"SOBRE, SUB, TAXAS & Ca. ILIMITADA"

Américo Mascarenhas Pereira

In A FILATELIA PORTUGUESA, Porto, nº 9, Junho  de 1986

Depois da gracinha do “CONHEÇA A SUA TERRA”, entendi, por mal ou bem, dar mais uma voltinha pela minha colecção, absolutamente convicto de que com um pouco de boa vontade, encontraria algo desconhecido para a maioria dos Inteiristas e não só...sempre gostei muito disto!

Assim, “desci” até 1878 e, com data de 9 de Abril de 1879, vou encontrar o nosso primeiro postal, impresso no verso, Fïlatelicamente poderá não ter qualquer interesse mas, convenhamos, tem a sua graça, a sua história, ainda que se trate duma simples factura.

Realmente, aproveitar um suporte devidamente selado para imprimir a sua factura, foi uma ideia feliz da “EMPRE2A HORAS ROMÂNTICAS”. Esta tem o n." 6 e foi remetida ao Porto. Valor 2.940 reis.

O postal apresenta-se danificado por furos de alfinetes (?) justificados (?) num, após o “N.B.” da dita factura: “Peço a fineza de fazer entregar o pacote que vae junto”, escrito pelo facturador. Será esta a mais antiga em Inteiros Portugueses? Porque não o multaram? Bom! Isso é outra história, não pertence a esta. Contudo, é favor não esquecer o facto de se tratar de uma fórmula de franquia ainda muito “adolescente” e, logicamente, causadora de muitas “baralhações” quanto à possibilidade de ter ou não direito a acompanhamento. Isto é 'apenas' uma curiosidade, das muitas que todos devem possuir mas, diga-me cá p.f.: Não tem uma mais velhinha ?

Dado que o propósito não era este, mas sim indicar os I.P. que sofreram “na pele” qualquer alteração, fosse material ou rectifícativa, passemos à frente, com a exclusão imediata dos: “SPEClMEN”, “PROVA” (grande ou pequena) traço horizontal ou “ULTRAMAR”.

Assim, em digressão (e agora sempre a subir na era) quedo-me em 2 de Agosto de 1893 para cumprimentar o Snr. D. Luís - O “TIPÓGRAFO” — que, .atrás do seu “VÁLIDO 1893”, me prova estar ainda “ali para as curvas” e não para deitar fora.

A 12 de Outubro de 1910, vejo-me na obrigação de saudar a “REPUBLICA” na pessoa de D. Manuel II (que paradoxo) o qual, mesmo assim e até muitos anos depois, ainda “reinará” por esse País fora, onde a moda é tratar as Snras. e os Snrs. por “CIDADÃ/CIDADÃO”, destruindo a coroa monárquica e aplicando o barrete frígio. Sempre gostámos muito de copiar.

Quando do CENTENÁRIO DA ÍNDIA, já em Maio de 1921, os 20 reis são “'apanhados” por uma nova República e, por via disso, D. CARLOS e mai-los seus ornatos, oferecem-nos uma República diferente, devidamente acompanhada dum $06 e um escudo laureado, na base. Atenção que o da MADEIRA, referente à “IGREJA DA CONCEIÇÃO VELHA (LISBOA)”, por ter sido necessário eliminar o “DEZ REIS”, à esquerda, não teve direito ao tal escudo. Será que os estrangeiros o pagaram como SEIS CENTIMOS DO DÓLAR? Brincalhoteirãozinho...Esta foi a primeira alteração no valor do porte, já impresso.

Então já nado mas não muito crescido, “dou de ventas” com a Dona CERES (mais uma cópia) muitíssimo aborrecida, porque perguntava e muito bem: “Não percebo, aumentaram os portes e que me fizeram? Foram-me aos “18” e “subtaxaram – os ” com “12”. Ora isto não foi um aumento, foi uma baixa material e física. não acham?”

