presidente da Associação de Comerciantes Filatélicos. A recolha de dados em tempo útil, levou-me a solicitar que as respostas me fossem enviadas até ao passado dia 15 de Novembro. Do universo total, responderam cerca de metade dos
inquiridos, resultado que se pode considerar satisfatório. Foi com base na
interpretação das respostas ao inquérito que trace o diagnóstico da
situação. |
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Por outro lado, há que distinguir entre imprensa filatélica periódica e livros. Assim, se atendermos que a imprensa filatélica periódica, nacional ou estrangeira, à venda nos quiosques e nas bancas de jornais e revistas é nula, que as colunas e secções filatélicas na imprensa de grande tiragem são em número de três e com impacto duvidoso, que a rádio nacional só tem um programa de Filatelia e que as rádios regionais têm sido pouco aproveitadas, que a televisão não faz referências à Filatelia a não ser a propósito de alguma emissão filatélica ou de qualquer leilão mais espectacular, se atendermos a tudo isto, só podemos ser pessimistas. E o pessimismo reforça-se quando se constata não existirem entidades disponíveis e capazes para lançar uma publicação periódica de grande tiragem, economicamente rentável. O panorama ao nível da imprensa periódica dos Clubes é mais animador, pois é razoável, ainda que o conteúdo seja na generalidade maioritariamente informativo, ainda que com um ou outro artigo de estudo, alguns deles com continuidade. Abundam os artigos de História Postal, de Filatelia Tradicional e de Inteiros Postais e escasseiam os referentes às outras especialidades. Os Clubes fazem a distribuição da sua imprensa periódica aos associados por via postal e só alguns Comerciantes Filatélicos têm à venda alguma imprensa dos Clubes, que não toda. Deste modo, a imprensa periódica dos Clubes circula entre nós dentro de círculos muito fechados, que são as agremiações filatélicas e seus associados e pouco mais. Apesar de tudo, reconhece-se que a imprensa periódica dos Clubes desempenha um papel importante como fonte de informação e formação, principalmente para aqueles que dispondo de menor cultura filatélica, com a sua leitura vêem aumentados os seus conhecimentos. À excepção da Maximafilia não existem Clubes especializados na maioria esmagadora das Classes Filatélicas, pelo que também não existem publicações periódicas especializadas nessas Classes. A situação da imprensa periódica dos Clubes é de subsistência, fruto da muita "carolice" e esforço abnegado de "meia - dúzia" de filatelistas. A periodicidade vai de bimensal a anual e incerta e o número de páginas é relativamente reduzido. A nível de autores, estes são em número reduzido e com colaboração pouco diversificada. Além disso, há filatelistas que embora desenvolvendo estudos no decurso dos anos, o que é patente nas suas participações filatélicas, não escrevem e não publicam nem artigos de investigação, nem livros. Também o custo de produção da imprensa periódica filatélica é um obstáculo que os Clubes enquanto Editores têm que enfrentar. A nível de livros, constata-se o facto de
alguns Escritores Filatélicos não darem sinal de si e poucos se
abalançarem a escrever livros. Existe uma ausência quase total de Editoras
que invistam em obras filatélicas. A edição de livros filatélicos é
escassa, mas os livros são em geral de qualidade. Poucos autores estão
dispostos a correr os riscos de edição, embora haja excepções. As obras
são vendidas nas casas filatélicas ou directamente pelo Editor. Algumas
podem também ser adquiridas através do "Clube dos Coleccionadores" dos
Correios de Portugal. Raramente estão à venda nas
livrarias.77 |
2.2. A LITERATURA FILATÉLICA PORTUGUESA NUM CONTEXTO MUNDIAL Por um lado, esta questão teve de ser equacionada em termos de produção filatélico - literária e em termos editoriais e, só depois, em termos exposicionais, considerando a Literatura Filatélica como Classe F.I.P. Em primeiro lugar, há que ter em conta que existe uma correlação entre desenvolvimento económico e disponibilidade para a cultura, mais precisamente, para as despesas com a cultura. Por isso os nossos termos de comparação só podem ser os países considerados pela O.C.D.E. e pela O.N.U. como desenvolvidos. Em segundo lugar, para procurar situar a Literatura Filatélica Portuguesa num