| Hernâni Matos |
Inteiros Postais de Portugal |
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Retrospectiva de 150 anos de Literatura Filatélica Portuguesa Organização
da ANJEF A
necessidade de reformar os Serviços Postais de Portugal, levou à nomeação
em 15 de Outubro de 1851, de uma Comissão encarregada de estudar o
assunto, a qual elaborou um Relatório que constituiu o preâmbulo do
Decreto de 27 de Outubro de 1852, que lançou as bases da chamada
Reforma Postal de 1852. Esta Comissão presidida por João Pinto de
Magalhães, Sub-Inspector Geral dos Correios, estava longe de imaginar
em toda a sua vastidão, as consequências da implementação em
Portugal do uso do selo postal adesivo. O mesmo se pode dizer do
Primeiro Abridor da Casa da Moeda, Francisco de Borja Freire, autor dos
desenhos e dos cunhos para os primeiros selos portugueses [i],
reproduzindo a efígie de Sua Majestade Sereníssima, a Senhora D. Maria
da Gloria Joana Carlota Leopoldina da Cruz Francisca Xavier de Paula
Isidora Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga, mais conhecida por D. Maria
II. Também
os tipógrafos da Casa da Moeda, a cuja manipulação por vezes
deficiente da máquina de impressão, se deve o aparecimento de
acidentes de impressão como duplas impressões e repintes, estavam
longe de avaliar as consequências dum gesto menos preciso. Na
verdade, a entrada em circulação no dia 1 de Julho de 1853, dos
primeiros selos de D. Maria II (5 r. e 25
r.), surgidos do buril admirável de
Borja Freire, fizeram surgir entre nós aquilo que mais tarde se
convencionou chamar de “filatelistas” ou cultores da
“Filatelia”, na sequência da adopção nada pacífica do termo
proposto em 1864, pelo francês Herpin, para designar os “amigos da
franquia”. Com
o coleccionismo filatélico surgem também as primeiras publicações
periódicas [ii],
primeiramente órgãos de comerciantes e depois também de clubes filatélicos.
Nestas publicações surgem artigos
de estudo
[iii]
sobre as emissões, os quais pela sua dimensão e importância dão por
vezes origem a publicações filatélicas que se autonomizam sob a forma
de livros.[iv]
De resto, muito cedo surgiu a necessidade de publicar catálogos de selos [v]
que inventariassem emissões, variedades e erros, os quais iam surgindo
no processo de fabrico, o que para os filatelistas tinha o aliciante de
não estar normalizado como hoje. Por outro lado, com a realização de
exposições filatélicas, passou a ser editado um novo tipo de publicações
a que se convencionou chamar catálogos
de exposições [vi].
Igualmente as necessidades do próprio mercado filatélico levaram à
criação de catálogos de leilões
[vii]. Esta
é, resumidamente, a génese, entre nós, daquilo a que se convencionou
designar por “Literatura Filatélica”, mais tarde tornada uma classe
FIP [viii],
em cujo artigo 2 do SREV [ix],
se estabelece que:
“A Literatura Filatélica compreende todas as comunicações impressas
ao dispor dos coleccionadores relativas a selos postais, história
postal e seu coleccionismo, bem como qualquer das áreas especializadas
relacionadas com aquelas matérias.” A
Retrospectiva de 150 anos de Literatura Filatélica Portuguesa,
promovida pela ANJEF no Centro Cultural de Belém, procura dar uma visão
objectiva e o mais equilibrada possível do que foi a actividade filatélico-literária
desde os primórdios da Filatelia Portuguesa, até à actualidade. Naturalmente que a Retrospectiva, de âmbito generalista, fornece num relance visual uma síntese necessariamente simplificada do que foi a actividade filatélico-literária desde os primórdios da Filatelia Portuguesa, até à actualidade. É, porém, a contribuição empenhada da ANJEF no sentido de valorização da Literatura Filatélica ao plano a que tem pleno direito – o de uma classe filatélica como as outras, mas com o valor acrescido de ser indispensável ao fomento, à didáctica e ao desenvolvimento das demais. Hernâni Matosanjefportugal@hotmail.com [i] Para o que contou com o parecer esclarecido do Rei-Artista e polifacetado coleccionador, D. Fernando de Sax-Coburgo-Gota, marido de D. Maria II. [ii] A publicação periódica mais antiga é “O Philatelista”, Órgão do Centro Filatélico Português, de que era Director Faustino António Martins e com Redacção na Praça Luiz de Camões, nº 35, em Lisboa, o qual se começou a publicar em 1888. [iii] Os primeiros estudos sobre selos portugueses devem-se a J. N. Marsden (in Stamp News Anual-1892), Dr. Henrique Anachoreta (in Bulletin trimestral de La Societé Lausanoise de Timbriologie-1896), O. Wasserman in Deutsche Briefmarken Zeitung – 1900) e M.P. Castle (In London Philatelist – 1901). [iv] O primeiro livro filatélico terá sido o “Guia do Philatelista”, dado à estampa em 1895, pelo autor, o portuense Alfredo de Faria. [v] O primeiro catálogo de selos postais foi editado em 1894 por Faustino António Martins, seguindo-se-lhe em 1895 o catálogo de Taborda Ramos, redigido em francês e que descreve os selos de Portugal emitidos até então, com as diferentes variedades de denteado, papéis, etc. Só muito posteriormente surgiriam outros catálogos: Myre (1910), Simões Ferreira (1918) e Eládio de Santos (1940). [vi] Este tipo de publicações teve início com o “Catálogo da 1ª Exposição Filatélica Portuguesa (Lisboa-1935)”, seguindo-se-lhe o ”Catálogo da 2ª Exposição Filatélica Portuguesa (Lisboa-1940)”, “Catálogo da EXFIPO (Lisboa-1944)” e “Catálogo da 1ª Bepex (Porto-1944) . [vii] Remontam a 1939 os primeiros catálogos de leilões de selos de que temos conhecimento. Havia um, chamado “Leilões de Selos”, organizado por Augusto Molder e Direcção de Henrique Mantero, com Redacção na Rua da Madalena, 182-2º, em Lisboa e cujo primeiro número saiu em 1939. Também em 1939 sai outro catálogo, chamado “Leilões de selos para colecções”, com Direcção de Luís de Sá Nogueira e com Redacção na Rua Gonçalves Crespo, 41 – 1º D, em Lisboa. [viii] Classe de competição da Federação Internacional de Filatelia. [ix] Regulamento Especial para a Avaliação de Participações de Literatura Filatélica em Exposições FIP. |