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René Rodrigues da Silva Artigo publicado no "Convenção Filatélica" nº 4, de Novembro de 2002) |
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Os
telegramas PAX, criados em 1936 pela Circular nº 55 de 24 de Março daquele
mesmo ano da Direcção dos Serviços de Exploração da Administração-Geral
dos CTT, na sequência de uma experiência bem sucedida com os telegramas de
Boas Festas (BF), assentava em impressos de telegrama especialmente
concebidos para o período festivo da Páscoa. Eram ilustrados por
conhecidos artistas, com desenhos coloridos e alegóricos à época e, com
raras excepções, incluíam pequenos textos fixos à escolha do público. A
preocupação com a qualidade artística dos novos impressos encontra-se
expressa, com clareza, no texto da circular acima referida, o qual
transcrevemos na parte que nos interessa: “Foi
autorizado por S. Exª o Ministro das Obras Públicas e Comunicações em seu
despacho de 17 de Fevereiro findo, que a título de propaganda dos nossos
serviços no continente e na Ilha da Madeira se substitua o modelo nº 72
(impresso de recepção) por um impresso especial artístico.” O
enquadramento destes atraentes documentos, sob o ponto de vista
filatélico, não é pacífico visto levantarem-se vozes opinando que os
referidos telegramas não passam de meros impressos. Numa posição
aparentemente oposta, outras vozes entendem que todos estes telegramas
(PAX e BF) podem ser coleccionáveis como inteiros postais em virtude de
terem circulado como qualquer carta, com a particularidade de o porte
estar já incluído no preço dos mencionados impressos. No
caso em estudo, julgamos que devemos seguir o conselho de Ovídio e evitar
os extremos (1). Ao fazê-lo ficamos acompanhados por consagrados autores
que consideram determinados telegramas PAX (não todos mas os que adiante
serão seriados) verdadeiros inteiros postais e, por esse facto, podem ser
incluídos em colecções temáticas, por exemplo. Neste
grupo de filatelistas, bem exigente por sinal, vamos encontrar o saudoso
brigadeiro Cunha Lamas, em Portugal e J. A. Desimpelaere, de nacionalidade
belga e autoridade mundial em inteiros postais, os quais não têm
hesitações em considerar as peças em estudo como inteiros postais desde
que os referidos impressos tivessem seguido até aos destinatários por via
postal. Daí, a designação de telegramas postais. Acerca
desta questão, Cunha Lamas diz textualmente: “O facto de manterem o título
“TELEGRAMA” e outras inscrições de serviço telegráfico não tira aos
telegramas BF ou PAX, “directos”, como os seus sucessores “Autógrafos” o
seu carácter de inteiros postais” (2). Quer
isto dizer que, no pequeno universo dos telegramas PAX, aqueles que podem
ser compreendidos na categoria de inteiros postais serão apenas 26 (mais
uma variante). DIRECTOS, entre 1938 e 1939, são 11; AUTÓGRAFOS, entre 1940
e 1949, são 16 incluindo a variante de 1940. Os
últimos telegramas PAX, autógrafos, são de 1949. Encontram-se, por vezes,
circulados com datas posteriores. Tal ocorrência deve-se ao facto dos CTT
terem, nos anos seguintes e até 1956, s. e., utilizado sobras. A partir do
despacho de 6 de Agosto de 1956, do Ministro das Comunicações, que
suprimiu este serviço, os telegramas ilustrados postos em circulação são,
de facto, meros impressos. Verificando-se, com frequência, dificuldades em destrinçar quais são os telegramas PAX que podem ser coleccionados como verdadeiros inteiros postais, em virtude de terem sido contemporâneos de telegramas simples com a mesma ilustração (ou muito semelhante), o autor destas linhas permitiu-se não só elaborar os quadros que se seguem, mas também reunir as peças estudadas em dois grandes grupos (“directos” e “autógrafos”) e subdividi-los em seis tipos, tudo isto com o objectivo de facilitar a respectiva leitura. |
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1
– TELEGRAMAS PAX DIRECTOS Tipo
1 – Com tira de papel colada Tipo 2 – “DIRECTO” impresso a preto ou verde |
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II
– TELEGRAMAS PAX AUTÓGRAFOS Tipo
1 – Palavra autógrafo aparece apenas no exterior Tipo
2 – Palavra autógrafo aparece impressa em diagonal Tipo
3 – Palavra autógrafo aparece no cabeçalho Tipo 4 – Palavra autógrafo é integrada na ilustração |
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Para ilustrar estes telegramas, bem ao gosto dos anos 30-40, foram convidados cinco artistas, a saber: OSKAR (Óscar Pinto Lobo), Laura Costa, Manuel Rodrigues, Guida Ottolini (Margarida Ottolini Coimbra) e abº (Abílio Mattos e Silva). A tiragem total destas peças atingiu os 458 048 exemplares. Para os telegramas “directos” apurámos 93 902 exemplares. O que resta diz respeito, necessariamente, aos “autógrafos”. |
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Fig. 2 - TELEGRAMA PAX sem esta expressa designação. É ainda o primeiro "autógrafo". Dimensões reais: 235x165 mm. |
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A
finalizar, apenas uns tantos apontamentos sobre estes bonitos telegramas.
A legenda que, em 1938 e 1940, era “Administração Geral dos Correios,
Telégrafos e Telefones” passa, em 1939, 1943 e anos seguintes, para
“Administração Geral dos C.T.T.”. O telegrama nº 12 (de 1940) não
apresenta a indicação de que se trata de um PAX mas foi utilizado como
tal. A partir de 1945, a designação PAX 1, 2 e 3 aparece seguida de
um “A” (de autógrafo).
Somente o telegrama nº 25 (de 1949) apresenta um traço de união entre o
algarismo e o “A”, já referido. O PAX nº 24, foi objecto de uma sobrecarga
visto o algarismo “1” (de PAX 1) ter sido impresso sobre o algarismo
“2”. |
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