contexto mundial, há que primeiro fazer a distinção entre obras de Filatelia pura (livros e estudos) e revistas. No que respeita a obras de Filatelia pura (livros e estudos), a Literatura Filatélica Portuguesa ocupa um lugar muito modesto no contexto mundial, não só em relação ao número de obras de qualidade que são produzidas, como em termos do número total de títulos publicados. Salvo honrosas excepções constituídas por alguns estudos de Filatelia Tradicional e História Postal, a Literatura Filatélica Portuguesa é quase insignificante, tendo em conta que há países com bibliotecas filatélicas riquíssimas. Basta ver os numerosos títulos que surgem nos catálogos das grandes casas filatélicas, para nos apercebermos da pobreza da nossa Literatura Filatélica. Além disso, é pouco conhecida além – fronteiras, devido não só à sua pouca divulgação, como pela dificuldade linguística. No que respeita a publicações periódicas, a situação não é assim tão má em termos numéricos, uma vez que existem 12 Clubes com revistas próprias. São elas: Boletim da Associação Portuguesa de Maximafilia, Boletim do Clube Filatélico de Portugal, Cábula Filatélica, CIMAX – Boletim Informativo, Correio do Alentejo, A Filatelia Portuguesa, Jornal de Filatelia, Mensageiro Filatélico, Notícias Filatélicas, Notícias "Os Maximafilistas Portugueses", Selos e Moedas e, O Timbre. A própria F.P.F. - A.P.D. tem a revista "Filatelia Lusitana", o que por exemplo não acontece com Espanha. O panorama é diferente se atendermos ao conteúdo destas publicações. É que o espaço reservado a estudos e artigos especializados de investigação é diminuto na maioria destas publicações, nas quais a parte de leão do espaço é reservada a artigos de informação e por vezes de contra-informação, bem como a artigos de política e por vezes de baixa política filatélica, para não falar de artigos soezes que visam atingir determinadas pessoas. Ora, isto é fruto de uma crise de valores no panorama filatélico nacional, fruto de alguns que não sabem ocupar o seu lugar sem atropelos, respeitando o dos outros e as instituições filatélicas a que pertencem, porque não perceberam que só assim será igualmente respeitada a sua dignidade e a posição a que têm direito por mérito próprio. Naturalmente que tal crise de valores tem reflexos também a nível da Literatura Filatélica. Muitos dos nossos Jornalistas e Escritores Filatélicos não participam com os seus trabalhos em exposições mundiais F.I.P. e dos poucos que publicam livros só um número muito diminuto é que participa. Na classe de Literatura Filatélica, as classificações
obtidas por participações portuguesas em exposições mundiais F.I.P. fica
muito aquém das classificações obtidas por participações estrangeiras,
assim como fica muito aquém das classificações obtidas por participações
portuguesas de outras classes
filatélicas. |
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Actualmente, os incentivos aos Jornalistas e Escritores Filatélicos traduzem-se apenas pelo apoio financeiro dos Correios de Portugal à publicação da imprensa filatélica periódica dos Clubes e a um ou outro livro, bem como aos Prémios de Mérito Filatélico - Literário atribuídos anualmente pela F.P.F. - A.P.D. Mas os subsídios, por si só, não fazem os Escritores nem os Jornalistas, nem melhoram a qualidade daqueles que a não têm. É óbvio que não é possível fabricar Jornalistas e Escritores Filatélicos. Eles apenas surgirão ao fim de um trabalho aturado, sustentado, que começará nos bancos da escola. Naturalmente que com os actuais incentivos, a Literatura Filatélica é fruto do absoluto voluntariado e "carolice" dos nossos Escritores e Jornalistas Filatélicos, com a frequência dependente da disponibilidade destes. Em Portugal há ainda muito por fazer e muitas fontes por explorar nos mais diversos domínios, por parte dos estudiosos que não desdenhem arregaçar as mangas e atirar-se ao trabalho. Assim, haja incentivo para isso. Há filatelistas avançados que não põem por escrito os seus conhecimentos, muitas vezes resultado de longas investigações, as quais, por vezes, se perdem irremediavelmente. Há também filatelistas que reservam só para si, quer o que sabem, quer os elementos de que dispõem, fruto das suas pesquisas ou das pesquisas de outros, às quais tiveram a felicidade de ter acesso. Estamos perante uma questão de natureza eminentemente social, com contornos de princípios e de educação de base, pelo que a resolução do problema não é fácil, nem rápida. Falta-nos uma grande revista, de âmbito nacional,
