Hernâni Matos

Inteiros Postais de Portugal

mm


FEDERAÇÃO PORTUGUESA DE FILATELIA – ASSOCIAÇÃO PROMOTORA DE DESPORTO


SITUAÇÃO ACTUAL

DA LITERATURA FILATÉLICA PORTUGUESA

Relatório do inquérito realizado pelo Delegado da F.P.F. - A.P.D.

à Comissão F.I. P. de Literatura Filatélica


Hernâni António Carmelo de Matos

Estremoz, Janeiro de 2000




Este trabalho só foi possível graças à cooperação desinteressada de quantos – Jornalistas, Escritores e Editores Filatélicos – sentiram motivação e manifestaram disponibilidade para responder ao inquérito em boa hora realizado.

Àqueles que por um motivo ou por outro não quiseram ou não puderam responder ao inquérito, ficam abertas as portas no sentido de connosco terçarem armas em defesa da nossa dama: a Literatura Filatélica!

A nossa mensagem final é a de que todos não somos demais para unirmos esforços sincronizados, visando conduzir a nossa classe filatélica ao plano a que tem pleno direito – o de uma classe filatélica como as outras, mas com o valor acrescido de ser indispensável ao fomento, à didáctica e ao desenvolvimento das demais.


O Delegado da F.P.F. - A.P.D. à Comissão F.I.P. de Literatura Filatélica




SITUAÇÃO   ACTUAL   DA     LITERATURA     FILATÉLICA     PORTUGUESA 
1. Introdução
2. Diagnóstico da situação
2.1. Balanço do panorama actual da Literatura Filatélica Portuguesa
2.2. A Literatura Filatélica Portuguesa num contexto mundial
2.3. O salto qualitativo e quantitativo da Literatura Filatélica Portuguesa
2.4. O SREV e as Guidelines da F.I.P. usados na avaliação de participações de Literatura Filatélica
2.5. Assuntos relevantes e/ou controversos sobre os quais a Filatelia Portuguesa deve assumir uma posição clara no seio da Comissão F.I.P. de Literatura Filatélica
2.6. As condições de trabalho habituais dos Jurados de Literatura Filatélica em Portugal
2.7. A actuação dos Jurados Portugueses de Literatura Filatélica
3. Medidas a tomar




1. INTRODUÇÃO


Em finais de Setembro de 1999, fui convidado pelo Presidente da Direcção da F.P.F. - A.P.D. para o desempenho do cargo de Delegado à Comissão F.I.P. de Literatura Filatélica, em substituição do anterior Delegado, Aníbal Queiroga, o qual por motivos de saúde não mostrara disponibilidade para se deslocar a futuras reuniões daquela Comissão.

Consciente das dificuldades da missão que me estava a ser confiada, mas consciente também do imperativo inescapável de bem servir a Filatelia Portuguesa nas sua múltiplas frentes, dispus-me a aceitar o desafio que me era lançado. Assim, no início de Outubro de 1999, dei conta ao Presidente da Direcção da F.P.F. - A.P.D. da minha disponibilidade para o desempenho do cargo para o qual fora convidado. Mais, declarei sentir-me muito honrado com a confiança que em mim era depositada, bem como tudo faria para continuar a ser merecedor dessa confiança, dentro do espírito do Regulamento dos Delegados F.I.P., conjugado com a lealdade devida à Direcção da F.P.F. - A.P.D..

A aceitação do cargo de Delegado da F.P.F. - A.P.D. à Comissão F.I.P. de Literatura Filatélica ocorreu na óptica de desempenho da missão de bem servir a Filatelia Portuguesa.

A meu ver, o desempenho do cargo exigia à partida a satisfação de três quesitos:


  • Necessidade de traçar um quadro do panorama actual da literatura filatélica portuguesa;

  • Necessidade de um levantamento das questões mais relevantes e/ou controversas sobre as quais a Filatelia Portuguesa deve ter uma posição clara no seio da Comissão F.I.P. de Literatura Filatélica;

  • Necessidade de elaborar propostas a submeter à homologação prévia da Direcção da F.P.F. - A.P.D. que visem os interesses e os pontos de vista da Filatelia Portuguesa no seio da Comissão F.I.P. de Literatura Filatélica;


Daí que tenha elaborado um inquérito a efectuar junto de Jurados de Literatura Filatélica, Jornalistas, Escritores, Editores e Associação de Comerciantes Filatélicos.

O inquérito constava de dez questões, distribuídas por quatro áreas, assim diferenciadas:


  • ÂMBITO EDITORIAL E AUTORIAL

    1. Qual o balanço que faz do panorama actual da Literatura Filatélica Portuguesa?

    2. Como situa a Literatura Filatélica Portuguesa num contexto mundial?

    3. Quais são, na sua opinião, as medidas a tomar e por quem, visando um salto qualitativo e quantitativo da Literatura Filatélica Portuguesa?

  • ÂMBITO REGULAMENTAR

    1. Qual a sua opinião sobre o SREV e as Guidelines da F.I.P., usados na avaliação de participações de Literatura Filatélica?

