OS 20 REIS DE D. CARLOS

Américo Mascarenhas Pereira

In A FILATELIA PORTUGUESA, Porto, nº 14, Abril  de 1987

Eu sei que à partida, todos os Coleccionadores Inteiristas classificarão, com a maior das facilidades, os 8 (oito) tipos conhecidos mas, diga-se em abono da verdade, não é para esses que eu VOU procurar dar alguns esclarecimentos, no sentido dessa classificação, mas sim para os outros (os menos sabedores, os principiantes) os não “formados”.

Que eu saiba (e desde já agradeço qualquer rectificação) o primeiro 20, num desenho da autoria de DIOGO NETTO, “nasceu” a 20 de Julho de 1893 e foi impresso a CINZENTO AZULADO (segundo a minha escala cromática) numa CARTOLINA CAMURÇA (rugosa) pelo que, segundo o seu “baptismos”, recebeu o número 32, no “registo de nascimento”. Todavia, para atrapalhar um pouco, “serviu-se” - por diversas vezes - doutros tipos de cartolina, filha de muitos pais, numa pequenina barafunda de tonalidades.

O seu “mano” mais chegado, a quem MOUCHON deu vida, chegou a l de Setembro, três anos depois, e escolheu um LILÁS CINZENTO para se apresentar ao Mundo, igualmente sobre uma CARTOLINA CAMURÇA, mas não rugosa. Baptizei-o, registando-o sob o número 41, e é dos tais “complicados”. Olho nele, porque vale a pena.

Segue-se-lhe, no dia das mentiras de 1898, a comemorar o 4.° CENTENÁRIO DA DESCOBERTA DO CAMINHO MARÍTIMO PARA A ÍNDIA (mais conhecido pelo CENTENÁRIO DA ÍNDIA), igualmente CINZENTO AZULADO, perfilado à direita, todo vaidoso dos seus ornatos (uma “gracinha” de Mr. MOUCHON). Vê-mo-lo, sem quaisquer dificuldades, no CASTELO DA PENA, na TORRE DE BELÉM, de visita a VASCO DA GAMA e a rezar na SÉ DE LISBOA. Não há possibilidades de engano (e interesse) em perder muito tempo com ele. Face ao seu “habitat”... registei-os como os 53, 54, 55 e 56.

Em 1905 e a 13 de Janeiro (seria dia aziago?) aí temos outro que, se não fora a “distância do tempo”, diria ser irmão-gémeo do 41. Como este, escolheu o LILÁS CINZENTO mas optou pela CARTOLINA CREME (desta vez calandrada) diferenças assaz pequenas, se considerarmos a diversidade sempre existente nos tons e qualidades. Passou a ser o 65 da “família” e do “meu registo”. Chamo a atenção para ele, pois merece que percamos algum tempo com o seu estudo. Voltarei a citá-lo, oportunamente.

Depois... depois, em Dezembro de 1907 (ignoro o dia) é dada à luz um outro, sem qualquer hipótese de erro, na sua ordenação. Os anteriores eram todos da “esquerda” e este passou a ser das “direitas”, resolvendo dividir a “frente da casa”, para obstar a misturas entre o senhor “Endereço” e a dona “Correspondência” o que, nem sempre, foi fácil de conseguir; é que os erros já vinham de lá de trás. Tinha de o “baptizar” logo...ficou a ser o 70, a não desprezar, seja qual for o seu estado, nem que seja para estudo.

Chegados a este ponto (será que há mais?) podemos eliminar os 32, 53, 54, 55, 56 e 70, sobre os quais não recaem dúvidas na sua “árvore genealógica”, restando-nos os 41 e 65, e os seus irmãos “siameses”, mais conhecidos pelos “COM RESPOSTA PAGA”. Estes, no catálogo baptismal, receberam os “nomes” 42 e 66, respectivamente. Também devem merecer toda a nossa atenção, como “meninos” preciosos e a faltar em muitas colecções. Não o fazer será estar comprando/vendendo gato por lebre, sinceramente, uma troca inaceitável para o perdedor.

Explanados os “nascimentos” dos nossos “20 REIS DE D. CARLOS”, necessário se torna voltar aos tais 41/42 e 65/66 para, sem mais demoras ou palavreado barato (desta vez não têm muito de que se queixar) lhes explicar a maneira simples de os destrinçar pois (isso das CARTOLINAS em pouco ajuda) seria um dó mante-los erradamente, muito embora não deva haver atrapalhação em qualquer competição, mesmo perante os jurados. Sim, eles não dariam pelo erro pois, disso estou convicto, não devem ter tido sorte em os estudar, quer por falta de elementos quer por não os possuírem... se é que já os tiveram.

Ora anotem, f.f. (nada de mais “fifis”, está bem?) vocês e eles, se entenderem tal merecimento:

O n.° 41 - Mede 146 X 86 mm

O n.° 65 - Mede 140 X 91 mm

O n,° 42 - Mede 138 x 86 mm

O n.° 66 - Mede 140 X 91 mm

e tudo o mais que se possa dizer acerca de cores e cartolinas, só serve para atrapalhar, muito embora nos proporcionem variedades aceitáveis e interessantes. Cortá-los? Apará-los? Não acredito que seja capaz de fazer semelhante besteira, mesmo que lho fosse praticável.

Giro, não é? E tão fácil...

Bom, quanto aos números, isso é outra conversa. Para vos ser franco, nato em mim (sem peneiras) referem-se aos que lhes atribuí no meu futuro novo Catálogo, a sair quando tiver encontrado o editor certo, para obstar ao mesmo que, em Dezembro de 1977, me aconteceu, É que até hoje, e depois de muitíssimo trabalho já inútil (com revi/rectifi e actuali... zações de valores) jaz algures no escaninho do que se propôs editá-lo. “Requiescat in pace!”... tinha de ser, ou não seria eu, o “JE”, o “MENINO”, que Vos saúda e promete mais umas achegas, proximamente.

AMÉRICO MASCARENHAS PEREIRA

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