independente dos Clubes, que se impusesse no contexto filatélico nacional,
pelo rigor, pela oportunidade, pela actualidade e pela qualidade dos
assuntos tratados. Provavelmente teria mercado junto dos filatelistas
portugueses, e daria um forte contributo para o grande salto da Literatura
Filatélica Portuguesa. |
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A operacionalidade daqueles regulamentos exige o seu
carácter dinâmico, que é o mesmo que dizer a sua actualização permanente
de modo a dar resposta às novas formas de criação e produção
filatélico-literária. Torna-se assim imperioso que a Comissão F.I.P. de
Literatura Filatélica reconheça que uma página Web da Internet constitui
uma forma específica de Literatura Filatélica, equiparável a uma revista
sempre disponível para ser lida. Torna-se igualmente imperioso fazer
passar a mensagem de que o suporte magnético não altera a natureza
substancial do processo de comunicação escrita, mas que apenas lhe confere
outras formas e outros canais de comunicação. Enquanto esta mensagem não
for apreendida, continuaremos filatelicamente na pré-história da revolução
tecnológica em que participamos. Naturalmente que uma página Web tem
especificidades em relação aos outros tipos de Literatura Filatélica, daí
a necessidade de a regulamentação F.I.P. se actualizar, visando a
avaliação de páginas Web na
Internet. |
2.5. ASSUNTOS RELEVANTES E/OU CONTROVERSOS SOBRE OS QUAIS A FILATELIA PORTUGUESA DEVE ASSUMIR UMA POSIÇÃO CLARA NO SEIO DA COMISSÃO F.I.P. DE LITERATURA FILATÉLICA
Há participações da Classe de Literatura Filatélica superiores a outras participações de outras classes, mas não se tem conhecimento de uma única participação da Classe de Literatura ter ganho alguma vez um Grande Prémio. E decerto que também é diminuto o número de participações da Classe de Literatura Filatélica que ganharam uma medalha de ouro. O tempo que o Júri dispõe para analisar as participações da Classe de Literatura Filatélica é escasso. Na maior parte dos casos, mesmo dispondo do dobro de Jurados e do dobro do tempo, continuaria a haver, na mesma, muita dificuldade em realizar um trabalho sério. Foi o que se passou, por exemplo, na "IBRA 99" em que o número de participações da Classe de Literatura foi de 615. Nestas condições, as obras são classificadas "ao quilo". A sua volumetria, uma boa encadernação, a policromia na sua totalidade, um Jurado actuante do país, são factores decisivos para uma boa classificação, independentemente dos critérios "Tratamento dos assuntos", "Originalidade, importância e profundidade da pesquisa" e "Aspectos técnicos". Para as publicações periódicas verifica-se o mesmo. Uma publicação periódica que obtenha bronze e que o seu conteúdo não valha mais que isso, pode obter facilmente prata se apresentar os dois anos de publicação com uma boa encadernação. Da análise dos palmarés das Exposições Mundiais F.I.P. ressalta as fracas classificações obtidas pelas participações portuguesas de Literatura Filatélica, comparativamente a participações portuguesas doutras classes. E independentemente de em termos relativos podermos ser mais fortes noutras classes, o que se passa é que os Jurados estrangeiros revelam um desconhecimento total da Língua Portuguesa , pelo que julgam os trabalhos ou pela capa, ou pelo colorido das páginas ou ainda pelo papel e pelo aspecto gráfico, fruto do poder económico dos Editores. Quanto ao conteúdo, nada, pois só dominam, o francês e/ou o inglês, duas das línguas F.I.P.. A manter-se este condicionalismo, só a publicação de trabalhos bilingues ou trilingues, sendo uma das línguas, obviamente F.I.P., poderá impedir que as participações portuguesas de Literatura Filatélica, não saiam maltratadas de certames internacionais e a Filatelia Portuguesa saia dignificada também na classe de Literatura. Mas será que não há outro caminho? É caso para perguntar como é que é possível avaliar Literatura Filatélica em toda e qualquer língua, quando os Jurados só sabem, na melhor das hipóteses, algumas? E deve ser muito claro que privilegiar uma língua (inglês) ou algumas (línguas F.I.P.) seria em termos