    2. Quais são na sua opinião, os assuntos mais relevantes no âmbito da Literatura Filatélica, cuja discussão se deve processar no seio da respectiva Comissão F.I.P.?

    3. Quais são na sua opinião, os assuntos mais controversos sobre os quais a Filatelia Portuguesa deve assumir uma posição clara no seio da Comissão F.I.P. de Literatura Filatélica?

  • ÂMBITO DA AVALIAÇÃO

    1. (SÓ PARA JURADOS DE LITERATURA) – Como encara as condições de trabalho habituais dos Jurados de Literatura Filatélica?

    2. (SÓ PARA ESCRITORES, JORNALISTAS E EDITORES) – Como encara a actuação dos Jurados de Literatura Filatélica?

  • OBSERVAÇÕES

    1. Na sua opinião, considera haver questões pertinentes no domínio da Literatura Filatélica, cuja formulação não foi aqui aflorada?

    2. Em caso afirmativo, quais?



    Vejamos qual foi a metodologia seguida na recolha de respostas, pois na realização de um inquérito há que optar à partida entre dois procedimentos alternativos: realização do inquérito junto de todo o universo sobre o qual incide ou realização do inquérito por amostragem.

    Normalmente, considera-se que é inviável utilizar o primeiro procedimento e que além disso é mais cómodo utilizar o segundo. Daí que em geral, se opte por este último procedimento.

    Desde o início que perfilhei a firme convicção que através da amostragem corria o risco de obter um reduzido nível de respostas, em virtude de uma possível evasão dos inquiridos no sentido de responderem. Inclinei-me então a sondar o universo total, pois ainda que fossem previsíveis recusas em responder, poderia obter um conjunto de respostas mais substancial, que me permitisse fazer um diagnóstico mais preciso do panorama actual da Literatura Filatélica Portuguesa. Foi assim que, em finais de Outubro, enviei o inquérito a cerca de seis dezenas de individualidades, entre Escritores, Jornalistas e Editores Filatélicos, bem como ao Presidente da Associação de Comerciantes Filatélicos. A recolha de dados em tempo útil, levou-me a solicitar que as respostas me fossem enviadas até ao passado dia 15 de Novembro.

    Do universo total, responderam cerca de metade dos inquiridos, resultado que se pode considerar satisfatório. Foi com base na interpretação das respostas ao inquérito que trace o diagnóstico da situação.




    2. DIAGNÓSTICO DA SITUAÇÃO


    2.1. BALANÇO DO PANORAMA ACTUAL DA LITERATURA FILATÉLICA PORTUGUESA

    Por um lado, para fazer um balanço do panorama actual da Literatura Filatélica Portuguesa há que ter em conta um certo número de indicadores: o acesso que têm à Literatura Filatélica, além dos filatelistas associados em Clubes, o grande público, os potenciais filatelistas, a juventude e os que juntam simplesmente selos. A satisfação que conseguem esses leitores anónimos será um indicador complementar. O número de livros publicados anualmente, o número de publicações periódicas, a sua periodicidade, as tiragens, a participação em exposições competitivas e as classificações obtidas, etc. são outros indicadores, ainda que secundários.

    Por outro lado, há que distinguir entre imprensa filatélica periódica e livros.

    Assim, se atendermos que a imprensa filatélica periódica, nacional ou estrangeira, à venda nos quiosques e nas bancas de jornais e revistas é nula, que as colunas e secções filatélicas na imprensa de grande tiragem são em número de três e com impacto duvidoso, que a rádio nacional só tem um programa de Filatelia e que as rádios regionais têm sido pouco aproveitadas, que a televisão não faz referências à Filatelia a não ser a propósito de alguma emissão filatélica ou de qualquer leilão mais espectacular, se atendermos a tudo isto, só podemos ser pessimistas.

    E o pessimismo reforça-se quando se constata não existirem entidades disponíveis e capazes para lançar uma publicação periódica de grande tiragem, economicamente rentável.

    O panorama ao nível da imprensa periódica dos Clubes é mais animador, pois é razoável, ainda que o conteúdo seja na generalidade maioritariamente informativo, ainda que com um ou outro artigo de estudo, alguns deles com continuidade. Abundam os artigos de História Postal, de Filatelia Tradicional e de Inteiros Postais e escasseiam os referentes às outras especialidades.

    Os Clubes fazem a distribuição da sua imprensa periódica aos associados por via postal e só alguns Comerciantes Filatélicos têm à venda alguma imprensa dos Clubes, que não toda. Deste modo, a imprensa periódica dos Clubes circula entre nós dentro de círculos muito fechados, que são as agremiações filatélicas e seus associados e pouco mais. Apesar de tudo, reconhece-se que a imprensa periódica dos Clubes desempenha um papel importante como fonte de informação e formação, principalmente para aqueles que dispondo de menor cultura filatélica, com a sua leitura vêem aumentados os seus conhecimentos.

    À excepção da Maximafilia não existem Clubes especializados na maioria esmagadora das Classes Filatélicas, pelo que também não existem publicações periódicas especializadas nessas Classes.