Aqui vejo-me na obrigação de dar uma leve explicação aos leitores do Centro e Sul, para que, através dela, possam compreender, perfeitamente, as razões da Dona CERES. Nem todos somos “letrados” e a indignação duma Dona deve ser, sempre, investigada, ponderada e mais coisas a rimar. Foi o que fiz e dos resultados da investigação...

Dona CERES, ao ouvir falar na alteração de “portes” e influenciada pela posse exclusiva do seu “18” - sinónimo popular de penico, especialmente na região nortenha—”entendeu-os”, por deformação auditiva como “potes” - outro sinónimo nortenho, do utilíssimo vaso - e então, ao tomar conhecimento do número “12”, pior ainda. É que um “18” tem três vezes a altura do tal vaso, entendido como “12”...perceberam? Daí a indignação daquela Dama...que sabia ser muito mais útil um “18” do que um “12”. Podera, com todas aquelas saias e daquela altura...adiante.

Em 1924 (Julho) porque havia um aumento real e muita “coisa” em 'armazém, aplica-se um 25 C. a preto ao lado do selo impresso, que se inutiliza com um traço diagonal, da mesma cor, e passamos a ter:

a) um “BILHETE PO” de 25 C. e 2 C. amarelo/traçado

b) um “BILHETE PO” de 25 C. e 18 C. azul esverdeado/traçado

o que, temos de concordar, era bem pouco...pois haviam imprimido, pura e simplesmente, o 2.° selo, sobre “STAL”, mais bocadinho menos bocadinho. Isto sempre há cada inteligente...e a Dona CERES passou a ver o seu “18” de luto. Todavia, ainda foi possível amenizar um pouco a asneira, inicial, pespegando o 25 C, ao lado do “Endereço”...quando mal nunca pior.

Os “COM RESPOSTA PAGA” (apenas os 18-18) viram-se divididos e “mais valorizados'“, pois sempre levaram uns risquinhos no canto inferior esquerdo...pana prévia leitura por computador...Querias!

Estamos em Abril, em 1941 e com muitos postais em stock. Que fazer? Isso mesmo! Aproveitá-los.

Iniciado o dito aproveitamento, os “TUDO PELA NAÇÃO” (desenho do AIMADA...mais para quê?) e apenas os de “COM RESPOSTA PAGA”, por efeitos forçados de cissiparidade (bolas, que isto é bonito!) são-nos oferecidos agora, com uma tarja azulada, violando-lhes a real identidade, como acontece aos seus antecedentes. Riscos? Computador? Aparecem vários pois, por se encontrarem em circulação, era muito natural a sua existência em algumas estações e estas, naturalmente, resolvem o problema muito facilmente: passaram-lhes una “riscos”, depois de os separar.

Também é neste ano (1941) que, para agradar aos EXPEDICIONÁRIOS, os CTT mandam aplicar umas palavrinhas nos n."' 9 e 10, dos BOAS FESTAS, dizendo: “NATAL DO EXPEDICIONÁRIO - 1941/TODOS NÃO SOMOS MUITOS PARA CONTINUAR PORTUGAL”. E tinham razão!

Ignorando as razões da razão que os compeliram a isso, digo--lhes que. nesse mesmo ano. foi aplicada uma sobrecarga dizendo: ISENTO/PORTARIA/10 509 sobre os Farpados, alguns da Série A e outros da 2ª Série, e numerada - cravados ou impressos - (pois até hoje ainda não há elementos dos e das possíveis quantidades utilizadas). Essa mesma Portaria foi extensiva aos n.º s 27 a 34, dos BOAS FESTAS...e lá se foram mais uns quantos, que estavam ali a abolecer, e criar bicho.

Ao aproximar-se o Natal de 1946, o aumento dos portes, de correio, leva-nos a aproveitar a “deixa”, e atiramos cá para fora com os n.ºs 66 a 100 com uma pequena indicação a vermelho, no canto inferior direito e em duas linhas, dizendo: Novo Preço/1$20. Foram tão somente dois tostõezinhos...