de Literatura Filatélica um erro grave, na medida em que a promoção da Filatelia em qualquer país, se faz através do uso da língua nativa. Ora, sendo a Língua Portuguesa uma das línguas mais faladas do mundo, não deveria ser considerada uma língua F.I.P., apesar das debilidades da Filatelia nos espaços de Língua Portuguesa? Por outro lado, deverá ser posto à discussão o que é que deve ser considerado Literatura Filatélica e o que é que não deve ser. É que há trabalhos (catálogos de emissões e de leilões) que são do âmbito da Literatura Filatélica, talvez para servir os interesses de alguns Comerciantes Filatélicos e que, eventualmente, poderiam não fazer parte. Assim como há trabalhos que ainda não fazem parte da Literatura Filatélica e que deveriam fazer, como é o caso das páginas Web da Internet, que desempenham um papel importante na divulgação da Filatelia e em relação às quais não existe ainda regulamentação F.I.P. aplicável. Outro assunto a merecer estudo aprofundado é a questão de determinação do âmbito das participações de Literatura Filatélica, isto é, saber se estas se referem apenas à comercialização dos selos, seus derivados e demais fórmulas de franquia, ou se pelo contrário, devem ser estudos filatélicos independentes da comercialização dos selos, seus derivados e demais fórmulas de franquia ou ambas as coisas. É que há que separar as águas, incentivando o filatelista estudioso a escrever sobre Filatelia. De resto, como já foi dito anteriormente, constata-se a necessidade de por parte da Comissão F.I.P. de Literatura Filatélica, existir uma maior clarificação dos critérios de avaliação, bem como uma aferição de critérios de avaliação entre Jurados Nacionais por um lado e Jurados Internacionais F.I.P., por outro. Também como já foi dito atrás, sente-se que a operacionalidade dos regulamentos F.I.P. exige o seu carácter dinâmico, que é o mesmo que dizer a sua actualização permanente de modo a dar resposta a novas formas de criação e produção filatélico - literária como as páginas Web da Internet. Há ainda o entendimento de que a F.I.P. deveria
disponibilizar meios para a publicação de trabalhos especializados de
investigação filatélica. |
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Deste modo, as condições de trabalho dos Jurados de Literatura Filatélica são más em Portugal, uma vez que se lhes torna difícil fazer um juízo tão correcto quanto possível do material apresentado, tendo em conta que o tempo de que dispõem no decurso de uma exposição é exíguo para que possibilite uma leitura atenta e circunstanciada das participações submetidas a competição. Tal facto é agravado com a circunstância de que numa dada exposição, qualquer Jurado de Literatura Filatélica acumula geralmente o julgamento desta classe com outra. Com efeito, os Jurados de Literatura julgam também outras classes. A saber: António Silva Gama (Filatelia Temática e Juventude), Eurico Lage Cardoso (Maximafilia), José Manuel Castanheira da Silveira (Filatelia Tradicional, Filatelia Temática e Selos Fiscais), Manuel Portocarrero (Inteiros Postais e Juventude) e Vítor dos Santos Falcão (Filatelia Temática). Persiste assim a ideia de que a Literatura Filatélica é
uma parente pobre da Filatelia, uma espécie de classe filatélica de 2ª
categoria, o que desencoraja Jornalistas e Escritores
Filatélicos. |
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Por outro lado, constata-se a dificuldade da missão dos Jurados de Literatura Filatélica, sobretudo em Exposições Mundiais F.I.P., uma vez que lhes é exigido que possam avaliar Literatura Filatélica em toda e qualquer língua, quando na melhor das hipóteses, só sabem algumas. Consta-se mesmo a gravidade da situação, que consiste em um número reduzido de Jurados, dominando um número restrito de línguas e apenas algumas técnicas, ser solicitado a avaliar tantas formas diferentes de Literatura em tantos idiomas. Por outro lado, julga-se que a solução deste problema não
passará por, em termos de Literatura Filatélica, privilegiar uma língua
(inglês) ou algumas línguas F.I.P., o que constituiria um erro grave, na
exacta medida que a promoção da Filatelia num dado país, é feita através
do uso da língua nativa. |