    A situação da imprensa periódica dos Clubes é de subsistência, fruto da muita "carolice" e esforço abnegado de "meia - dúzia" de filatelistas. A periodicidade vai de bimensal a anual e incerta e o número de páginas é relativamente reduzido.

    A nível de autores, estes são em número reduzido e com colaboração pouco diversificada. Além disso, há filatelistas que embora desenvolvendo estudos no decurso dos anos, o que é patente nas suas participações filatélicas, não escrevem e não publicam nem artigos de investigação, nem livros.

    Também o custo de produção da imprensa periódica filatélica é um obstáculo que os Clubes enquanto Editores têm que enfrentar.

    A nível de livros, constata-se o facto de alguns Escritores Filatélicos não darem sinal de si e poucos se abalançarem a escrever livros. Existe uma ausência quase total de Editoras que invistam em obras filatélicas. A edição de livros filatélicos é escassa, mas os livros são em geral de qualidade. Poucos autores estão dispostos a correr os riscos de edição, embora haja excepções. As obras são vendidas nas casas filatélicas ou directamente pelo Editor. Algumas podem também ser adquiridas através do "Clube dos Coleccionadores" dos Correios de Portugal. Raramente estão à venda nas livrarias.77




    2.2. A LITERATURA FILATÉLICA PORTUGUESA NUM CONTEXTO MUNDIAL

    Por um lado, esta questão teve de ser equacionada em termos de produção filatélico - literária e em termos editoriais e, só depois, em termos exposicionais, considerando a Literatura Filatélica como Classe F.I.P.

    Em primeiro lugar, há que ter em conta que existe uma correlação entre desenvolvimento económico e disponibilidade para a cultura, mais precisamente, para as despesas com a cultura. Por isso os nossos termos de comparação só podem ser os países considerados pela O.C.D.E. e pela O.N.U. como desenvolvidos.

    Em segundo lugar, para procurar situar a Literatura Filatélica Portuguesa num contexto mundial, há que primeiro fazer a distinção entre obras de Filatelia pura (livros e estudos) e revistas.

    No que respeita a obras de Filatelia pura (livros e estudos), a Literatura Filatélica Portuguesa ocupa um lugar muito modesto no contexto mundial, não só em relação ao número de obras de qualidade que são produzidas, como em termos do número total de títulos publicados. Salvo honrosas excepções constituídas por alguns estudos de Filatelia Tradicional e História Postal, a Literatura Filatélica Portuguesa é quase insignificante, tendo em conta que há países com bibliotecas filatélicas riquíssimas. Basta ver os numerosos títulos que surgem nos catálogos das grandes casas filatélicas, para nos apercebermos da pobreza da nossa Literatura Filatélica. Além disso, é pouco conhecida além – fronteiras, devido não só à sua pouca divulgação, como pela dificuldade linguística.

    No que respeita a publicações periódicas, a situação não é assim tão má em termos numéricos, uma vez que existem 12 Clubes com revistas próprias. São elas: Boletim da Associação Portuguesa de Maximafilia, Boletim do Clube Filatélico de Portugal, Cábula Filatélica, CIMAX – Boletim Informativo, Correio do Alentejo, A Filatelia Portuguesa, Jornal de Filatelia, Mensageiro Filatélico, Notícias Filatélicas, Notícias "Os Maximafilistas Portugueses", Selos e Moedas e, O Timbre. A própria F.P.F. - A.P.D. tem a revista "Filatelia Lusitana", o que por exemplo não acontece com Espanha. O panorama é diferente se atendermos ao conteúdo destas publicações. É que o espaço reservado a estudos e artigos especializados de investigação é diminuto na maioria destas publicações, nas quais a parte de leão do espaço é reservada a artigos de informação e por vezes de contra-informação, bem como a artigos de política e por vezes de baixa política filatélica, para não falar de artigos soezes que visam atingir determinadas pessoas. Ora, isto é fruto de uma crise de valores no panorama filatélico nacional, fruto de alguns que não sabem ocupar o seu lugar sem atropelos, respeitando o dos outros e as instituições filatélicas a que pertencem, porque não perceberam que só assim será igualmente respeitada a sua dignidade e a posição a que têm direito por mérito próprio. Naturalmente que tal crise de valores tem reflexos também a nível da Literatura Filatélica.

    Muitos dos nossos Jornalistas e Escritores Filatélicos não participam com os seus trabalhos em exposições mundiais F.I.P. e dos poucos que publicam livros só um número muito diminuto é que participa.

    Na classe de Literatura Filatélica, as classificações obtidas por participações portuguesas em exposições mundiais F.I.P. fica muito aquém das classificações obtidas por participações estrangeiras, assim como fica muito aquém das classificações obtidas por participações portuguesas de outras classes filatélicas.




    2.3. O SALTO QUALITATIVO E QUANTITATIVO DA LITERATURA FILATÉLICA PORTUGUESA

    O salto qualitativo e quantitativo da Literatura Filatélica Portuguesa está dependente do aperfeiçoamento e desenvolvimento da Filatelia organizada.

