OS "EXPEDICIONÁRIOS"

Américo Mascarenhas Pereira

In A FILATELIA PORTUGUESA, Porto, nº 7, Fevereiro  de 1986

Dizia a circular ir" 285 da 2ª Repartição dos Serviços de Exploração dos CTT, com data de 9 de Dezembro de 1941 (vide “Bílhetes - postais de Portugal e Ilhas Adjacentes” por JOSÉ DA CUNHA LAMAS, a páginas 223/224) :

“Serviço especial do “Natal do Expedicionário”

1 -   Para cooperação dos C.T.T. na simpática e patriótica iniciativa do “Natal do Expedicionário”, foi determinado por despacho de  S. Exa. o Ministro de 4 do corrente que se distribuíssem gratuitamente, 120000 bilhetes postais de Boas Festas, n.ºs 9 e 10, aos expedicionários que se encontram nos arquipélagos dos Açores, da Madeira e de Cabo Verde, para se corresponderem com as suas famílias e amigos e às praças das unidades do Continente, para escreverem aos seus camaradas expedicionários.”

2 -   Estes bilhetes postais são identificados com a seguinte divisa na última, face:

“NATAL DO EXPEDICIONÁRIO - 1941“

“TODOS NÃO SOMOS MUITOS PARA CONTINUAR PORTUGAL”

3 -    Por determinação de S. Exa. o Ministro das Colónias, é permitida a aceitação e expedição dos bilhetes postais em referência, na Colónia de Cabo Verde, com a franquia da metrópole ($25) que nelas se encontra impressa.  

Ainda baseado no escrito por aquele grande estudioso—que nunca me cansarei de mencionar e elogiar -existem dois tipos da dita Sobrecarga, facilmente detectáveis pela:

1.° - Colocação das aspas, antes de TODOS e depois de PORTUGAL;

2.° - Medida do conjunto “NATAL ... 1941”, com letras mais ou menos gordas.

Estudem isso bem, pois sempre vale a pena. Eu, para os animar, dir-lhes-ei possuir apenas o primeiro tipo: “Aspas altas”... que é quanto basta. E Vocês?

Aqui para nós, sabem quantos foram distribuídos (?) aos militares para os fins em vista? Nada menos de 120.000, como já ficou dito acima, sendo 53.000 do n." 9 e  67.000 do n." 10 dos quais, para Ponta Delgada seguiram (?) 40.000 e para Angra do Heroísmo 18.000. E eu que andava por lá.

É verdade, fui para lá em 1941 e regressei no fim da guerra com estadia em S. Miguel e na Terceira. Quantos me foram distribuídos? Pasmais! Nem UM ! Sim, NEM UM ÚNICO ! Engraçado não é (foi)? E ao longo de todo este tempo já me foi possível conseguir um, exemplar enviado' da primeira e outro da segunda cidades...o novo, recebi-o da “estranja” com a inscrição a lápis (a título de aviso?): “II y a aussi le n.º 9 avec surcharge”... - giro, giríssimo! Pobres praças... Tropa ! E estive eu exercendo a minha “furrielística actividade, precisamente em S. Miguel e na Terceira.... mas isto não ficou por aqui. Adiante!

Ali, a páginas 239/240, vamos encontrar nova anedota, desta vez, relacionada com a porcaria, perdão, com a Portaria 10.509 e, também, desta vez, o que eu recebi era gémeo do anterior...NENHUM! E no entanto eu estava lá, fui furrielando...Há por aí algum “praça” que os tivesse recebido? Prossigamos!

Ora com esta porcaria (outra vez?) digo, Portaria, parece ter acontecido uma certa barafunda, uma vez que a sua aplicação sobre um stock existente nos armazéns do CTT, não nos permitir saber qual a quantidade in/utilizada...o contrário, é que seria para admirar.

Foram usados bilhetes-postais ilustrados da Série A, a tal dos farpados, com número inscrito, mais os das Boas-Festas 1940/41. Destes, e ainda servindo-me dos elementos insertos no livro, sofreram tal tratamento, nada menos de 45.000...notem bem 45.000...e também desta vez, não me saiu um único, na rifa... azares! Todavia dos que possuo um deles é escrito por uma MARIA, às suas Tias...coisas ! Ignorava a existência dum Corpo Expedicionário Feminino em 1944... as minhas desculpas! Que grande Tropa! Também é certo a minha ignorância, (abençoada seja ela) quanto ao critério/empregue/usado/idealizado na sua distribuição mas, de qualquer forma...o da MARIA deixa-me muito céptico. Não deixa de ser interessante constatar como uma coisa tão simples, criada com um fim tão meritório, teve um efeito tão séptico nos pontos de chegada onde, pelos vistos, o campo era/estava propício ao seu desenvolvimento. Coisas! Pobre “maralha”... pobres praças... tanta coisa que se fez nas tuas costas... Se pensam que foram poucos ou já esqueceram a quantidade indicada (no seu todo) então anotais por número :

Do 27........ 4.100  
28 ......  3.350  

29 ......  3.850

30 ......  6.700

31 ......  4.000

32 ....... 5.000

33 ......  7.000

34 ...... 11.000  

A única desculpa, a meu ver, é que (me) parece terem sido enviados, TODOS, para CABO VERDE e eu estava nos AÇORES...um bocadinho longe, convenhamos. Mas voltemos aos “farpados”, uma vez que, nesses, tive a possibilidade de encontrar dois tipos de sobrecarga, facilmente distinguíveis, bastando, para isso, atentar na posição do “10.509” sob o “PORTARIA”.

O Tipo I, como o classifico (o mais vulgar e até o único que encontrei nos Postais de Boas-Festas, o que me Ieva a deduzir “semelhantes’ísso””) apresenta o tal “10.509” por sob o “O” e o “R”, enquanto o Tipo II o coloca por sob o “OR” e o “I”. Tais posições são facilmente localizáveis e q.s.p. os enumerar.

Acrescentarei a informação (minha... vaidoso!) de que existe a mesma sobrecarga nos não numerados, mas ignoro (oh Santa ignorância) quais e que qualidades... claro, escuríssimo!

Terminando e a reforçar o já anteriormente citado/apontado, não foram os praças que os receberam, acreditem ou não. Se assim foi, como diabo fui adquirir, no estrangeiro, tantos exemplares em novo? Os usados? Ah sim! Pelo tipo de letra e texto...está-se mesmo a ver que são do punho/caneta dos nossos Magalas...querias?...’tadinhos!... nem o cheiro por certo. Alto! Tenho aqui (salvo seja) um senhor furriel rnííliciano...endereçou-o a outro... claro tinha de ser... o “bipede” estava (se calhar agora já está na construção civil... em terra/pó/cinza/nada) no Comando do RI??? (Irra! ainda eram capazes de me enviar algum tiro pelo correio!) logo, retirara a sua quota-parte...espertalhão...brincalhoteirôes...Acrescentarei, já agora, ter sido o mesmo (Nada disso, o postal, que coisa...) enviado de S. Miguel para a Terceira, precisamente onde estive (nas duas Ilhas) do Princípio até ao Fim dos Expedicionários.

Ora digam lá que não tem/teve a sua graça?

MUUIIITAAA!

 

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