Em 1948, temos de pagar $50 logo, a 18 de Novembro, os Caravelas de $30 são “beneficiados” com uma sobretaxa e ficam com aquele custo. Quanto aos $30+$30? Nunca vi um sobretaxado. Se Você o tem...Parabéns a Você! Tem algo muito raro, MUI-TO DI-FÍ-CIL!

Os “POETAS”, os “PROSADORES”, o “CASTELO DE S. JORGE”, a “SÉ DE LISBOA” e a “TORRE DE BELÉM” “aproveitam a deixa” e ficam a valer $50. Estes três últimos só conseguiram “enriquecer” em 22 de Novembro de 1951.

Como “prenda” de Natal e porque havia uns “quantos'“ ali nos armazéns, sem utilização...catrapuz! meia de conversa, meia de ordensinhas e ai temos os “Farpados” (com e sem número) algo como uns 127 postais, mais ou menos e segundo cá o “Je”. Depois, depois e ainda da mesma época (Dezembro de 1952) acrescentem--lhes mais 78 dos COSTUMES PORTUGUESES, Série B ($25 e 1$00). Não vale a pena rir, porque isto ainda não fica por aqui.

Entretanto bom será explicar que os tais Farpados, além de um $50 e mais quatro risquinhos sobre o $25 -TUDO PELA NAÇÃO - apresentam uma “chapinha” e “$50” sobre o custo anterior, que era, como sabem, $75. Igual procedimento foi usado para com os COSTUMES só que, por haver a taxa de 1$00, na série para o estrangeiro, esta sofreu o mesmo tratamento e, assim, o que era de 1$75 passou a custar $50...e não me venham para cá com essa de que nada baixou.

Seguidamente “oferecem-nos” os tais parecidos com as pescadas, sim, aqueles que “antes de o ser já o eram”...vê, como é inteligente s.s. (leia-se salvo seja) isso mesmo. Os das Séries C, D, E e F que deveriam, ter saído em Janeiro de 1953. Uma caravela, um valor de $30, uma sobrecarga igual às anteriores e aí temos mais $50, quando o seu valor/custo inicial deveria ser de: “Custo incluindo franquia; 1$00”...eis mais uma baixa...comprem-nos, comprem-nos enquanto é e há tempo.

Como “ninguém dá nada a ninguém”, a 18 de Janeiro de 1954 - estas datas são muito minhas, ninguém tem nada com isso - os nossos “amados/queridos/venerados CTT”, por uma interposta “S.P.P.” brinda-nos com uma CAMPANHA DE PROFILAXIA SOCIAL. Não mataram as moscas, os mosquitos e não sei que mais, mas mataram, pelas razões anteriores, o $30 caravela, ordenando que lhe pespegassem um $50 em cima. ‘tadinhos...também pertencem às “pescadas”.

E esta é só para os arreliar. Em 1962, no Natal do dito, o postal de seu número 237, deu uma trabalheira dos diabos, não sei a quem nem me interessa, já que foi necessário riscar, isso mesmo, riscar um “H” que não deveria ter sido impresso. Imprimiu-se “AD HOMES” quando o deveria ter sido “AD OMES”. Também, foram apenas 25 000...

Em 1 de Agosto de 1963, resolvo visitar GUIMARÃES e os demais componentes, da belíssima Série G, o que me leva até aos AÇORES para findar em PORTALEGRE. Se nos outros, vigorava o $50 caravela nesta última cidade já “mandava” D. DJIÍS, asindo aquela temerosa espada, numa complicada posição braçal.

Nada disso...houve apenas uma substituição do custo total. Assim, onde se lia: “Preço, incluindo franquia; 2$00”, umas vezes com vírgulas/pontos, “passou-se” a ler: “Preço incluindo franquia $50”, sem coisa alguma. Também, depois da baixa...não dava para mais.

O Natal de 1966, aparece-nos no “sapatinho” com “sapatinhos pretos”...uma tarja a negro, sobre os dizeres: NATAL DE 1965.