    Actualmente, os incentivos aos Jornalistas e Escritores Filatélicos traduzem-se apenas pelo apoio financeiro dos Correios de Portugal à publicação da imprensa filatélica periódica dos Clubes e a um ou outro livro, bem como aos Prémios de Mérito Filatélico - Literário atribuídos anualmente pela F.P.F. - A.P.D. Mas os subsídios, por si só, não fazem os Escritores nem os Jornalistas, nem melhoram a qualidade daqueles que a não têm.

    É óbvio que não é possível fabricar Jornalistas e Escritores Filatélicos. Eles apenas surgirão ao fim de um trabalho aturado, sustentado, que começará nos bancos da escola. Naturalmente que com os actuais incentivos, a Literatura Filatélica é fruto do absoluto voluntariado e "carolice" dos nossos Escritores e Jornalistas Filatélicos, com a frequência dependente da disponibilidade destes.

    Em Portugal há ainda muito por fazer e muitas fontes por explorar nos mais diversos domínios, por parte dos estudiosos que não desdenhem arregaçar as mangas e atirar-se ao trabalho. Assim, haja incentivo para isso.

    Há filatelistas avançados que não põem por escrito os seus conhecimentos, muitas vezes resultado de longas investigações, as quais, por vezes, se perdem irremediavelmente. Há também filatelistas que reservam só para si, quer o que sabem, quer os elementos de que dispõem, fruto das suas pesquisas ou das pesquisas de outros, às quais tiveram a felicidade de ter acesso. Estamos perante uma questão de natureza eminentemente social, com contornos de princípios e de educação de base, pelo que a resolução do problema não é fácil, nem rápida.

    Falta-nos uma grande revista, de âmbito nacional, independente dos Clubes, que se impusesse no contexto filatélico nacional, pelo rigor, pela oportunidade, pela actualidade e pela qualidade dos assuntos tratados. Provavelmente teria mercado junto dos filatelistas portugueses, e daria um forte contributo para o grande salto da Literatura Filatélica Portuguesa.




    2.4. O SREV E AS GUIDELINES DA F.I.P. USADOS NA AVALIAÇÃO DE PARTICIPAÇÕES DE LITERATURA FILATÉLICA

    É convicção maioritária dos inquiridos que o SREV e as Guidelines da Classe de Literatura Filatélica constituem instrumentos genericamente adequados na avaliação das participações desta classe. Apesar de tudo, constata-se a necessidade de por parte da Comissão F.I.P. de Literatura Filatélica, existir uma maior clarificação dos critérios de avaliação, bem como uma aferição de critérios de avaliação entre Jurados Nacionais por um lado e Jurados Internacionais F.I.P., por outro.

    A operacionalidade daqueles regulamentos exige o seu carácter dinâmico, que é o mesmo que dizer a sua actualização permanente de modo a dar resposta às novas formas de criação e produção filatélico-literária. Torna-se assim imperioso que a Comissão F.I.P. de Literatura Filatélica reconheça que uma página Web da Internet constitui uma forma específica de Literatura Filatélica, equiparável a uma revista sempre disponível para ser lida. Torna-se igualmente imperioso fazer passar a mensagem de que o suporte magnético não altera a natureza substancial do processo de comunicação escrita, mas que apenas lhe confere outras formas e outros canais de comunicação. Enquanto esta mensagem não for apreendida, continuaremos filatelicamente na pré-história da revolução tecnológica em que participamos. Naturalmente que uma página Web tem especificidades em relação aos outros tipos de Literatura Filatélica, daí a necessidade de a regulamentação F.I.P. se actualizar, visando a avaliação de páginas Web na Internet.




    2.5. ASSUNTOS RELEVANTES E/OU CONTROVERSOS SOBRE OS QUAIS A FILATELIA PORTUGUESA DEVE ASSUMIR UMA POSIÇÃO CLARA NO SEIO DA COMISSÃO F.I.P. DE LITERATURA FILATÉLICA


    Existe a convicção generalizada de que a Literatura Filatélica é o parente pobre da Filatelia, existindo múltiplos indicadores nesse sentido.

    Há participações da Classe de Literatura Filatélica superiores a outras participações de outras classes, mas não se tem conhecimento de uma única participação da Classe de Literatura ter ganho alguma vez um Grande Prémio. E decerto que também é diminuto o número de participações da Classe de Literatura Filatélica que ganharam uma medalha de ouro.

    O tempo que o Júri dispõe para analisar as participações da Classe de Literatura Filatélica é escasso. Na maior parte dos casos, mesmo dispondo do dobro de Jurados e do dobro do tempo, continuaria a haver, na mesma, muita dificuldade em realizar um trabalho sério. Foi o que se passou, por exemplo, na "IBRA 99" em que o número de participações da Classe de Literatura foi de 615. Nestas condições, as obras são classificadas "ao quilo". A sua volumetria, uma boa encadernação, a policromia na sua totalidade, um Jurado actuante do país, são factores decisivos para uma boa classificação, independentemente dos critérios "Tratamento dos assuntos", "Originalidade, importância e profundidade da pesquisa" e "Aspectos técnicos". Para as publicações periódicas verifica-se o mesmo. Uma publicação periódica que obtenha bronze e que o seu conteúdo não valha mais que isso, pode obter facilmente prata se apresentar os dois anos de publicação com uma boa encadernação.

