Hernâni Matos

Inteiros Postais de Portugal

 

O INTEIRO POSTAL E A INVESTIGAÇÃO TEMÁTICA

Eduardo Oliveira e Sousa

in Filatelia Lusitana, Lisboa, SÉRIE III, nº 5, Julho de  2002;

   
   

Os inteiros postais são documentos de valor inesgotável para os filatelistas temáticos. Neles, e principalmente nos ilustrados, encontramos os elementos básicos para o desenvolvimento das nossas colecções.

Perante o que nos é apresentado, é necessário fazer a pesquisa e a investigação temática adequada.

Dos inteiros postais apresentados, um ilustra no seu verso o percurso automobilístico do Grande Prémio do Kaiser, que se realizou em 1907 na Alemanha, uma das primeiras corridas automobilísticas efectuadas, pois que se estava nos primórdios do automobilismo. O outro inteiro postal, complementa o primeiro, com a sua obliteração comemorativa da Prova Automobilística.

 

 GRANDE PRÉMIO DO KAISER (1907)

 

Com a criação dos Clubes de Automóveis em diversos países da Europa, o desporto automóvel começou a ter mais apoios e a ser incentivado. A indústria automóvel, que suportava os custos da produção de carros especializados para as corridas, começou a sentir os efeitos publicitários que este desporto produzia junto dos possíveis compradores das suas marcas e modelos.

Estes carros eram similares àqueles que eram produzidos para o público, no entanto eram equipados com motores mais potentes e com alguns melhoramentos, para fazerem frente às exigências de uma competição.

Assim, nos primeiros anos do século XX, começaram a surgir as competições automobilísticas (provas de resistência, corridas, provas de velocidade, circuitos, grandes prémios, etc).

 

 

Fig. 1 - Inteiro Postal comemorativo (verso) - mapa assinalando o percurso automobilístico do Grande Prémio do Kaiser, efectuado nas estradas das florestas de Taunos – Alemanha - 1907.

 

 

As firmas construtoras, tais como a Fiat, Renault, Mercedes, etc, percebiam os benefícios da competição e pretendiam que se organizassem corridas no seu próprio território. Até mesmo a Grã-Bretanha, onde as corridas tinham sido proibidas, estava a construir uma pista de corridas em Brookland.

Os países que tinham as suas corridas, podiam estabelecer as suas próprias regras mediante os interesses das suas firmas automobilísticas.

Quando em 1907 o Clube Automóvel Alemão (ADAC) anunciou o Grande Prémio do Kaiser, de imediato colocou um limite de oito litros para a capacidade dos motores das viaturas que poderiam inscrever-se.

Na altura foi o mais extenso circuito que jamais fora fechado para a competição automóvel. Com cerca de 118 quilómetros de extensão, foi realizado nas estradas da floresta de Taunus (Fig. 1).

A publicidade feita a este evento, que fora apoiado e contaria com a presença do Kaiser, foi grande e originou um número considerável de inscrições. A representação alemã como era de esperar, foi numerosa e bastante forte, constituída por Benz, Mercedes, AEG e Opel, sendo uma destas viaturas conduzida pelo próprio Fritz Von Opel.

De França e de Itália chegaram os Renault e os Fiat. Inscreveram-se também algumas viaturas Pipe provenientes da Bélgica e apenas um veículo Napier britânico, conduzido pelo Lorde Glentworth.

No total, foram inscritas 92 equipas, o que motivou a organização, devido ao grande número de participantes, a estabelecer regras de funcionamento do Grande Prémio. Ficou estabelecido que haveria dois dias de provas.

No primeiro dia, 13 de Junho de 1907 {Fig. 2), seriam realizadas duas provas de qualificação. Em cada uma dessas provas, participariam metade das equipas inscritas, ou seja 46 viaturas, as quais percorreriam duas vezes o circuito. Os vinte melhores classificados de cada prova, competiriam entre si numa prova final que seria realizada no dia seguinte, 14de Junho de 1907 {Fig. 3}.

Na primeira das provas, o piloto italiano Vicenzo Lancia, conduzindo um Fiat, apoderou-se de imediato do comando, seguido de muito perto por Fritz Von Opel, que perante o entusiasmo da multidão e do próprio Kaiser que ao longo do percurso assistiam à corrida, contestava a liderança do piloto italiano.

Contudo, Vicenzo Lancia foi aumentando progressivamente o seu avanço e venceu com cerca de cinco minutos de vantagem.                                  

A segunda prova de qualificação, teve uma velocidade média mais elevada, sendo o primeiro classificado, Fellice Nazzaro conduzindo um Fiat, logo seguido por Wagner também em Fiat e por Depius em Pipe.

 

 

Fig. 2 - Frente do inteiro postal da Fig. 1, com a indicação dos locais do percurso. Obliteração do dia "13 de. Junho 1907", primeiro dia das corridas.

 

 

No dia seguinte, efectuou-se a verdadeira corrida, contando com quarenta equipas, resultantes do apuramento das vinte melhores de cada prova do dia anterior. Esta prova final consistia em quatro voltas ao circuito.

A partida, feita em Hamburgo, foi dada pelo próprio Kaiser, às seis horas da manhã, sob uma chuva fraca.

Hautvast, conseguiu durante algum tempo situar-se em primeiro lugar, mas Felice Nazzaro ultrapassou-o e tomou o comando da prova. Wagner, que conduzia um Fiat, foi o único concorrente que ainda desafiou os pilotos da frente, mas depois foi perdendo terreno.

 

 

Fig. 3 - Inteiro Postal da Alemanha, com obliteração comemorativa do Grande Prémio do Kaiser, "14 Jungo 1907- Automobilrennen – Saalburg - Taunus".

 

 

No final, o grande vencedor foi Felice Nazzaro em Fiat, à média de 84,21 Km/h, em segundo lugar classificou-se Lucien Hautvast, francês, que conduziu uma viatura Pipe, a em terceiro ficou Carl Jorns, alemão, pilotando um Opel. A volta mais rápida foi efectuada por Vicenzo Lancia ao volante de um Fiat.

   Bibliografia :

- Bandeiras da Vitória - Ivan Rendall - 1993 - London - Grã-Bretanha

- Enciclopédia Alpha Auto - Edições Edena - Paris - França

 

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