Para quê estar a respirar fundo já, se ainda temos mais coisas? Ora anote, s.f.f. ou quiser.

A 14 de Julho de 1976, o 1$50/TORRE DE BELÉM recebe o acompanhamento de $50 do APOIO À PRODUÇÃO NACIONAL e o 1$00 desta família, não querendo ficar atrás alinha-se ao lado do 2$00/DOMUS MUNICIPALIS/BRAGANÇA, em 12 de Abril de 1977 e ao 3$00/MISERICÓRDIA DE VIANA DO CASTELO, em 8 de Março de 1979.

Como os portes não param de subir, e nos armazéns-gerais dos CTT (onde deveria ser?) há muita daquela “coisa” a que um dia chamaram de POSTAIS DO NATAL 1978, “oferecem-nos'“ com uma tarja cobrindo: Preço 7$OO/INCLUINDO FRANQUIA, substituído pela: PREÇO 10$00/INCLUINDO FRANQUIA/CONTINENTE E ILHAS...pobrezinhos! Pobrezinhos? De nós, que vamos ter de aguentar uma série de alterações, a primeira das quais tem início em 16/4/81 com a aplicação da “TORRE DE BELÉM” -  (1$50) - ao lado dos “TEARES” - 5$50) - para, seguidamente e no mesmo ano, nos proporcionarem uma FEDERAÇÃO PORTUGUESA DE FILATELIA acrescida de um selo colado de 3$00 e, em baixo, a inutilizar o “PREÇO, INCLUINDO FRANQUIA: 6$00”, uma pseudo-tarja manual, acastanhada. A primeira data existente na minha colecção, é de 6/X/1981 e a última a de 28/IX/1981; ambos vieram da AMADORA, Que me diz o meu Amigo? Não! Não foi só este a sofrer tal alteração, pois o “PORTUCALE 77”, em 1982, é “riscado” no mesmo sítio, a preto. Só que, desta vez, o selo colado é de 4$00 e as datas que possuo são respectivamente de 27/4/82 e 21/5/82, vindos de VIANA DO CASTELO. São dois e os únicos que tenho.

Pois é, o mesmo postal voltou à baila, com selo de 6$00, para  ficar em dia. Tenho-os com “riscas” azul e “preta”, de 1982 e 1983.

Ainda em 1983, a 16 de Março, temos nova composição, desta feita impressos, um 3$50 ao lado do 9$00, mais precisamente a “JANELA DE TOMAR” ao lado da “VELHA MÁQUINA FOTOGRÁFICA”, a que se lhe segue, em 15/1/85, um $50 à esquerda e 3$00 por sob o 12$50, todos “INSTRUMENTOS DE TRABALHO'“. Quase um mês depois, a 13/2/85, substituíram o 3$00 por um 7$00 e, assim, perfazem a nova taxa de 20$00; impressos claro...que subida...

Não gostaram de todas estas alterações? Bom, que eu saiba, ainda não apareceu “coisa alguma”, tipo “ode filatélica” no aproveitamento de qualquer I.P., até ao actual 22$50...lá iremos, por certo.

E já agora, para terminar, dediquem um pouco da vossa atenção à SÉRIE G, medindo as alterações já citadas. Verão que chegam a uma conclusão “muito engraçada”: FALTA-LHES MUITA COISA.

A mim tampem me falta, pois não há possibilidades (ou há?) de se saber quantas medidas existem. Pelo menos eu não sei! Vou procurando e achando, vou encontrando mas, pelos vistos, poder-se-ão limitar entre os 42 e os 50 mm, numa mesma série. Não deixa de ter o seu interesse, creiam. Entretenham-se e...como já estou em férias, quando lerem “isto”, voto por BOAS FÉRIAS E MUITA SAÚDE...e uns cobresinhos para INTEIROS, e não só!

Sempre gostei muito disto...

Moscavide, Abril/86

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