    Da análise dos palmarés das Exposições Mundiais F.I.P. ressalta as fracas classificações obtidas pelas participações portuguesas de Literatura Filatélica, comparativamente a participações portuguesas doutras classes. E independentemente de em termos relativos podermos ser mais fortes noutras classes, o que se passa é que os Jurados estrangeiros revelam um desconhecimento total da Língua Portuguesa , pelo que julgam os trabalhos ou pela capa, ou pelo colorido das páginas ou ainda pelo papel e pelo aspecto gráfico, fruto do poder económico dos Editores. Quanto ao conteúdo, nada, pois só dominam, o francês e/ou o inglês, duas das línguas F.I.P.. A manter-se este condicionalismo, só a publicação de trabalhos bilingues ou trilingues, sendo uma das línguas, obviamente F.I.P., poderá impedir que as participações portuguesas de Literatura Filatélica, não saiam maltratadas de certames internacionais e a Filatelia Portuguesa saia dignificada também na classe de Literatura. Mas será que não há outro caminho?

    É caso para perguntar como é que é possível avaliar Literatura Filatélica em toda e qualquer língua, quando os Jurados só sabem, na melhor das hipóteses, algumas? E deve ser muito claro que privilegiar uma língua (inglês) ou algumas (línguas F.I.P.) seria em termos de Literatura Filatélica um erro grave, na medida em que a promoção da Filatelia em qualquer país, se faz através do uso da língua nativa. Ora, sendo a Língua Portuguesa uma das línguas mais faladas do mundo, não deveria ser considerada uma língua F.I.P., apesar das debilidades da Filatelia nos espaços de Língua Portuguesa?

    Por outro lado, deverá ser posto à discussão o que é que deve ser considerado Literatura Filatélica e o que é que não deve ser. É que há trabalhos (catálogos de emissões e de leilões) que são do âmbito da Literatura Filatélica, talvez para servir os interesses de alguns Comerciantes Filatélicos e que, eventualmente, poderiam não fazer parte. Assim como há trabalhos que ainda não fazem parte da Literatura Filatélica e que deveriam fazer, como é o caso das páginas Web da Internet, que desempenham um papel importante na divulgação da Filatelia e em relação às quais não existe ainda regulamentação F.I.P. aplicável.

    Outro assunto a merecer estudo aprofundado é a questão de determinação do âmbito das participações de Literatura Filatélica, isto é, saber se estas se referem apenas à comercialização dos selos, seus derivados e demais fórmulas de franquia, ou se pelo contrário, devem ser estudos filatélicos independentes da comercialização dos selos, seus derivados e demais fórmulas de franquia ou ambas as coisas. É que há que separar as águas, incentivando o filatelista estudioso a escrever sobre Filatelia.

    De resto, como já foi dito anteriormente, constata-se a necessidade de por parte da Comissão F.I.P. de Literatura Filatélica, existir uma maior clarificação dos critérios de avaliação, bem como uma aferição de critérios de avaliação entre Jurados Nacionais por um lado e Jurados Internacionais F.I.P., por outro.

    Também como já foi dito atrás, sente-se que a operacionalidade dos regulamentos F.I.P. exige o seu carácter dinâmico, que é o mesmo que dizer a sua actualização permanente de modo a dar resposta a novas formas de criação e produção filatélico - literária como as páginas Web da Internet.

    Há ainda o entendimento de que a F.I.P. deveria disponibilizar meios para a publicação de trabalhos especializados de investigação filatélica.




    2.6. AS CONDIÇÕES DE TRABALHO HABITUAIS DOS JURADOS DE LITERATURA FILATÉLICA EM PORTUGAL

    Em Portugal, os Jurados de Literatura Filatélica só são informados pela Comissão Organizadora de cada Exposição de quais as participações de Literatura Filatélica inscritas em cada exposição, praticamente em cima da data de abertura da mesma. O próprio "Regulamento Geral das Exposições Filatélicas Portuguesas de Competição", cria condições para que tal possa acontecer. Na verdade, no seu art. 8.12. determina que: "As participações de Literatura serão obrigatoriamente enviadas às Comissões organizadoras com dois meses de antecedência da data de abertura da exposição.", assim como "As Comissões Organizadoras deverão solicitar por escrito aos expositores o seu envio.", e "Posteriormente enviarão uma listagem das obras ao Júri de Literatura nomeado para a exposição". E é aqui que reside o cerne da questão, uma vez que o Regulamento não calendariza o prazo de entrega da referida listagem, o qual através da indefinição fica ao livre arbítrio das Comissões Organizadoras. Poderá mesmo acontecer e acontece, que os Jurados de Literatura Filatélica não conheçam e não possuam exemplares de algumas das participações de Literatura Filatélica inscritas numa dada exposição. Ora, o "Regulamento Geral das Exposições Filatélicas Portuguesas de Competição", não contém em si próprio mecanismos que determinem a obrigatoriedade de as Comissões Organizadoras enviarem aos Jurados um exemplar das participações inscritas.