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O panorama global da Literatura Filatélica Portuguesa não é famoso, o que não é devido a nenhuma questão atávica dos Jornalistas e Escritores Filatélicos nacionais, mas apenas à falta de condições objectivas para o desenvolvimento da Filatelia em geral e para o exercício da Literatura Filatélica em particular. Tal falta de condições objectivas é culpa de todos nós, pelo que cada um de nós, independentemente da posição que ocupa dentro desta cadeia complexa que é a Filatelia organizada, terá que assumir a sua quota parte de responsabilidade na superação da crise. Assim cabe aos Clubes:
Finalmente, em relação aos Jornalistas e Escritores
Filatélicos, sem os quais também não há Literatura
Filatélica, impõe-se que, em primeiro lugar, para além de palavras de
natural incentivo e reconhecimento pelo trabalho realizado, não se deixe
de exprimir a esperança de que cada vez mais as revistas filatélicas
deixem de ser palco de agressões verbais a pessoas e passem a ser cada vez
mais o reflexo da capacidade de investigação e estudo do seu corpo
redactorial. De resto, o desempenho da função de Jornalista e de Escritor
Filatélico podia ser valorizado através da constituição de uma
"Associação Portuguesa de Jornalistas e Escritores
Filatélicos", cuja necessidade de criação vem sendo sentida
e cujos objectivos poderiam ser entre
outros:
Essa vai ser uma batalha sem quartel, que o Delegado F.I.P. terá de travar junto da Comissão F.I.P. de Literatura Filatélica. Para isso precisa de todo o apoio da Direcção da F.P.F. - A.P.D., de todos os filatelistas em geral e dos Jornalistas e Escritores Filatélicos em particular. Todas as achegas serão bem-vindas. Todos os contributos serão preciosos. Para já há que delinear a estratégia adequada, a qual passa por estabelecer pontes com outros países, no sentido de apoiarem as nossas pretensões: a afirmação por direito próprio, da Língua Portuguesa , uma das línguas mais faladas do mundo, como língua F.I.P. Por sua vez, os Correios de Portugal, que são o estabelecimento emissor e que conjuntamente com os Comerciantes Filatélicos são quem mais lucra com a promoção e o desenvolvimento da Filatelia, deviam assumir de uma vez por todas e em mais alto grau, as suas responsabilidades neste domínio. Existe a convicção de que a Direcção de Filatelia dos Correios de Portugal devia pôr ao serviço da Filatelia pura (livros e estudos), os mesmos meios editoriais que põe ao serviço da publicação da revista "Clube do Coleccionador" e dos livros publicados nas séries "Dispersus", "Colecção Descobrir" e "Portugal em Selos". Destas publicações, a revista é uma revista de qualidade, virada para o coleccionismo e respectivos aspectos comerciais, mas onde infelizmente, são poucos os artigos que podem ser considerados como sendo Literatura Filatélica. Quantos aos livros, apesar da sua qualidade literária, estética e editorial, não podem ser considerados como Literatura Filatélica, tendo em conta o conceito de Literatura Filatélica veiculado pelo S.R.E.V. da F.I.P.. De resto, os Correios de Portugal deveriam isentar de franquia ou pelo menos conceder portes bonificados às publicações filatélicas não comerciais, como acontece noutros países.. Também os Comerciantes Filatélicos lucram com a promoção e o desenvolvimento da Filatelia, pelo que devem ser efectuadas diligências pela Direcção da F.P.F. - A.P.D., junto do respectivo órgão de classe – a Associação de Comerciantes Filatélicos - visando levá-los a assumir a sua quota parte de responsabilidade no financiamento editorial, com vista ao desejado salto qualitativo e quantitativo da Literatura Filatélica Portuguesa, contribuindo eles também para o prestígio da Filatelia Nacional, aquém e além fronteiras. Quanto ao Ministério da Cultura, que até à presente data tem mantido uma atitude autista em relação à Filatelia organizada, deve a Direcção da F.P.F. - A.P.D., continuar a batalhar, visando o apoio deste ministério à Filatelia em geral e a projectos editoriais em particular. Devem, finalmente ser envidados todos os esforços e estabelecidas todas as pontes possíveis, em todas as direcções, visando a criação de uma publicação filatélica de grande tiragem, virada para o grande público, capaz de conquistar um espaço e de se impor a um público relativamente amplo e que também possa contribuir, de forma significativa, para inverter o panorama da Literatura Filatélica Nacional. |