    Deste modo, as condições de trabalho dos Jurados de Literatura Filatélica são más em Portugal, uma vez que se lhes torna difícil fazer um juízo tão correcto quanto possível do material apresentado, tendo em conta que o tempo de que dispõem no decurso de uma exposição é exíguo para que possibilite uma leitura atenta e circunstanciada das participações submetidas a competição. Tal facto é agravado com a circunstância de que numa dada exposição, qualquer Jurado de Literatura Filatélica acumula geralmente o julgamento desta classe com outra. Com efeito, os Jurados de Literatura julgam também outras classes. A saber: António Silva Gama (Filatelia Temática e Juventude), Eurico Lage Cardoso (Maximafilia), José Manuel Castanheira da Silveira (Filatelia Tradicional, Filatelia Temática e Selos Fiscais), Manuel Portocarrero (Inteiros Postais e Juventude) e Vítor dos Santos Falcão (Filatelia Temática).

    Persiste assim a ideia de que a Literatura Filatélica é uma parente pobre da Filatelia, uma espécie de classe filatélica de 2ª categoria, o que desencoraja Jornalistas e Escritores Filatélicos.




    2.7. A ACTUAÇÃO DOS JURADOS PORTUGUESES DE LITERATURA FILATÉLICA

    De um modo geral, a actuação dos Jurados Portugueses de Literatura Filatélica, parece ser correcta e equilibrada, na medida em que satisfaz a maioria dos Jornalistas, Escritores e Editores Filatélicos inquiridos. Apesar disso, existe a convicção generalizada que para que os Jurados possam fazer um juízo tão correcto quanto possível das participações de Literatura Filatélica, estas deviam ser do seu conhecimento e estar em seu poder com uma antecedência superior à que actualmente decorre em relação à data de abertura das exposições. Os Jurados disporiam de mais tempo para julgar as participações, evitando-se assim apreciações sumárias e feitas à pressa, que por vezes ocasionam julgamentos deficientes, que tiram o estímulo aos expositores. Devido à constatada falta de tempo para julgamento das participações de Literatura Filatélica, não admira que haja entre Escritores, Jornalistas e Editores Filatélicos quem perfilhe a ideia de que os Jurados, não cheguem, eventualmente, sequer a ler as obras, orientando-se apenas por critérios extrínsecos. Há também quem pense que a rubrica "artigos" não está a ser convenientemente apreciada tanto a nível nacional como a nível internacional.

    Por outro lado, constata-se a dificuldade da missão dos Jurados de Literatura Filatélica, sobretudo em Exposições Mundiais F.I.P., uma vez que lhes é exigido que possam avaliar Literatura Filatélica em toda e qualquer língua, quando na melhor das hipóteses, só sabem algumas. Consta-se mesmo a gravidade da situação, que consiste em um número reduzido de Jurados, dominando um número restrito de línguas e apenas algumas técnicas, ser solicitado a avaliar tantas formas diferentes de Literatura em tantos idiomas.

    Por outro lado, julga-se que a solução deste problema não passará por, em termos de Literatura Filatélica, privilegiar uma língua (inglês) ou algumas línguas F.I.P., o que constituiria um erro grave, na exacta medida que a promoção da Filatelia num dado país, é feita através do uso da língua nativa.




    3. MEDIDAS A TOMAR

    O panorama global da Literatura Filatélica Portuguesa não é famoso, o que não é devido a nenhuma questão atávica dos Jornalistas e Escritores Filatélicos nacionais, mas apenas à falta de condições objectivas para o desenvolvimento da Filatelia em geral e para o exercício da Literatura Filatélica em particular. Tal falta de condições objectivas é culpa de todos nós, pelo que cada um de nós, independentemente da posição que ocupa dentro desta cadeia complexa que é a Filatelia organizada, terá que assumir a sua quota parte de responsabilidade na superação da crise.

    Assim cabe aos Clubes:


    • Incentivar os filatelistas mais avançados a porem por escrito os seus conhecimentos, fruto da investigação e do estudo;

    • Diminuir a periodicidade da sua imprensa periódica filatélica;

    • Melhorar as publicações periódicas em termos de conteúdo, aumentando o número de artigos de estudo e com carácter formativo;

    • Procurar subsídios à Literatura Filatélica junto das autarquias locais;

    • Divulgar a sua imprensa periódica no estrangeiro, muito em particular junto dos países de Língua Portuguesa .


    Por sua vez, a Direcção da F.P.F. - A.P.D. como órgão de cúpula, representativo da Filatelia Nacional e com a responsabilidade máxima da sua dinamização, deve tomar determinadas medidas prioritárias:


    • Sensibilizar os Clubes no sentido de estes darem o seu contributo para a resolução dos problemas com que se debate a Literatura Filatélica;

    • Efectuar o levantamento dos Escritores Filatélicos que têm estudos filatélicos em curso ou em "stand by", que podem dar origem a publicações que possam contribuir efectivamente para o desejado salto qualitativo e quantitativo da Literatura Filatélica Portuguesa, contribuindo para o prestígio da Filatelia Nacional, aquém e além fronteiras;

    • Estabelecer contactos com esses Escritores, visando a apresentação de projectos Editoriais a submeter a financiamento das entidades para isso vocacionadas;

    • Incentivar os filatelistas com capacidade para desenvolverem estudos, para que se disponham a publicar o resultado das suas investigações filatélicas;

    • Criar uma estrutura de apoio e orientação aos filatelistas que possuam capacidade de produção de grandes trabalhos de Filatelia;

    • Fomentar a colaboração entre filatelistas, visando a cedência de elementos ou a observação de colecções tendo em vista valorizar e/ou completar estudos;

    • Criar outros incentivos à Literatura Filatélica para além dos Prémios de Mérito Filatélico-Literário atribuídos anualmente;

    • Estabelecer protocolos com entidades vocacionadas para o mecenato editorial (Correios de Portugal, Ministério da Cultura, etc.), visando o financiamento de projectos editorais prioritários e credíveis.

    • Assegurar a edição desses trabalhos;

    • Incentivar os Jornalistas, Escritores e Editores Filatélicos a participarem em maior número com os seus trabalhos em exposições mundiais F.I.P.


    Visando que na altura da abertura das exposições, todos os Jurados de Literatura estejam aptos a discutirem entre si, a emitirem as suas opiniões, a formularem juízos de valor e a atribuírem classificações, deve a Direcção da F.P.F. - A.P.D. :


    • Alterar o "Regulamento Geral das Exposições Filatélicas Portuguesas de Competição", de modo a que à semelhança do que dispõe a Norma 7 das "Normas Suplementares Para a Classe de Literatura Filatélica em Exposições F.I.P.", a Comissão Organizadora de cada Exposição forneça aos Jurados uma lista das inscrições de Literatura Filatélica, com pelo menos três meses de antecedência, relativamente à data de realização da Exposição;

    • Alterar o "Regulamento Geral das Exposições Filatélicas Portuguesas de Competição", de modo que este preveja a situação que sempre que um Jurado o requeira e imediatamente após tal solicitação, as Comissões Organizadoras das exposições, fiquem vinculadas ao envio de um exemplar das participações inscritas, que não sejam do conhecimento do Jurado ou de que este não possua exemplar;


    Visando também uma maior clarificação e aferição de critérios de avaliação entre Jurados Nacionais, deve a Direcção da F.P.F. - A.P.D., sempre que as circunstâncias o aconselhem:


    • Promover Seminários de Jurados de Literatura Filatélica, bem como Colóquios de Literatura Filatélica, abertos a Jornalistas, Escritores e Editores Filatélicos.


    A Comissão F.I.P. de Literatura Filatélica, a Direcção da F.P.F. - A.P.D. e o Delegado F.I.P. de Literatura Filatélica, deverão tomar medidas conducentes a dignificar a Literatura Filatélica como classe de competição. Nesse sentido, o Delegado F.I.P. de Literatura Filatélica entende que deve ter o apoio da Direcção da F.P.F. - A.P.D., no sentido de junto da Comissão F.I.P. de Literatura Filatélica propor:


    • O reconhecimento da Língua Portuguesa como língua F.I.P.;

    • A clarificação dos critérios de avaliação, bem como uma aferição de critérios de avaliação entre Jurados Internacionais F.I.P.;

    • A adequação urgente da regulamentação F.I.P., de modo a ajustá-la à avaliação de páginas Web da Internet;

    • A realização de Exposições Mundiais F.I.P. de Literatura Filatélica, com mais frequência;

    • A revogação da Norma 7 das "Normas Suplementares Para a Classe de Literatura Filatélica em Exposições F.I.P. " que de uma forma discriminatória em relação às outras classes, determina que "As participações de Literatura Filatélica terão gravada, quer de forma abreviada quer por extenso, a palavra "Literatura"";

    • A análise de relatórios enviados à Comissão F.I.P. de Literatura Filatélica, pelos Delegados F.I.P., dando conta do panorama da Literatura Filatélica em cada país membro;

    • Uma discussão, visando encontrar soluções para os diversos problemas em cada país, nomeadamente o levantamento da necessidade de publicações e o apoio a projectos de trabalhos especializados de investigação;

    • Fomento do intercâmbio de estudos, trabalhos especializados, artigos, etc. de interesse para a Filatelia de outros países, facilitando a sua publicação nesses outros países;

    • Uma campanha visando a dignificação das obras e estudos filatélicos, com exclusão das de carácter comercial (caso dos Catálogos Comerciais), definindo com exactidão o âmbito das obras publicadas com o seu apoio, tendo em vista o estudo filatélico puro (Hist6ria Postal, Filatelia Tradicional, Inteiros Postais, etc.).


    Em relação aos filatelistas que ao longo do desenvolvimento das suas colecções têm realizado estudos e investigações, há que solicitar, que partilhem as suas descobertas, dispondo-se a apresentar projectos para financiamento editorial e colaborando com artigos nas revistas filatélicas Portuguesas.

    Finalmente, em relação aos Jornalistas e Escritores Filatélicos, sem os quais também não há Literatura Filatélica, impõe-se que, em primeiro lugar, para além de palavras de natural incentivo e reconhecimento pelo trabalho realizado, não se deixe de exprimir a esperança de que cada vez mais as revistas filatélicas deixem de ser palco de agressões verbais a pessoas e passem a ser cada vez mais o reflexo da capacidade de investigação e estudo do seu corpo redactorial. De resto, o desempenho da função de Jornalista e de Escritor Filatélico podia ser valorizado através da constituição de uma "Associação Portuguesa de Jornalistas e Escritores Filatélicos", cuja necessidade de criação vem sendo sentida e cujos objectivos poderiam ser entre outros:


    • Velar pela difusão de uma informação honesta e verdadeira;

    • Defender a honestidade e a integridade da Filatelia contra as falsificações, as especulações, as emissões abusivas e tudo o que possa ser nocivo à Filatelia;

    • Congregar os Jornalistas, os Escritores filatélicos e a imprensa filatélica portuguesa e defender os seus interesses;

    • Apoiar a cooperação entre os órgãos da imprensa filatélica através da permuta e da tradução de artigos e da sua difusão;

    • Incentivar a edição de originais de trabalhos de estudo e investigação filatélica de interesse reconhecido, encontrando-lhe Editores e promovendo a sua venda;

    • Editar um anuário da imprensa filatélica portuguesa;

    • Revalorizar a Literatura Filatélica nas exposições;


    Impõe–se em segundo lugar a recomendação de que os nossos Jornalistas e Escritores Filatélicos participem em maior número com os seus trabalhos em exposições mundiais F.I.P.. Naturalmente, que a qualidade dos conteúdos, dos aspectos técnicos e da apresentação, serão indispensáveis para a obtenção de galardões elevados, se conseguirmos derrubar a barreira da língua.

    Essa vai ser uma batalha sem quartel, que o Delegado F.I.P. terá de travar junto da Comissão F.I.P. de Literatura Filatélica. Para isso precisa de todo o apoio da Direcção da F.P.F. - A.P.D., de todos os filatelistas em geral e dos Jornalistas e Escritores Filatélicos em particular. Todas as achegas serão bem-vindas. Todos os contributos serão preciosos. Para já há que delinear a estratégia adequada, a qual passa por estabelecer pontes com outros países, no sentido de apoiarem as nossas pretensões: a afirmação por direito próprio, da Língua Portuguesa , uma das línguas mais faladas do mundo, como língua F.I.P.

    Por sua vez, os Correios de Portugal, que são o estabelecimento emissor e que conjuntamente com os Comerciantes Filatélicos são quem mais lucra com a promoção e o desenvolvimento da Filatelia, deviam assumir de uma vez por todas e em mais alto grau, as suas responsabilidades neste domínio. Existe a convicção de que a Direcção de Filatelia dos Correios de Portugal devia pôr ao serviço da Filatelia pura (livros e estudos), os mesmos meios editoriais que põe ao serviço da publicação da revista "Clube do Coleccionador" e dos livros publicados nas séries "Dispersus", "Colecção Descobrir" e "Portugal em Selos". Destas publicações, a revista é uma revista de qualidade, virada para o coleccionismo e respectivos aspectos comerciais, mas onde infelizmente, são poucos os artigos que podem ser considerados como sendo Literatura Filatélica. Quantos aos livros, apesar da sua qualidade literária, estética e editorial, não podem ser considerados como Literatura Filatélica, tendo em conta o conceito de Literatura Filatélica veiculado pelo S.R.E.V. da F.I.P..

    De resto, os Correios de Portugal deveriam isentar de franquia ou pelo menos conceder portes bonificados às publicações filatélicas não comerciais, como acontece noutros países..

    Também os Comerciantes Filatélicos lucram com a promoção e o desenvolvimento da Filatelia, pelo que devem ser efectuadas diligências pela Direcção da F.P.F. - A.P.D., junto do respectivo órgão de classe – a Associação de Comerciantes Filatélicos - visando levá-los a assumir a sua quota parte de responsabilidade no financiamento editorial, com vista ao desejado salto qualitativo e quantitativo da Literatura Filatélica Portuguesa, contribuindo eles também para o prestígio da Filatelia Nacional, aquém e além fronteiras.

    Quanto ao Ministério da Cultura, que até à presente data tem mantido uma atitude autista em relação à Filatelia organizada, deve a Direcção da F.P.F. - A.P.D., continuar a batalhar, visando o apoio deste ministério à Filatelia em geral e a projectos editoriais em particular.

    Devem, finalmente ser envidados todos os esforços e estabelecidas todas as pontes possíveis, em todas as direcções, visando a criação de uma publicação filatélica de grande tiragem, virada para o grande público, capaz de conquistar um espaço e de se impor a um público relativamente amplo e que também possa contribuir, de forma significativa, para inverter o panorama da Literatura Filatélica Nacional.